Frederic Chapin, cônsul dos EUA, tentou evitar as torturas e matanças no Brasil

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Chapin era um diplomata de verdade

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Poucas coisas seriam tão nocivas ao país quanto uma noção segundo a qual entre 1969 e 1977, quando tomou posse o presidente democrata Jimmy Carter, o governo americano moveu-se para conter a ditadura brasileira.

Em 1971, recebendo o presidente Médici na Casa Branca, Richard Nixon disse que “para onde for o Brasil, também irá o resto do continente latino-americano”. Bingo. Dois anos depois ditaduras militares assumiram o poder no Uruguai e no Chile. Em 1976, caiu a Argentina.

NO CONSULADO –  Entre 1970 e 1973, a embaixada americana era comandada por William Rountree, mais tarde mostrado pelo ex-secretário de Defesa Frank Carlucci como um “adocicador da ditadura”. O consulado americano em São Paulo teve mesa no DOI até 1970.

O jogo virou em São Paulo com a chegada em 1972 do cônsul Frederic Chapin. Era um presbiteriano e ligou-se com cardeal Paulo Evaristo Arns. Ficou cinco anos no posto e mandou pelo menos 61 mensagens a Washington narrando e denunciando torturas, assassinatos e prisões, bem como ações da censura. Morreu em 1989, aos 60 anos.

LIÇÕES DA CIA – Gina Haspel, futura diretora da Central Intelligence Agency, aguentou duas horas e meia de sabatina na Comissão de Inteligência do Senado americano. Defendeu a tortura passada e condenou o seu retorno. O depoimento da senhora está no YouTube e é uma amostra de competência, inclusive na arte de administrar silêncios.

A senhora deu duas informações triviais: Com 33 anos de serviço, parte dos quais como agente em operações clandestinas, Haspel não tem contas em redes sociais.

Durante o depoimento ela tomava discretos goles de um refrigerante, bebendo na lata. Nada a ver com o copo d’água teatral de Gilmar Mendes.

5 thoughts on “Frederic Chapin, cônsul dos EUA, tentou evitar as torturas e matanças no Brasil

  1. Ate a virtude precisa de limites. A política, não o aparelho de justiça, é a alma do estado de direito. Entrevista especial com o procurador Celso Tres

    O procurador Celso Tres, que trabalhou no caso Banestado, reconhece a relevância da Lava-jato, mas avalia que a operação “pecou” em três dimensões: “falta de ponderação econômico-social, política e atropelo ao devido processo legal”.

    No aspecto político, a Lava Jato não se restringiu a imputar delitos às pessoas, mas derrubou governo e instituições da política. O impeachment de Dilma capitaneado por [Eduardo] Cunha estava controlado, dormitava, bastando consultar a opinião dos analistas políticos de então, quando a criminosa — obtida sem outorga judicial e publicada contra o sigilo legal — divulgação da interlocução entre Dilma e Lula irrompeu o vulcão que levou de roldão o governo até sua decapitação sob a inexplicável justificativa de pedalada fiscal, tão insólita quanto a própria Janaína Paschoal. Pior. Há muito, presentes provas da corrupção de Temer, então vice e sem imunidade, a exemplo do momentoso caso do porto de Santos, sem que o procurador-geral da República [Rodrigo] Janot tomasse qualquer medida sequer para iniciar apuração.

    É inegável que a Lava Jato decolou no vácuo da sanha em destronar o PT. O atropelo do TRF/4ª, precipitando seu julgamento e obstando sua candidatura, é categórico. Ações cíveis indenizatórias contra os partidos, cuja procedência leva sua extinção é outro exemplo da criminalização da política. Na Itália, Mãos Limpas, em apenas dois anos (1992/94), condenou cerca de 1,8 mil pessoas, extinguiu partidos tradicionais e o resultado foi Berlusconi, ícone da corrupção, nesta eleição de 2018 ainda hegemônico no país da bota. Agora, a Lava Jato faz campanha para ninguém do Congresso ser reeleito. Pretende combater delitos ou usurpar a soberania do povo em escolher governo?

    Delação Premiada

    A delação data de 1990, Lei nº 8.072/90. Em 2012, ela teve uma disciplina mais detalhada. Combate-se a máfia pactuando leniência com Al Capone? Delação deve ser pontual e dos intermediários para chegar aos criminosos principais. Sendo efeito dominó, produz impunidade dos protagonistas da criminalidade, a exemplo de Marcelo Odebrecht

    Exemplo americano do escândalo da Fifa. O brasileiro J. Hawilla (Traffic), por dois anos, em segredo, sem vazamentos, colaborou e arrecadou provas. Eficiência total. Nossa lei diz que a delação deve ser mantida em segredo até apresentação da denúncia pelo Ministério Público. Ela protege tanto a necessária produção de prova que corrobore os fatos delatados, quanto a chance de defesa do delatado, então indefeso.

    No início de 2017 tivemos o vídeo show de delações da Odebrecht. Cardume de delatores, foram 78 exibindo-se em big brother da criminalidade, mencionados 415 pretensos delinquentes. Como eu então previ (entrevistas à Folha, 17.03.17, e Estadão, 07.05.17), não haveria provas para sustentar acusações. Resultado até agora é um número pífio de denúncias recebidas, sendo a grande maioria arquivadas pelo próprio Ministério Público, valendo lembrar o episódio do Partido Popular do RS, todos os parlamentares mencionados, sendo que apenas um teve denúncia acatada.

    https://goo.gl/wqv8kd

    • Acho que você é uma pessoa com grave distúrbio mental…a mesma lenga-lenga, vá para Curitiba, fique no acampamento dando bom dia para cavalo, gritando Lula pingaiada livre…

  2. Dos sobreviventes de movimentos guerrilheiros, nos anos 70, com quem já confabulei, o mais lúcido, aberto e inteligente é Alex Polari.
    Ouvi alguns relatos do meu genitor e doutros colegas de farda dele, todavia, foram informes dispersos e fragmentados. O que é explicavel: para quem opera na vanguarda, as notícias chegadas, vem em forma de frases de efeito, com o objetivo de encorajar a tropa. Há muitos placebos para alavancar o ânimo dos combatentes, e até subestimar a letalidade do inimigo.
    Fiz uma viagem ao Acre, chegando ao vilarejo Mapiá, avistei um centro místico. Na sua frontaria havia um retrato amarelado de um negão maranhense de 2,10m de altura, Mestre Irineu, o fundador da seita enteogênica, Santo Daime. Trata-se de um ritual praticado pelos povos da floresta. Durante a cerimônia, os seguidores ingerem uma infusão à base de um vegetal alucinógeno, de nome ayahuasca ou yapé. Após aquele culto sincretista a “turma da beberagem” continua em transe. Ele me perguntou se eu havia comido carne ou feijão, nos últimos três dias. Fui logo me antecipando à previsível oferta dele: “Não sou carnívoro e abomino quaisquer vícios, exceto uma fezinha nas loterias”.
    Então indaguei a ele, se conhecia a história do Acre, quando o gaúcho, Pálcido de Castro, retomou o Acre da Bolívia e o integrou ao território nacional. Disse sim! Aproveitei a deixa e dei uma puxada pra minha sardinha: “Essa faixa de terra reconquistada por Plácido de Castro, é desprezível, se comparada à extensão retomada, do Tratado Tordesilhas, pelo capitão Pedro Teixeira, subindo o Rio Gurupi, com sua caravana formada por expedicionários maranhenses, composta de 11 canoas”.
    Daí apontou para uma estátua de Mestre Irineu, dizendo: esse era seu conterrâneo! Sim, conheço a cidadezinha onde ele nasceu. Respondi.
    Em seguida, ele passou a me contar da sua vida pobre na Paraiba, do levante camponês em Sapé, naquele estado. Da militância na VPR, dos vinte anos no cárcere com muita tortura. Prisão e morte de um jovem de 26 anos do MR-8, lá Rio de Janeiro, cuja mãe se chamava Zuzu. E por aí seguiu nossa conversa a fio……..

  3. Que saco! O Brasil precisa se preocupar com a solução dos problemas atuais. O que aconteceu em 64 em diante até a posse do Sarney é passado. Nosso foco deve ser a solução dos problemas presentes (fome, educação, saúde, segurança). Os problemas políticos do passado pertencem ao passado. Não precisamos da história de ontem se hoje nos falta até o pão.

  4. Élio Gaspari, da foice de sp, aquele antro de sapata, viado, maconheiros e comunas fracassados?Puro ranço ideológico, foram derrotados na época e agora, com o encarceramento do greve de fome, comedor de cabritas e balas Juquinha, continuem tentando com Gramsci e a pedagogia do oprimido, porém um aviso:vem aí o ESP, milhares de denúncias contra os criminosos pseudo doutrinadores!

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