“Gabinete do ódio” está por trás das divergências entre os filhos de Bolsonaro

Carlos e Flávio Bolsonaro

Carlos e Flávio não falam a mesma língua politicamente

Vera Rosa e Tânia Monteiro
Estadão

O Palácio do Planalto abriga um núcleo de assessores que tem forte influência sobre o presidente Jair Bolsonaro e é conhecido como “gabinete do ódio”. Defensores da pauta de costumes, eles produzem relatórios diários, com suas intepretações sobre fatos do Brasil e do mundo e são responsáveis pelas redes sociais da Presidência da República. Essa ala ideológica faz a cabeça de Bolsonaro e o incentiva a adotar um estilo beligerante, além de ofuscar a nova coordenação política, comandada pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Com a senha das redes do pai, o vereador licenciado Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o “Zero Dois” do presidente, dá ordens para os assessores Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. Os três são da confiança do vereador e também do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – o filho “Zero Três”, que Bolsonaro quer emplacar na Embaixada nos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro (PSL- RJ), primogênito “Zero Um”, tem horror ao trio.

TERCEIRO ANDAR – Filipe Martins, o assessor para Assuntos Internacionais de Bolsonaro, também faz parte desse grupo. Tércio, José Matheus, Diniz e Filipe despacham no terceiro andar do Planalto, ao lado do presidente. Outro integrante do núcleo é Célio Faria Júnior, que Bolsonaro trouxe da Marinha e hoje é chefe da Assessoria Especial da Presidência.

Com carta branca para entrar no Planalto, o assessor parlamentar Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Índio, primo dos filhos de Bolsonaro, virou uma espécie de “espião voluntário” do governo. Léo Índio já produziu dossiês informais de “infiltrados e comunistas” nas estruturas federais, como revelou o Estado. O então ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comprou briga com Carlos e com ele. Foi demitido.

INCONTROLÁVEIS – Quando Flávio Bolsonaro saiu de férias e viajou para a Bahia, em meados de julho, auxiliares do presidente no Planalto ficaram preocupados. A portas fechadas, no segundo andar daquele prédio erguido com colunas “leves como penas pousando no chão”, como gostava de comparar o arquiteto Oscar Niemeyer, um assessor chegou a dizer que, sem Flávio em Brasília, o “gabinete do ódio” ficaria incontrolável.

O comentário reflete a tensão que tomou conta do Planalto. Nos bastidores, essa “repartição” é vista como responsável pelo afastamento cada vez maior entre Flávio e Carlos, também apelidado de “Carluxo”.

Considerado o “pit bull” da família, Carlos cria estratégias para as mídias digitais do pai e sempre defendeu a tática do confronto para administrar, em oposição a Flávio, dono de estilo conciliador.

CARLOS COMANDA – Na prática, mesmo quando não está em Brasília, o vereador comanda o núcleo ideológico, emite opiniões polêmicas, chama a imprensa de “lixo” e lança provocações contra aliados do pai, como o vice-presidente Hamilton Mourão, tido por essa ala como “traidor”.

A equipe do “gabinete do ódio” não aceita interferências dos profissionais da Secretaria de Comunicação. Segue ordens de Carlos, que atua sob a inspiração do escritor Olavo de Carvalho, e várias vezes já convenceu Bolsonaro a adotar posição mais dura, como no fim de julho, quando ele desistiu de receber o chanceler da França, Jean-Yves Le Drian, em julho, e depois apareceu em uma “live” cortando o cabelo, em um estilo “gente como a gente”.

Flávio, vira e mexe, pede para o pai baixar o tom. Às vezes é ouvido, fato que provoca a ira do “Zero Dois”. Mesmo investigado no caso de Fabrício Queiroz – o ex-assessor suspeito de comandar um esquema de “rachadinha” para usurpar salários de servidores, na Assembleia do Rio –, o senador tem atuado como articulador nas relações do Planalto com o Congresso, ao lado do general Ramos.

COM O IRMÃO – Em jantares com senadores, Flávio leva o irmão Eduardo a tiracolo, diz que o conhecimento do caçula sobre os EUA vai muito além do hambúrguer e tenta apaziguar atritos provocados por Carlos nas redes sociais.

“Esse núcleo ideológico atrapalha muito nossa vida aqui no Congresso”, disse o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP). “Desse jeito, o PSL vai acabar sofrendo uma derrota atrás da outra.”

Nos últimos dias, um tuíte de Carlos azedou o clima na Câmara, no Senado e no Supremo Tribunal Federal (STF). O vereador escreveu que “por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá no ritmo que almejamos”. Bolsonaro apoiou o filho. Flávio ficou em silêncio. O primogênito disse a um amigo que, se fizesse algum comentário, exporia uma crise.

MICHELLE – Além do senador, a primeira-dama Michelle também consegue fazer o marido amenizar os tuítes, de vez em quando.

Foi ela, por exemplo, quem pediu para o presidente apagar comentário feito por ele em um post de internauta dizendo que a mulher do presidente da França, Emmanuel Macron, era feia. Michelle considerou a mensagem machista e deselegante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O governo de Bolsonaro realmente é algo de novo em Brasília. Jamais se viu nada igual. Uma esculhambação em família, que não consegue se entender entre si, alimenta teorias conspiratórias e está sendo assessorada por uma cambada de amadores. É lamentável. (C.N.)

33 thoughts on ““Gabinete do ódio” está por trás das divergências entre os filhos de Bolsonaro

  1. Um serviço de utilidade pública de valor inestimável que a Tribuna da Internet poderia patrocinar seria o de informar o cardápio presidencial diário, a marca do papel higiênico utilizado pelo vice-presidente..isso sim um serviço inestimável.

  2. Vocês querem que eu mate quem agora?
    Vou sugerir que o editor escolha novo Judas de Quaresma para que possamos malhar, FHC está de bom tamanho, sua vida será escaneada até Caim, passando por um ancestral que gostaria de executar nossa Família Real a moda dos que executaram a Família Imperial Russa.
    Acho que o Intelectual Barroco (Millor) merece os bons ofícios dos escribas daqui.

  3. Uma narrativa fictícia no que tange a seus personagens. Onde todos se encontram no mundo do faz de conta. Cada história tem sua ética ou moral a ser refletida e utilizada, com situações e/ou personagens não reais.

    Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau é um conto-da-carochinha.

  4. A esquerda sempre tenta transferir aquilo que é da sua gene, e a história está aí para não nos deixar mentir, tudo aquilo que ela pratica como esse tal ódio, que agora virou o tempero principal das fofocas com seus adversários, que diga-se de passagem, para ela são inimigos.
    Quem não sabe que, quando tomaram o poder na Rússia, do assassinato a sangue frio das crianças filhas do Czar e posteriormente dos milhões de cidadãos que ela também assassinou e pasme, ainda continua o fazendo, em nome da farsa da salvação da humanidade da sua nefasta e hedionda ideologia?

    É aquela velha tática de acusar os outros daquilo que sempre praticaram.

  5. Jornal “CONGRESSO EM FOCO” – 21 de setembro de 2019

    A família ou o Brasil: a escolha de Bolsonaro
    Por Congresso Em Foco Em 21 set, 2019 – 8:05

    Corrupção

    Carlos é chamado de “pitbull” por Bolsonaro e tem sido porta-voz do pai nas redes sociais : Jair Bolsonaro/Instagram

    Alessandro Vieira*

    “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. É com essa frase de Mateus 6:24 que provoco nosso presidente a refletir sobre as escolhas que deve fazer para o país. Escolhas tão difíceis e solitárias quanto inevitáveis.

    Entretanto, enquanto nosso presidente toma sua decisão, é preciso que o país tenha clareza sobre o que ele está escolhendo: interesses de sua família ou do Brasil.

    Deve ser difícil, para qualquer pai, escolher entre seus filhos e o compromisso assumido com 57 milhões de eleitores de combate incessante à corrupção. Mas é também impossível para qualquer cidadão fazer concessões morais em um momento tão decisivo de reconstrução da confiança dos brasileiros.

    Bolsonaro escolhe a família quando insiste em nomear seu filho Eduardo como embaixador em Washington para, nas suas palavras, garantir a ele o “filé mignon”. Se não fosse suficiente a evidente falta de experiência e qualificação, a indicação consiste claramente em ato de nepotismo. Para sanar qualquer dúvida quanto a isso, fiz questão de requisitar parecer sobre o caso à consultoria do Senado Federal, que concluiu que a nomeação representaria um flagrante nepotismo, alertando inclusive para o possível cometimento de crime de responsabilidade, caso a indicação seja levada adiante.

    Bolsonaro escolheu seu filho Carlos no lugar dos interesses nacionais quando aceitou que ofensas pessoais atingissem quadros militares de altíssima qualidade, colocando em risco a estabilidade de um governo que precisa resgatar do desemprego 14 milhões de brasileiros.

    Mas o mais assustador é ver Bolsonaro escolhendo a sua família acima do seu principal compromisso de campanha: o combate à corrupção. Bolsonaro escolhe a família quando permite o desmonte institucional e interfere indevidamente nos órgãos de combate a corrupção. Foram essas instituições que permitiram a existência da Lava-Jato e de uma série de outras investigações que mudaram o Brasil. Ele parece escolher a proteção ao filho Flávio e outros familiares na apuração de supostos desvios do chamado caso Queiroz, estendendo essa proteção a milhares de investigados pelo Brasil afora.

    O combate à corrupção não foi apenas minha bandeira de campanha. É minha história de vida. Por isso, entre minhas primeiras ações no Congresso Nacional esteve proposta de uma CPI das Cortes Superiores, a Lava Toga, e o apoio a pedidos de impeachment de ministros do STF. São notórios os problemas na cúpula do Judiciário.

    Não é razoável uma indicação do Procurador-Geral da República que ignore a lista tríplice do Ministério Público Federal pelo pior motivo, que é a busca por um PGR que “não cause problemas para o governo”. É uma afronta direta ao eleitorado a destruição do COAF, a fragilização da autonomia da PF e a limitação das ações da Receita Federal.

    A crise ética que esfacela a nação não se limita às malas de dinheiro sujo de um Geddel ou à prisão de líderes políticos. Ela está na censura à imprensa e às manifestações culturais, na interrupção das ações de fiscalização, controle e prevenção de incêndios e o desmonte das estruturas básicas de proteção ambiental nos estados.

    Ela está na absoluta ausência de projetos para a reconstrução da Educação e geração de empregos e renda. Está também na inversão de valores, quando bandidos são vítimas e seus investigadores, os criminosos. E no tsunami de fake news, financiadas não se sabe como, que agravam deliberadamente o improdutivo mecanismo de polarização. Está, ainda, no processo de isolamento e desmoralização da maior referência do combate à corrupção, o hoje ministro Sérgio Moro.

    No segundo turno, eu e milhões de brasileiros escolhemos votar na promessa de combate à corrupção, escolhemos votar na mudança. Não escolhemos votar no retrocesso e muito menos em um pacto entre poderosos, amarrado por seus interesses pessoais. O pacto firmado entre eleitores e eleitos foi de renovação, de fim de privilégios; foi de resgate moral.

    Cobrar o cumprimento dos compromissos com o povo é urgente, bem como é inadiável chamar pelo nome a quebra destes compromissos: é traição.

    *Alessandro Vieira é Senador da República (Cidadania/SE), foi Delegado Geral da Polícia Civil e é membro do Movimento Acredito.

    https://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/a-familia-ou-o-brasil-a-escolha-de-bolsonaro/

    • Luiz Fernando

      Os quadrúdepes já sabem:nunca mais podem ouvir Beatles, afinal, com letras escritas por Theodor Adorno, eles fazem parte de uma grande conspiração globalixta/cumunixta par destruir os valores da civilização judaico cristã!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

      “Aiiinnnnn, os Beatles são cumunixtas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

  6. O ódio, como qualquer outra manifestação do tipo, faz parte de todos nós.

    Ele pode ser produto de uma reação natural o que é normal, quanto artificial, criado pela mente humana, como praticado descaradamente pelos crentes de ideologias ou religiões políticas como no socialismo e no islamismo radical, na suas sanhas pelo poder político totalitário contra aqueles que não compartilham desses credos.

    Esse ódio sistemático chega a atravessar as fronteiras do hediondo, pois é plenamente justificado na moral estabelecida por esses credos políticos.

  7. Não é ódio, é luta pela vida e pela liberdade.

    Pessoas normais não tem ideologia.

    Religião não é ideologia.

    Família não é ideologia.

    Capitalismo não é ideologia.

    Conservadorismo não é ideologia.

    Ideologia é o Marxismo.

    E é contra esta merda de ideologia que devemos lutar.

    Tudo no Marxismo é fraude, desde o seu maldito fundador, até canalhas como Sartre, que o veneravam.

    E quem não luta contra o Marxismo, está colaborando com os comunistas.

  8. Prezado dr.Ednei,

    Freud é considerado um dos homens mais importantes da história da humanidade, mas o senhor sabe disso melhor que nós todos, comentaristas desse blog incomparável.

    No entanto, o notável analista que perscrutou a mente humana, seus conflitos, contradições, suas deturpações, ódios, receios, temores … talvez não tenha estudado os porquês de existir a repulsa, o ódio, daquilo que se ouviu falar!

    A pessoa que critica veementemente um autor que mudou as relações entre patrão e empregado, que estabeleceu as grandes verdades com relação à forma como o ser humano era tratado pelos seus empregadores, que mostrou a realidade absoluta das condições de trabalho explorador que as pessoas eram submetidas, e tanto tem sido odiado MESMO POR AQUELES QUE JAMAIS LERAM UMA LINHA DE SOBRE KARL MARX, Freud, o notável descobridor dos recantos e labirintos da mente, certamente não estudou esse tipo de ódio gratuito, advindo de comentários igualmente tolos porque sem base alguma, sem conhecimento nenhum, seguindo apenas e tão somente a mesma trilha dos imbecis e idiotas!

    Ideologia, religião, socialismo, comunismo, ateísmo, politeísmo … são filosofias, que as pessoas professam quando se identificam com tais movimentos ou porque foram levadas a segui-las por tradição familiar ou grupos de amigos.

    A filosofia de Marx jamais foi ideológica, pois específica quanto à exploração do trabalhador e suas condições sub-humanas à época.
    Marx eviscerou a relação do trabalho com o lucro, onde o prejudicado e lesado era justamente o autor da riqueza do seu empregador.

    Logo, Marx ser odiado porque defendeu o explorado operário, que ocasionou melhorias sensíveis à condição de trabalho oferecidas à época, trata-se de uma reação incompatível à essência do marxismo como filosofia, menos ideologia, que submete seus fiéis a doutrinas até mesmo de direitos individuais e coletivos cerceados, pois comunismo e socialismo confirmam o que digo.

    A filosofia de Marx foi deturpada por interesses e conveniências de falsos líderes, falsos revolucionários, falsos defensores do povo, que instituíram falsos governos, adulterando sobremaneira a mensagem que Marx deixou para os trabalhadores e empregadores.

    Vou mais além:
    Nada difere um regime ditatorial de esquerda, de um regime de direita, supostamente democrático!
    Se, no primeiro, as liberdades são limitadas, no segundo, a maioria do povo de qualquer nação quando sem dinheiro ou sem estudos, é condenada à miséria e à pobreza, ao analfabetismo e alienação.

    Portanto, discordo veementemente do comentário de Antônio Henrique, acima, quando conclui afirmando:
    “Tudo no Marxismo é fraude, desde o seu maldito fundador, até canalhas como Sartre, que o veneravam.
    E quem não luta contra o Marxismo, está colaborando com os comunistas.”

    Eu perguntaria ao comentarista em tela, se existe ou que ele conheça ou que tenha ouvido falar, de outro FILÓSOFO que tenha se preocupado mais com o trabalhador que Karl Marx?!

    Eu gostaria muito de saber, se o Antônio se dignar a me responder, claro.

  9. REFLEXÕES SOBRE IDEOLOGIA OU O QUE É IDEOLOGIA ?

    EDNEI JOSÉ DUTRA DE FREITAS

    Ideologia

    Ideologia e prática

    A produção da ideologia não pode ser dissociada da produção de práticas sociais. Na verdade, a produção da ideologia não está somente enraizada em práticas sociais, mas ela mesma constitui uma prática social. Sem sua relevância tangível para as múltiplas maneiras pelas quais os atores humanos estabelecem relações simbolicamente mediadas com o mundo, a ideologia não teria a centralidade sócio-ontológica que adquiriu na regulação normativa das formas de vida civilizacionais. Dada a sua importância praxeológica no que diz respeito ao desenvolvimento da existência social, um discurso ideológico é somente de modo secundário considerado a expressão da convicção daqueles que o sustentam, sendo que sua função primária é a de orientar uma ação ou um conjunto de ações.

    A preponderância das dimensões práticas da ideologia, em lugar das teóricas, em situações reais de vida anda de mãos dadas com a predominância sócio-ontológica do conhecimento intuitivo e tomado como certo, em lugar do conhecimento reflexivo e discursivo, na construção da vida cotidiana. Na medida em que a ideologia permeia as práticas cotidianas das pessoas, ela se converte em uma força material capaz de estruturar as ações e interações incorporadas.

    Ideologia e coesão

    As ideologias, na medida em que são produzidas e reproduzidas por grupos sociais específicos, possuem uma grande função vinculativa e integrativa, a qual depende de sua capacidade de criar um senso de coesão sustentado coletivamente.

    Quadros ideológicos compartilhados tornam possível manter a coesão daqueles que os performam, reforçando, por meio da reafirmação ritual, a crença do grupo na necessidade e na legitimidade de sua ação.

    Os discursos ideológicos fornecem pontos de referência simbólicos que assumem o papel de marcadores culturais de identidade, os quais tanto conduzem a como são determinados por processos sociais de formação de grupos.

    No caso de discursos hegemônicos, sua função primária é expressar e produzir a integração lógica e moral da classe dominante e no caso de discursos contra-hegemônicos, seu principal papel é transmitir e garantir a integração social e normativa dos grupos dominados, que, a longo prazo, têm interesse em superar sua posição, já que ela é sustentada por mecanismos de inferiorização – impostos de modo exógeno e reproduzidos de modo endógeno.

    Um discurso ideológico eficiente compreende um conjunto de valores, princípios e pressupostos a partir dos quais seus aderentes são capazes de desenvolver um senso de solidariedade – ainda que, na maioria dos casos, sem uma base completamente homogênea, redutível à força de vontade de um ator coletivo definido monoliticamente.

    A presença de esquemas de percepção, apreciação e ação ideologicamente mediados é uma precondição para a emergência de processos viáveis de integração social fundados em experiências coletivamente compartilhadas de coesão real ou imaginada.

    Ideologia e diversidade

    A heterogeneidade relativa das sociedades diferenciadas em campos se manifesta na diversidade das ideologias que moldam suas histórias. Longe de refletir a coerência perfeita e inteiramente planejada de um ‘aparelho ideológico de Estado , ou de um mundo da vida imaculado caracterizado pela homogeneidade social e pela consistência comportamental, conjuntos de valores e princípios discursivamente mediados são não somente maleáveis e revisáveis, mas também carregados de tensões e, em alguma medida, contraditórios.

    Na verdade, a viabilidade a longo prazo de uma ideologia dada é inconcebível sem um grau significativo de elasticidade e adaptabilidade, já que ela deve sua eficácia simbólica (de desconhecimento) ao fato de que ela não exclui nem divergências, nem discordâncias em suas tentativas de afirmar sua validade epistêmica e sua legitimidade social.

    Os efeitos combinados da orquestração espontânea e da composição metódica implicam que as opiniões políticas podem variar infinitamente de uma fração para outra, e mesmo de um indivíduo para outro. Para o desenvolvimento simbolicamente mediado da sociedade, a competição entre ideologias diferentes é tão importante quanto as lutas discursivas que têm lugar no interior das zonas de construção intersubjetivas dessas ideologias.

    De fato, o ponto de honra liberal depende dessa diversidade no interior da unidade, sem a qual não haveria uma história diversificada da civilização. A interação frutífera entre espontaneidade e improvisação, de um lado, e rigidez e regulação, de outro, é essencial para a possibilidade de fertilização cruzada das ideologias rivais, assim como de correntes intelectuais concorrentes dentro dos horizontes discursivos dos quais elas emergem. Mesmo a sociedade com mais perspectivas, homogêneas não podem eliminar a influência, e muito menos a existência, da diversidade específica aos grupos.

    Ideologia e Posicionalidade

    Toda ideologia é impregnada com o poder estruturante da posicionalidade social. Os esforços persistentes feitos por atores dominantes individuais ou coletivos para desviar a atenção de sua situacionalidade definida relacionalmente só reforça a significação existencial das posições organizadas assimetricamente que tais atores ocupam no espaço social.

    Lugares ostensivamente “neutros” são laboratórios ideológicos nos quais, com base em um trabalho coletivo, a filosofia social dominante é gerada por diferentes frações da classe dominante. As ideologias dominantes são produzidas por e para aqueles em posições dominantes. As ideologias que visam desafiar conjuntos de valores e princípios hegemônicos, ao contrário, tendem a ser produzidas por e para aqueles nas posições de dominados, ou seja, por e para aqueles cujas práticas são severamente restringidas por variáveis da interação relativamente – ou quase completamente – desempoderadas ou desempoderantes.

    Ideologia e intersubjetividade

    As ideologias emergem da experiência de intersubjetividade dos seus defensores, não importa quão abstratas ou aparentemente deslocadas das restrições estruturais da realidade elas sejam. Longe de ser redutível a um mecanismo monológico, a produção de quadros de referência ideológicos emana de um processo dialógico, no qual o engajamento comunicativo com perspectivas divergentes é vital para a formação da opinião e da vontade de diferentes membros e frações de um grupo social ou de uma classe particular.

    De fato, uma das funções dos lugares neutros é a de favorecer o que é comumente chamado ‘troca de pontos de vista’, isto é, a informação recíproca sobre a visão que os agentes desenvolvem em relação ao futuro , adicionada) ao se engajarem na construção de relações significativas baseadas na experiência cotidiana da intersubjetividade

  10. Antropologia biológica:
    Animais como os outros o Homem vivia a verdade: a interação do corpo com a realidade presente.

    Antropologia cultural:
    Com o advento da mente nos humanos sua primeira mentira: o IDEAL e sua sistematização nas religiões ou ideologias: o inferno da ideias, as guerras, os genocídios, o ódio, etc,etc,etc.

    Uma árvore não é somente seus frutos, que dizem alguma coisa , mas não tudo. É preciso conhecê-la na sua totalidade desde sua semente.

  11. O Caro C.N. foi muito modesto ao afirmar em sua nota, em síntese, que o governo (e a Familícia) é uma esculhambação envolto em teorias conspiratórias e assessorado por amadores.

    Não! Definitivamente não!
    Todos eles são profissionais em esculhambar. São eles que escolhem os integrantes de cargos comissionados do governo, da Direção e Chefia aos cargos de assessoramento.

  12. Francisco Bendl,

    Prezo suas palavras, as respeito e aprendo com estas. Faço apenas uma retificação (se o amigo me permite) , mas você pode ver no que escrevi acima, sobre o que é Ideologia, que o Marxismo é uma ideologia. Todavia, os países, a iniciar pela Revolução Russa, especialmente após a morte precoce de Lênin, e ficando em seu lugar “Stalin”, ditador sanguinário, deturparam os textos marxistas, e aí concordo que não fizeram parte da ideologia marxista,

    E seus imitadores, em diversos países, como Cuba, por exemplo, seguiram pelo mesmo caminho do stalinismo, o que desconfigura a ideologia proposta por Marx e só entendida por alguns poucos.

    O próprio Freud escreve durante sua vasta obra, que aquilo que se instalou na Rússia, de Stalin, não era marxismo. E ele, antes de 1930 já previra em seus escritos que aquilo não iria dar certo, não era ideologia marxista, e sim fonte de opressão. E deu no que deu. Mais uma vez Freud tinha razão.

    A China só deu certo depois que afastou, através do chamado Partido Comunista Chinês, após a morte de Mao Tsé Tung, e baniu o stalinismo , passando a ser u Capitalismo de Estado, e hoje é a segunda maior potência mundial.

    Mas o Capitalismo de Estado chinês é diferente do Capitalismo tradicional burguês, cuja matriz está nos Estados Unidos da América, e suas filiais, inclusive a sua filial Brasil. O Capitalismo de Estado chinês é uma ideologia. Podemos até falar que deriva da ideologia marxista. Não é pensável fazer eleições regionais e federais num país que tem um bilhão e quinhentos milhões de habitantes.

    Não temos, na China, os patrões de empresa privada que temos no capitalismo norte-americano. Há os que enriquecem, assim mesmo, com ideias criativas, embora a liberdade de expressão seja muito limitada. Todavia, na China, com 1.400.000.000 de habitantes, não há notícia de que há chineses passando fome, ou que vivam na miséria.

    Mas podemos importar a ideologia da China atual para o Brasil ? Acredito que não. Lá, se um membro da alta direção do PCC comete homicídio ou cai na corrupção, é expurgado, preso e alguns são até executados; Aqui, continuaremos com o modelo de Capitalismo da mais valia e da exploração do homem pelo homem, os políticos, os magistrados (nem todos, é verdade) em sua maioria, roubam, saqueiam, mandam matar testemunhas e adversários de suas falcatruas. E a maioria dos patrões pagam salário mínimo e ficam com a mais valia do trabalho de seus empregados, e indiferentes aos milhões de desempregados, moradores de rua e famintos.

    Repetindo as previsões de Freud, quando falava da ditadura do stalinismo, eu prevejo que, a médio ou longo prazo, isto que está instalado aqui também não vai dar certo.

    Mas o Capitalismo Selvagem, cuja matriz está na América do Norte, com uma filial no Brasil e em outros países, é também uma ideologia.

    Não sei se respondi adequadamente à sua postagem, e se você quiser que eu tente me explicar mais, por favor me diga qual é a sua dúvida que eu, se souber, tentarei esclarecer.

    Volto a dizer que a ideologia mais bem acabada para solucionar o nosso problema está tão somente com o PPS 23 (CIDADANIA 23). Vale a pena,de vez em quando, dar uma lida no site do pps,org.br

    Abraços e muita saúde, muita paz,

    Ednei José Dutra de Freitas

    • Na verdade, nos tempos da Biblia não existiam as Ciências Exatas e portanto o tal conhecimento daquele tempo eram os do tipo das Ciências Humanas de hoje que, para quem percebe, estão mais para fantasias do que para a realidade.

      Amém.

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