Fraude no Tribunal do Trabalho continua aumentando. Já está em R$ 17,9 milhões, Só dos funcionários de Furnas, levaram R$ 12,2 milhões.

Carlos Newton

É um nunca-acabar de irregularidades que mostram a podridão do Judiciário. Em Brasília, por exemplo, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região descobriu uma nova fraude cometida pela servidora Márcia de Fátima Pereira da Silva e Vieira, que desviava indenizações judiciais a serem pagas pelo tribunal a empresas e a trabalhadores. Com isso, já chega a R$ 17,9 milhões o total surripiado pela diligente funcionária pública.

Reportagem de Guilherme Amado no Correio Braziliense mostra que TRT e a Polícia Federal já sabiam que, apenas em 2011, Márcia havia se apropriado de R$ 5,5 milhões. Agora, são mais R$ 12,2 milhões. Mas ninguém sabe como isso vai acabar, porque na quinta-feira Márcia depôs novamente na Superintendência da PF em Brasília e disse não ter ideia de quanto era o rombo.

A inspeção feita na 2ª Vara de Trabalho, onde Márcia trabalhava, já encontrou pelo menos 104 processos fraudados. Mas a corregedoria do Tribunal ainda não conseguiu encontrar 12 processos, vejam a que ponto chega a esculhambação. Cerca de 30 processos ainda devem ser analisados. Os processos que desapareceram provavelmente terão que ser restaurados, ou seja, o TRT precisará recorrer às partes para pedir cópias das ações e, assim, tentar reconstituí-las.

O presidente e corregedor do TRT-10, desembargador Ricardo Alencar Machado, acredita que o montante possa passar dos R$ 20 milhões. “Se um único processo for uma ação que algum sindicato entrou representando toda a categoria, esse total pode subir muito ainda”, avaliou.

Os R$ 12,4 milhões recém-descobertos eram de um único processo, do sindicato de funcionários de Furnas, que reivindicavam um reajuste salarial que não foi concedido em 1990. Após anos de batalha judicial, não cabiam mais recursos e Furnas já havia sido condenada a pagar o retroativo. À Justiça do Trabalho, faltava apenas decidir quanto seria pago.

A sindicância responsável por apurar a eventual participação de servidores no desvio e a comissão de desembargadores encarregados da mesma tarefa em relação aos juízes ainda não concluíram seus trabalhos.

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FRAUDADORA ESTÁ LIVRE, LEVE E SOLTA

Solta por um habeas corpus no início do mês, Márcia foi quinta-feira à Polícia Federal para levar uma lista de bens que podem ser usados no ressarcimento do desvio. Sem aparentar nervosismo, ela defendeu seus parentes que foram acusados pelo Ministério Público Federal.

Além dela, foram denunciados o marido José Aílton da Conceição; a mãe de Márcia, Maria Pereira Braga da Silva; e o irmão Maurício Pereira da Silva.
“Estou arrependida. Vou devolver o que tiver que devolver. Mas quero deixar claro que a minha família não sabia de nada”, afirmou. Márcia, como se isso fosse possível.

Modesta funcionária, ficou rica de repente, tinha vários carros de luxo, mansão, chácara, uma empresa de terraplenagem com máquinas e caminhão, e a família não sabia de nada…

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