Gasto público – o exorbitante e o supérfluo

Percival Puggina

Enxugar gastos não é tarefa agradável nem simpática. Dela não se colhe sorrisos, embora o bom líder, o líder respeitado, colha solidariedade.

Mas esse não é mais o caso do governo petista. O país já reconhece o partido que pretendeu ser hegemônico como uma organização tomada por criminosos. As pessoas bem informadas têm plena consciência, também, de que a nação, por motivos eleitoreiros, foi irresponsavelmente levada a uma crise pela qual não precisava estar passando.

O PT e seu governo estão desqualificados para a tarefa que o país tem pela frente. Não há mais, na alma brasileira, ao alcance desse partido, apoios que não precisem ser comprados com sanduíche de mortadela nas ruas e cargos nos gabinetes. Portanto, as sugestões deste artigo vão para a reflexão dos leitores e não para o governo.

SUPÉRFLUOS

No ambiente familiar, quando se torna imperioso cortar gastos, circunstancial ou permanentemente, a tesoura vai atrás dos considerados exorbitantes ou supérfluos. Dependendo de cada realidade, saem as viagens, as roupas novas, os restaurantes, as pizzas delivery, as novidades tecnológicas, os jogos de futebol. Os espetos vão para a churrasqueira com cortes mais baratos. Enfim, cada família busca a seu modo o próprio superávit primário.

Agora, olhemos o Estado. Sob esse guarda-chuva, se abrigam o Estado propriamente dito, o governo, a administração, o Legislativo e o Judiciário. Todos competem pelas fatias do orçamento, todos se consideram irredutíveis, insuficientemente agraciados e remunerados, e só conhecem a solidariedade interna – aquela que une os iguais em torno deste interesse comum: o “nosso” é sagrado.

A despeito do preceito constitucional que impõe harmonia aos poderes, na hora do dinheiro prevalece o outro, o da independência.

ATO SIMBÓLICO

A presidente Dilma reduziu de 39 para 31 o número de seus ministros e cortou 10% dos vencimentos do topo da cadeia alimentar do gasto governamental. Um ato simbólico. Uma merreca. Economizaríamos muito mais se ela reduzisse as despesas, inclusive as próprias, com cartões corporativos, com as numerosas comitivas ao exterior e com o luxo dos hotéis que frequenta. Ganharíamos muito mais ainda se parasse de usar nosso dinheiro para fazer publicidade de seu desditoso governo. E estou falando dos cortes supérfluos.

Para atingir o exorbitante teríamos que impor limites à licenciosidade com que o Legislativo e o Judiciário e a grande cascata das carreiras jurídicas definem seus ganhos e, muito especialmente seus privilégios. Sim, são privilégios, leizinhas privadas (que sequer leis são porque fixadas por atos administrativos validados por decisões liminares). São benefícios que ninguém mais tem, que geram direitos retroativamente e periódicos pagamentos de “atrasados”.

A república, além de conviver com enorme desnível entre os maiores e os menores salários, disponibiliza a uma parcela da elite funcional, na União e nos Estados, contracheques que, ocasionalmente, se elevam a centenas de milhares de reais. Não há pagador de impostos que não se escandalize ao saber que isso é feito com o fruto de seu trabalho.

CORRUPÇÃO

Na mesma linha do exorbitante temos a corrupção endêmica; as aposentadorias precoces, incompatíveis com o mais desatento cálculo atuarial; os incontáveis benefícios fiscais que orientam bilhões para usos que nada têm a ver com as funções essenciais do Estado; a legião dos cargos de confiança, que deveriam ser restringidos a um número mínimo, na ordem das centenas e não das dezenas de milhares; a atribuição ao setor público de atividades que poderiam, perfeitamente, ser desenvolvidas pela iniciativa privada; a sinecura de tantas ONGs que funcionam apenas como custeio público para o empreguismo de apadrinhados políticos; a centralização que derroga o pacto federativo e leva o dinheiro de quem produz para longe de suas vistas e para fins inconcebíveis; a gratuidade do ensino superior público para quem pode pagar, exemplo de injustiça que clama aos céus.

Se quiserem mais sugestões tenho inúmeras outras a fornecer.

6 thoughts on “Gasto público – o exorbitante e o supérfluo

  1. Irretocável o artigo do Percival Puggina.
    Na hipótese do TSE chegar a conclusão que houve estelionato eleitoral, as eleições
    serão anuladas, deixando o poder a Dilma e o Temer.
    Na hipótese do Congresso aceitar o parecer do TCU e votar a favor do impeachment,
    só deixará o poder Presidente Dilma, permanecendo o vice Presidente Michel Temer.
    Por isso o PMDB deverá votar de acordo com o parecer do TCU votando a favor do impeachment,
    da Presidente mantendo o Vice Presidente no cargo. Política é jogo de interesses.

  2. Acorda! Que despesas extras justificam 18 milhões só no cartão da Dilma? E por que a maior parte dos gastos são sigilosos? É uma mina de ouro em mãos irresponsáveis de quem não respeita o povo!

  3. Só se consegue reduzir a carga tributária de um país cortando os gastos para manter os quais existem os tributos. O estado brasileiro nunca poderá fazer uma redução da carga tributária enquanto não fizer a redução dos seus gastos, e nunca fará a redução dos seus gastos enquanto o legislativo continuar a se beneficiar destes gastos e privilégios e os cargos do executivo forem moeda de troca. Quem corta a mesada do adolescente, no seu exemplo, são os pais, porque são eles que controlam o dinheiro da casa, mas no caso do Brasil quem controla o dinheiro é justamente quem está querendo gastar, e que gasta a mais por três motivos básicos: incompetência para realizar seu trabalho, corrupção na execução do trabalho com confusão entre a coisa pública e a coisa privada e manipulação do eleitor pela informação viciada.
    E cartão corporativo, enquanto todos os gastos com seu uso não forem tornados públicos e transparentes, funciona como “conta movimento” sim, ou alguém duvida disso?

  4. Se o governo fosse capaz de apresentar resultados em vez de promessas, e não tivesse que esconder do povo os seus abusos, as verbas de publicidade poderiam ser cortadas substancialmente. Não seria preciso fazer nenhuma “reforma da imprensa” nem financiar órgãos da mídia para que não revelassem a situação real do país.

  5. QUE POVO IMBECIL É ESSE QUE ACEITA UM GOVERNO QUE TEM “ATOS SIGILOSOS”? O DINHEIRO É NOSSO !!!
    E QUE TAL ESSA NOVIDADE DE “CARTÕES CORPORATIVOS”? VOCÊ GASTA E EU PAGO ??? E POR QUE MANTER, A UM PREÇO ABSURDO E DESNECESSÁRIO, EMBAIXADAS EM PAÍSES NOTADAMENTE FALIDOS E INEPTOS, PRINCIPALMENTE NA ÁFRICA ??? MELHOR CORTAR OS REMÉDIOS PARA OS POBRES QUE NÃO PODEM PAGAR, NÃO É? LEVAR O SUS À FALÊNCIA, CERTO ? MANTER OS APOSENTADOS À BEIRA DA INANIÇÃO ? ESSA IDIOTA INVENTADA PELO LULA (QUE NÃO É IDIOTA MAS É UM LADRÃO PERIGOSÍSSIMO). E, O PIOR DO PIOR: O PAÍS (PELO MENOS PRESENTEMENTE) NÃO TEM LÍDERES: ESTAMOS ACÉFALOS !!!

  6. Tenho pena do cara que para continuar no emprego, vende até a mãe é o caso de muitos da mídia.Dignidade que é bom poucos possuem.Boa parte do estado que o Brasil se encontra é dos que querem defender seus interesses sem responsabilidade de suas analises só defendendo quem lhes paga.

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