Fusão de DEM e PSL criará um partido forte, com a maior bancada da Câmara

Fusão DEM e PSL

Uma das propostas é dar o nome de BEM ao novo partido

José Carlos Werneck

A Executiva Nacional do DEM se reuniu na noite desta terça-feira e deu início às conversações para a fusão com o PSL. O início das discussões para se unir ao partido teve 40 votos favoráveis e nenhum contrário. Participaram do encontro líderes nacionais do DEM, como Antônio Carlos Magalhães Neto, presidente do partido, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

O objetivo de dirigentes dos dois partidos é oficializar a fusão até o próximo mês de outubro. Depois da reunião da Executiva, o DEM vai reunir em um encontro do Diretório Nacional, que tem o maior número de integrantes, para votar internamente se vai concretizar o projeto de união com o PSL. Dentro do PSL igualmente foram marcadas reuniões para debater o assunto, embora, para a cúpula do partido, a fusão já esteja praticamente decidida.

DISSE MANDETTA – “Depois que vota isso, só tem parte burocrática mesmo. A ideia é ver se a gente consegue concluir isso agora em outubro”, afirmou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, pré-candidato a presidente da República pelo DEM.

Políticos que trabalham na fusão avaliam que a oficialização pelo Tribunal Superior Eleitoral vai acontecer até fevereiro de 2022. Se a fusão DEM/PFL vier a ser concretizada, o novo partido terá a maior bancada da Câmara, com 81 deputados. No Senado contará com sete senadores e nos Estados, três governadores, além de vir a ter o maior tempo de rádio e televisão na campanha de 2022 e os maiores fundos eleitoral e partidário.

A presidência do partido deve ficar com Luciano Bivar, atual presidente do PSL, e a secretaria-geral com ACM Neto, presidente do DEM.

HÁ DISCORDÂNCIAS – A união é vantajosa para o DEM devido ao aumento do fundo partidário e eleitoral. Para o PSL, os maiores atrativos são a capilaridade regional e estrutura que 0 DEM possui.

Para vir a ser confirmada a fusão, é preciso aplainar conflitos regionais, pois estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco ainda não têm consenso sobre qual grupo político vai exercer o comando nessas unidades da Federação.

“Não se faz uma fusão sem que vários pontos sejam levantados. Algumas são resistências regionais por conta de sobreposição de projetos. O PSL estava pensando em um projeto com A e o DEM naquele estado estava pensando com B”, lembrou o ex-ministro Mandetta.

Ele também ressaltou que é preciso definir a governança do novo partido, lembrando que isso vai ter de ser conversado. Segundo ele, detalhes como nome e o número da legenda vão ser as últimas coisas a serem definidas. Para ajudar na decisão desses pormenores, os articuladores da fusão contrataram uma pesquisa, que começou nesta segunda-feira.

BOA VONTADE – “Tem, em um primeiro momento, uma boa vontade. Agora tem que ver como é a governança do novo partido, como delibera. O DEM é um partido muito de colegiado, o PSL é muito concentrado”, afirmou o ex-ministro Mandetta.

Também Eduardo Mendonça Filho, integrante do DEM e ex-ministro da Educação, afirmou que o aval dado pela Executiva Nacional representa o início do processo e que a fusão ainda vai passar por conversações.

De acordo com esses políticos a par da união dos dois partidos, o líder da bancada na Câmara Federal deverá ser o deputado Elmar Nascimento, do DEM da Bahia, que é o principal nome das articulações para definir a fusão nos estados e é um aliado próximo a ACM Neto.

BUSCAR ADESÕES – O novo partido quer contar com políticos insatisfeitos com as suas legendas e antecipar os efeitos das trocas partidárias, quando os eleitos para cargos em pleitos proporcionais como deputados federais, estaduais e vereadores podem sair de suas siglas sem correr o risco de perderem o mandato. Isto está previsto para março do próximo ano, já que as regras eleitorais vigentes prevêem que um deputado pode trocar de partido sem perder o mandato se a nova legenda escolhida for resultado de uma fusão.

Antes mesmo da oficialização da nova legenda, o deputado Celso Sabino saiu do PSDB e anunciou na semana passada que vai para o PSL. Ele entrou em conflito com o comando tucano por conta da proximidade dele com o Centrão, que é base do governo de Jair Bolsonaro. O PSDB anunciou no início de setembro que é oposição ao Governo.

Também insatisfeito com seu partido devido à proximidade com o Governo, o senador Márcio Bittar (MDB-AC) disse a aliados que vai sair do MDB para se filiar ao novo partido resultante da fusão do DEM com o PSL.

OUTRAS FILIAÇÕES – Os organizadores da fusão também esperam a filiação dos deputados Felipe Rigoni (PSB-ES), Pedro Lucas Fernandes (PTB-MA), Clarissa Garotinho (Pros-RJ), Daniela do Waguinho (MDB-RJ) e Capitão Wagner (Pros-CE), todos em conflito com suas respectivas legendas.

É muito aguardada a desfiliação dos deputados ligados ideologicamente ao presidente Jair Bolsonaro. O grupo bolsonarista do PSL tem sido deixado de fora das conversas sobre a fusão.

“Eles não têm o que aceitar ou não aceitar. Eles seguem o projeto do presidente da República. Não tem  poder de decisão no partido”, afirmou o deputado por São Paulo, Júnior Bozzella, segundo vice-presidente nacional do PSL. Para o parlamentar, 25 deputados bolsonaristas devem deixar o partido quando Bolsonaro definir por qual sigla vai disputar à reeleição.

JACARÉ E COBRA D’ÁGUA – Henrique Mandetta reprova, enfaticamente, o grupo bolsonarista do PSL. “Não dá. É jacaré com cobra d’água”, criticou o ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, que rompeu com o presidente ao sair do cargo.

A ideia é que o partido não apoie a reeleição de Bolsonaro. Procurando ter noção do tamanho do grupo adversário, o Palácio do Planalto acompanha atentamente as movimentações para a fusão. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, tem se informado com o vice-presidente do PSL, Antonio Rueda, sobre o andamento do processo.

Além de Mandetta, o novo partido trabalha com as candidaturas ao Planalto de José Luiz Datena, filiado ao PSL, e com a do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que vem sendo sondado para se filiar ao PSD, mas o comando do DEM tem usado a fusão e o tamanho do novo partido, como argumentos para tentar impedir que isso se concretize.

PACHECO NA ESPERA – O presidente do Senado participou nesta terça de uma solenidade no Congresso em comemoração aos dez anos do PSD. Indagado se poderia se filiar ao partido presidido por Gilberto Kassab, ele evitou responder e disse que prefere acompanhar o desfecho da fusão entre DEM e PSL antes de tomar uma decisão.

“Estamos avaliando. O DEM é o partido que eu gosto de estar, tenho grande respeito pela legenda. Estamos discutindo todas essas questões. Tem essa possibilidade de fusão. Então vamos dar tempo ao tempo”.

5 thoughts on “Fusão de DEM e PSL criará um partido forte, com a maior bancada da Câmara

    • Sr. Armando,
      É de chorar aos prantos de ver tanta maldade…

      Se esse DEMONÍACO se reeleger, viveremos um verdadeiro Holocausto em pleno século 21.
      Seremos o país da loucura total!

      MISERICÓRDIA!

      Nem sei mais o que escrever…

      Um forte abraço.

      P.S. Jamais votei no lula, mas se no segundo turno forem eles dois, cravo meu voto no maior ladrão do Planeta!
      Juro que faço isso!
      Quero ver a famílicia toda atrás das grades!

      • Sr. Espectro

        Vivemos tragédias todos os dias neste Páis tão desigual.

        Entre os dois, nem saio de casa, não vou perder meu sagrado voto .
        Prefiro ficar curtindo minhas músicas preferidas, filmes, séries, animes.

        Abraços..

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