Geddel se complica, porque seu primo/sócio é advogado da imobiliária no Iphan

André Moura, líder do governo, está apoiando Geddel

João Pedro Pitombo
Folha

Um primo e um sobrinho do ministro Geddel Vieira Lima atuam como representantes do empreendimento La Vue junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O prédio está sendo erguido numa das áreas mais nobres da capital baiana, a Ladeira da Barra, e virou alvo de polêmica após o pedido de demissão do ministro da Cultura, Marcelo Calero. Em entrevista à Folha no sábado (19), Calero disse que entregou o cargo porque o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) o pressionou para que o Iphan derrubasse uma decisão contrária à obra.

Geddel disse na ocasião ter um apartamento no local. Mas suas ligações com o empreendimento são na verdade maiores, uma vez que parentes do ministro representam formalmente o projeto na disputa com o Iphan.

Em um documento anexado no processo administrativo que tramitou junto ao Iphan, a Porto Ladeira da Barra Empreendimento, empresa responsável pelo La Vue, nomeou como procuradores os advogados Igor Andrade Costa, Jayme Vieira Lima Filho e o estagiário Afrísio Vieira Lima Neto.

PRIMO E SÓCIO – Jayme é primo de Geddel e sócio dele no restaurante Al Mare, em Salvador. Afrísio é filho do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel. A procuração foi assinada em 17 de maio de 2016, cinco dias depois de Geddel tomar posse como ministro. Ela não tem prazo de validade.

Semanas antes, ainda na gestão Dilma Rousseff (PT), o Iphan havia embargado a obra por considera que o prédio afetaria monumentos tombados da região como o Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio da Barra.

O documento possibilita aos advogados e ao estagiário “representar o outorgante [empreendimento La Vue], conjunta ou separadamente, perante o Iphan”, dando poderes para “interpor recursos perante qualquer juízo, instância ou tribunal”.

SÓCIO DO ESCRITÓRIO – O outro signatário da procuração, o advogado Igor Andrade Costa, é sócio de Jayme num escritório de advocacia.

Costa ainda assina como representante legal do empreendimento na ata de constituição do condomínio do La Vue registrada em cartório de imóveis de Salvador.

A procuração que colocou parentes de Geddel como representantes do La Vue junto ao Iphan foi assinada depois de o ministro ter adquirido o apartamento.

Em entrevista, o ministro afirmou que assinou um contrato de compra e venda de um imóvel no empreendimento em 2015.

OUTROS PARENTES – A Folha ainda apurou que, além de Geddel, outros parentes do ministro adquiriram apartamentos no La Vue.

A empresa Upside Empreendimentos consta como proprietária do apartamento 1101. Entre os sócios da empresa está Fernanda Vieira Lima Paolilo, prima de Geddel.

Com 30 pavimentos, o edifício La Vue é composto por 23 apartamentos que chegam a valer R$ 2,6 milhões. O custo total é estimado em R$ 32 milhões.

O La Vue foi autorizado em 2014 depois de um parecer do então coordenador-técnico do Iphan na Bahia, Bruno Tavares. Ele respaldou sua decisão em um estudo interno, sem valor legal, que traçava uma área de proteção ao patrimônio no bairro da Barra na qual o terreno onde fica o La Vue estaria fora. Em junho deste ano, já na gestão de Temer, Tavares foi alçado ao comando regional do Iphan na Bahia.

OUTRO LADO – Igor Andrade Costa afirmou à Folha que foi o único advogado da Vieira Lima Filho Associados a atuar no processo junto ao Iphan. E nega que o ministro Geddel Vieira Lima tenha tido qualquer interferência no processo. Segundo ele, os nomes do primo e do sobrinho de Geddel constam na procuração porque, “segundo o Código de Processo Civil, todos precisam ser listados no processo”.

A reportagem enviou mensagens e deixou recados na caixa postal de Jayme, primo de Geddel, mas ele não retornou o contato.

Procurado, o ministro Geddel Vieira Lima foi questionado sobre um possível conflito de interesses na atuação de um primo e um sobrinho dele em um processo junto ao Iphan no período em que ele já era ministro.

“Não tenho nada a ver com isso. Isso é um assunto do Jayme Vieira Lima, que é um profissional liberal”, afirmou. Geddel ainda afirmou que não falaria mais sobre o assunto, que está sendo apurado pelo Conselho de Ética da Presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAndré Moura, líder do governo. levou a Geddel carta de apoio de 27 líderes e vice-líderes da base. Não adianta nada, porque as provas contra Geddel se avolumam e a credibilidade do ministro já caiu abaixo de zero. Será conveniente que se demitisse e fosse cuidar da fortuna acumulada ilicitamente. (C.N.)

16 thoughts on “Geddel se complica, porque seu primo/sócio é advogado da imobiliária no Iphan

  1. Enquanto ele vai cuidar de sua fortuna acumulada, cheguei ontem dessa região, é de chorar…

    O prejuízo da seca calculado no Nordeste nesses três anos é equivalente à soma do PIB (Produto Interno Bruto) de 2013 –dados mais recentes do IBGE– dos Estados de Alagoas, Piauí e Sergipe. Somadas, as riquezas desses Estados naquele ano chegaram a R$ 103 bilhões, sem correção da inflação. Na prática, é como se a economia regional perdesse a riqueza de um desses Estados por ano.

    “Esperávamos um valor muito menor. Em um ano compilado, em 2013, por exemplo, o governo federal falou que a seca deu prejuízo de R$ 18 bilhões aos cofres públicos. Mas, quando você vai ver os municípios, que realmente estão conectados com essa realidade, o número é bem maior”, afirma um dos responsáveis pelo levantamento, o técnico de Defesa Civil da CNM Johnny Amorim.

  2. Esse episódio nefasto acerca do empreendimento imobiliário em Salvador/BA envolvendo esse anão político chamado Geddel Vieira Lima, demonstra de uma vez por todas que essa gente abjeta que se diz representante do povo brasileiro, na verdade NUNCA nos representou, só representa o seu bolso.
    Eu não sabia que TRÁFICO DE INFLUÊNCIA no Brasil deixou de ser IMORALIDADE!
    Quanta DESFAÇATEZ.
    Penso que o querido leitor e comentarista Francisco Bendl está coberto de razão quando afirma aqui na TI que o Congresso Nacional deveria ser fechado, apesar dos “democratas” cairem de pau em cima do referido leitor e comentarista.

  3. Há 360 anos atrás…

    A cada canto um grande conselheiro,
    Que nos quer governar cabana e vinha;
    Não sabem governar sua cozinha,
    E podem governar o mundo inteiro.
    Em cada porta um bem frequente olheiro,
    Que a vida do vizinho e da vizinha
    Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
    Para o levar à praça e ao terreiro.
    Muitos mulatos desavergonhados,
    Trazidos sob os pés os homens nobres,
    Posta nas palmas toda a picardia,
    Estupendas usuras nos mercados,
    Todos os que não furtam muito pobres:
    E eis aqui a cidade da Bahia.

    Gregório de Matos,
    o Boca do Inferno (1636-1696)

  4. Na nossa política nada se perde, nada se cria, tudo vira porcaria… ( autocensura )…

    O conselheiro José Saraiva, da Comissão de Ética Pública da Presidência, solicitou nesta quarta-feira (23) ao presidente do colegiado, Mauro Menezes, para ser dispensado de analisar a acusação de que o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, teria pressionado o colega da Cultura para liberar a construção de uma obra em Salvador.

    Órgão vinculado à Presidência, a Comissão de Ética fiscaliza eventuais conflitos de interesse envolvendo integrantes do governo. O colegiado não tem poder para punir nenhum servidor público, entretanto, como é um órgão consultivo do presidente da República, pode recomendar ao chefe do Executivo sanções a integrantes do governo, entre as quais demissões.

    No ofício encaminhado ao presidente da comissão, Saraiva pediu para não participar da apreciação do caso alegando “suspeição por fatos supervenientes”. Ele não especificou no documento qual seria o motivo da suspeição, mas se referiu a “questionamentos veiculados em veículos de comunicação”.

  5. Não abala senão vem bala…

    No último dia 23 de junho, por exemplo, de uma só vez a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu denúncias do Ministério Público em três inquéritos contra o parlamentar, tornando-o réu sob acusação de ter praticado crimes que vão de apropriação indébita, desvio ou utilização de bens públicos do município de Pirambu (SE), e até mesmo uma suposto envolvimento em um caso de tentativa de homicídio.

    Os três inquéritos somam-se a outros três que já tramitam no mesmo STF, além de irregularidades apontadas em outros órgãos, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que o responsabilizou por várias ilegalidades, condenando-o, inclusive, ao pagamento de multa. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o parlamentar informou que todas as acusações se devem a uma inimizade política.

    André Moura, ou André Luís Dantas Ferreira, é tão solidário de Eduardo Cunha que apresentou um requerimento no mínimo incomum à CPI: ele quer uma acareação entre a presidente Dilma Rousseff e o doleiro Alberto Youssef. O instrumento da acareação é utilizado nas investigações para esclarecer dúvidas entre depoimentos conflitantes. Dilma não depôs em nenhuma esfera e, portanto, em tese não há contradição a ser enfrentada.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/aliado-de-cunha-andre-moura-responde-seis-processos-no-supremo-17283031#ixzz4QqHYyuzq

  6. Artigo rico de detalhes quanto ao objeto de desejo de Gedell…

    O lado decepcionante, é o Marcelo Calero ter dado uma de boi de piranha, na expectativa de que o presidente e os demais colegas de ministério, se dessem conta da macã podre no cesto, no governo.

    Pelo visto, fica valendo a opinião do comentarista David, quanto a solidariedade da gangue.

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