Forças Armadas defendem harmonia entre Poderes e consideram inaceitável agressão a jornalistas

Assessor de Toffoli, general Fernando Azevedo e Silva vai chefiar ...

Ministro da Defesa, Azevedo e Silva, tenta acalmar a situação

Daniel Carvalho e Ricardo Della Coletta
O Globo

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse nesta segunda-feira (4) que as Forças Armadas defendem a independência entre Poderes e consideram agressão a jornalistas inaceitável. A manifestação ocorre na esteira de críticas que têm partido do governo sobre decisões recentes do STF (Supremo Tribunal Federal) e um dia após uma manifestação em que houve agressões a jornalistas e em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse estar junto com as Forças Armadas “ao lado do povo” e deu recados intimidatórios.

“As Forças Armadas cumprem a sua missão Constitucional. Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os Poderes imprescindíveis para a governabilidade do País”, diz nota de Azevedo e Silva.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – O ministro afirma que a liberdade de expressão é “requisito fundamental” em um país democrático, mas continua dizendo que “no entanto, qualquer agressão a profissionais de imprensa é inaceitável”.

“As Forças Armadas estarão sempre ao lado da lei, da ordem, da democracia e da liberdade. Este é o nosso compromisso”, encerra o ministro da Defesa.

No domingo (3), a Folha mostrou que a ala fardada do governo, embora costume atuar como bombeira diante de atitudes mais extremadas de Bolsonaro, deu sinais de incômodo com decisões do Supremo.

NÃO HÁ UNANIMIDADE – O comandante do Exército, Edson Pujol, tem se mostrado refratário às atitudes do presidente da República. Mas outros generais da alta cúpula ainda mantêm um  alinhamento ao Planalto e têm maior proximidade com o antecessor de Pujol, general Eduardo Villas Bôas, conselheiro de Bolsonaro.

Nas últimas semanas, o tribunal conferiu uma série de derrotas ao Planalto, a maior delas a liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que impediu que um amigo da família, o delegado Alexandre Ramagem, assumisse o comando da Polícia Federal.

Também incomodou o presidente a redução de prazo dada pelo ministro Celso de Mello, decano do STF, de 60 para 5 dias para que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro fosse ouvido sobre acusações feitas contra Bolsonaro. O depoimento à Polícia Federal ocorreu neste sábado (2).

VISÕES POLÍTICAS – Os militares endossam a visão do chefe do Poder Executivo de que há um exagero na corte e que as visões políticas de alguns ministros, como Celso de Mello, não podem comprometer suas decisões.

Neste sábado (2), Bolsonaro ficou especialmente irritado com uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. O magistrado barrou a ordem do governo brasileiro para expulsar diplomatas venezuelanos aliados a Nicolás Maduro do Brasil.

“A questão da decisão do ministro Alexandre de Moraes, grande parte dela baseada na decisão do ministro Celso de Mello em relação ao inquérito que está correndo aí por solicitação da Procuradoria-Geral da República. Na minha visão, julgo que, volto a dizer, é responsabilidade do presidente da República escolher seus auxiliares. Quer a gente goste ou não”, afirmou Bolsonaro.

NOVO DIRETOR-GERAL – Nesta segunda-feira, Bolsonaro nomeou Rolando Alexandre de Souza para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, posto que seria ocupado por Ramagem, amigo da família Bolsonaro.

Mais cedo, em entrevista à Rádio Gaúcha, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse que o STF ultrapassou limites ao tomar decisões como a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal e ao barrar a ordem do governo brasileiro para expulsar diplomatas venezuelanos aliados a Nicolás Maduro do Brasil.

“Julgo que cada um tem que navegar dentro dos limites da sua responsabilidade”, afirmou Mourão em entrevista à Rádio Gaúcha.

MAIS HARMONIZAÇÃO – “Os casos mais recentes, que foi da nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, a questão dos diplomatas venezuelanos eram decisões que são do presidente da República. É responsabilidade dele, é decisão dele escolher seus auxiliares, assim como chefe de Estado ele é o responsável pela política externa do país”, disse o general.

Para Mourão, “os Poderes têm que buscar se harmonizar mais e entender o limite da responsabilidade da cada um”. Ele disse também entender que “hoje existe uma questão de disputa de poder entre os diferentes Poderes, existe uma pressão muito grande em cima do Poder Executivo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA matéria tem alguns equívocos e necessita de tradução simultânea. Não é verdade que o Supremo tenha reduzido o prazo para Moro ser ouvido. Quem deu 60 dias foi Alexandre de Moraes, no processo aberto pelo PDT. Quem deu 5 dias foi Celso de Mello, em processo contra Moro, aberto pela Procuradoria-Geral da República, a pedido do próprio Bolsonaro.

Quanto aos militares, os que estão no governo, recebendo salário dobrado e outras vantagens, tipo cartão corporativo, eles dizem que o Supremo está exagerando. Os que estão na tropa, porém, acham que quem está exagerando é o presidente da República e consideram que ele não se comporta como militar e não pode representar as Forças Armadas. Apenas isso. Quanto a Mourão, que foi contra a demissão de Sérgio Moro, o vice dá uma no cravo e outra na ferradura, para ficar bem com todo mundo e governar em paz, quando chegar a hora. (C.N.)

10 thoughts on “Forças Armadas defendem harmonia entre Poderes e consideram inaceitável agressão a jornalistas

  1. Não é um pouco tarde para falar em harmonia entre os poderes?

    Como disse o Paulinho da Força “O Alexandre de Moraes errou. Criou uma crise institucional. O Presidente falou sobre isso. Estamos correndo riscos”

  2. “As Forças Armadas estarão sempre ao lado da lei, da ordem, da democracia e da liberdade. Este é o nosso compromisso”, encerra o ministro da Defesa.” Como diria o saudoso Mané Garrincha para o Vicente Feola, seu técnico da época, mas o Senhor já combinou isso com os russos ? No caso o “Ministro da Defesa” precisa combinar isso com o Comandante-em-chefe das forças armadas, sob pena de estas virarem pó de traque.

  3. Quantas notas falando a mesma coisa esse cara vai soltar?
    Em que lugar do mundo um ministro da defesa precisa fazer isso?
    Já está ridículo.
    Na verdade, só gostam de dinheiro dos impostos.

  4. Foram mais de duas décadas de governo na ideologia “socialismo moreno”.
    Quanto influenciou nas FFAA’s os governos psdb/pt?
    Será que é “apenas isso”?!!!
    Não esqueçamos que Genuínos da vida foram medalhados pelas FFAA’s durante o governo petista.
    Ou tem-se que ter muita disciplina ou estômago para medalhar uns “bostas” daqueles ou então…
    O engano do PR, como sempre minimizando o problema é que serão somente 30000 vidas em caso de conflito armado.
    Não esqueçamos que nunca mais se falou em exército de stédile, com isso ele acabou ou está no limbo só esperando o momento adequado.
    Quem acha que estou lunático; é só olhar o que aconteceu e como aconteceu na Venezuela.

  5. Pois é, e alguns ainda crêem que tudo o que Deus faz é perfeito. Visto o que ocorre nas comunidades carentes, com os pobres desvalidos, como os doentes inassistidos, a vida necessita sim de retoques do criador.
    Ah, mas os homens podem prover aquilo que lhes falta, para isso Deus lhes deu racionalidade, inteligência, criatividade.
    Só que abundam homens com a racionalidade de equinos e a agressividade da hiena para sobreviver, exatamente nos lugares onde mais precisamos de gente com empatia, desprendimento, amor ao proximo. E não precisa ir longe pra ver… O Bozo, por exemplo, vai até a templo, ajoelha-se perante o público e devotamente eleva as mãos em prece, mas age como uma mula!

  6. E mais CN ninguém vai tirar a responsabilidade do genocídio que irá acontecer até o final da pandemia das costas do PR que com seus maus exemplos para toda população quebra a quarentena e “não se emenda” como se dizia antigamente.

  7. Hoje um cidadão questionado pelo não uso da máscara declarou: Poxa o próprio PR não usa!!!
    Fora os que tem no inconsciente o mau exemplo do PR e por indisciplina natural, acham que não é nada não; uma simples ‘gripezinha, resfriadinho’; estes serão os que mais cobrarão quando ver seus parentes, amigos e vizinhos indo literalmente para o “saco”.

  8. Já disse e repito:

    As FFAA só tirarão o Bozo do poder quando o numero de mortos disparar. Até lá teremos que suportar esse genocida.

    Esse é o preço que teremos que pagar.

  9. O defuntizamento por coronavírus deve ser enaltecido como Galvão Bueno narrando o tetra ou a vitória de Aírton Senna num grande premio.
    A soma dos mortos serão a munição pra rotular o presidente como o Flagelo de Deus.
    A torcida pelo aumento das mortes está fazendo muita gente passar por Cretinos Fundamentais.
    E o Jornalismo de Necrotério vai navegando por mares já navegados camonianamente enquanto no entendimento do editor vai como la nave se vá, felinianamente.
    Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?

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