Francisco e suas mensagens

Luiz Tito (O Tempo)

Chegou ao final a visita do papa Francisco ao Brasil e escrever sobre o tema é difícil sem o perigo de ser redundante. Afinal, esse foi o assunto mais presente e discutido pela imprensa e pela América Latina nos últimos dias. Com justificadas razões. Ninguém pode desconsiderar a importância e o legado da vinda do chefe da igreja católica ao Rio de Janeiro, na Jornada da Juventude, nesse momento em que se afloram e transbordam para as ruas as críticas às contradições de nossos governos, ao sentido e perfil das nossas mais relevantes instituições e à importância da participação popular na construção dos destinos nacionais.

Essa foi a bandeira do mais recente inconformismo, agitada através dos protestos, cujo gigantismo criou um novo divisor de águas nas relações da sociedade com seus representantes, com seus governantes e com os poderes do Estado.

O papa, afável e próximo de seu público, e atento na sua relação com o momento brasileiro, extravasou-se em simplicidade, em grandeza e humildade, para tornar exitosa sua tarefa de potencializar a percepção da importância da Igreja Católica pela sociedade, pela imprensa e pelo governo. Milhões de pessoas, jovens na sua grande maioria, foram ouvir de Francisco o chamamento para que não abandonassem sua responsabilidade de serem os protagonistas de seu tempo, para que não “balconeassem” sua participação na construção da história. O termo nos remete a ‘balcon’, que significa, na fala do papa, a varanda.

Na sua convocação, não é mais admissível que os jovens simplesmente vejam, postos na varanda, a vida passar, sem nela se meterem, sem nela se fazerem penetrar, trazendo consigo seu ideário e suas demandas de maior participação na construção do país. Talvez essa tenha sido a mais significativa e simbólica mensagem de sua estada no Brasil: a inflamada e sincera convocação da juventude para que a partir dela se forje a concepção de uma nova realidade, de uma nova história.

O papa Francisco fulminou a desigualdade social constatada na visita às favelas do Rio, com a crítica de que não se constrói uma nação apenas com seu propalado desenvolvimento econômico (que entre nós já se configura como uma falácia) mas com políticas concretas, profundas e duradouras de como se tratam os menos favorecidos e sua desejada transição para outros patamares sociais. Certamente informado do perfil das medidas dos últimos governos, o papa criticou o atraso conceitual de tais políticas, para dizer: “Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria”. Criticou ainda a corrupção, que desestimula sobretudo os mais jovens a acreditar lutar por mudanças.

Se conseguirmos realizar os desejos de sua fala, teremos evoluído muito. Que o sentido dessa mensagem esteja sempre entre nós.

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3 thoughts on “Francisco e suas mensagens

  1. A única mensagem que valeu desses dias é a seguinte: voltem a amar Jesus. O resto já era sabido e o papa não trouxe nada de novo. Esses jornalistas acham que foi o máximo a visita dele. Que falta de fé.
    Em outras palavras, dinheiro, santos, pessoas não são confiáveis ou não devem ser louvados/amados e afrontam os Mandamentos de Deus.
    Nessas horas é bom ser prudente, e estar ciente das contrafrações.

  2. Claudio,saudações
    As mensagens do Papa Francisco já já estarão esquecidas e envoltas na imensa neblina das retóricas de sempre. A Igreja Católica vai ressurgindo, após tantos episódios terríveis. São Francisco de Assis foi redivivo.

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