Geisel tinha razão

Carlos Chagas

Era presidente o general Ernesto Geisel, tonitruante, imperial e áspero, aliás, um modelo  que décadas depois vem sendo seguido pela atual sucessora, ainda que apenas na postura.  Entrou no  gabinete do general  o ministro Shigheaki Uequi, sorrindo de uma face a outra, logo anunciando uma grande estratégia para o Brasil. Havia sido descoberta imensa jazida de gás na Bolívia e,  segundo  sondagens feitas por ele, o general boliviano de plantão no poder dispunha-se a celebrar rendoso contrato para nos fornecer a preços módicos tamanha riqueza, em especial numa fase mundial de crise de petróleo e combustível.

O general fechou ainda mais  o cenho já fechado e encerrou a proposta, pedindo que seu interlocutor não mais  repetisse tamanha bobagem, porque não confiava na Bolívia e não queria ser levado, depois, a mandar o exército entrar no território vizinho para defender os interesses brasileiros.

Passou o tempo e outros governos contrataram o gás boliviano, que até hoje nos cria problemas, apesar dos benefícios. Nossos vizinhos continuam não sendo confiáveis, ainda há tempos  nacionalizaram uma usina da Petrobrás e humilharam empresas brasileiras que lá realizavam obras.   Submeteram o Brasil ao constrangimento de ter por 15 meses em nossa embaixada um senador que fazia oposição ao presidente Ivo Morales, sem conceder-lhe o salvo conduto. Invadiram o avião do ministro da Defesa, Celso Amorim, no aeroporto de La Paz, para saber se o asilado estava escondido entre as poltronas  e mantiveram silêncio agressivo diante de  nossas tentativas de solucionar a questão.

Eis ai o resultado quando, de forma humanitária, o Encarregado de Negócios do Brasil resolveu fazer o que o antigo embaixador não fizera: convocou dois fuzileiros navais e,  no automóvel oficial da embaixada, rodou por 22 horas até a fronteira brasileira, libertando o senador sem dar conhecimento ao Itamaraty ou ao palácio do Planalto. Por haver cumprido seu dever,  Eduardo Sabóia deverá ser punido, ao menos com o congelamento de sua carreira.

Toda essa trapalhada tem raízes na política diplomática do PT.  Tanto Dilma quanto o Lula, antes, carecem de experiência para lidar com as sinuosas questões externas. Preferem resolver os problemas no grito ou com jeitinhos insuficientes. Por conta disso, e por não ter sabido escolher o seu Chanceler, a atual presidente viu-se obrigada a fazer o que deveria ter feito bem antes, ou melhor, não deveria ter feito,  caso no primeiro dia de seu  mandato tivesse  nomeado  outro ministro das Relações Exteriores. Como escolheu Antônio Patriota, obrigou-se agora a demiti-lo. Deu-lhe um prêmio de consolação, nomeando-o para nosso  representante nas Nações Unidas. 

Fará o quê o governo brasileiro?  Botar panos quentes na crise com a Bolívia, cujo Chanceler nos desancou e ofendeu desde domingo? Não dá para imaginar a tropa de prontidão, muito menos o rompimento de relações. Notas de protesto, de lá e de cá, destinam-se à lata de lixo. Reaproximações fingidas e fajutas, também. Quem tinha razão era mesmo o  general Ernesto Geisel, malgrado ter sido ditador.

REAPROXIMAÇÃO

A presença da presidente Dilma no Congresso, ontem, determinou um discurso curto mas elogioso por parte do presidente da Câmara e um longo pronunciamento do presidente do Senado. Dilma ofereceu as mãos e tanto Renan Calheiros quanto Henrique Alves aceitaram. O gesto pode ser tido como uma espécie de esfriamento nas relações do Executivo com o Legislativo, por obra e graça de uma política de defesa dos interesses da mulher frente à violência que ainda perdura. Aguardam-se novos resultados.

DE OLHO EM MINAS

Quem não gostou mas nada pode fazer foi o senador Aécio Neves, diante da viagem que a presidente da República fez a Belo Horizonte, logo depois de deixar o Congresso, ontem. Depois de invadir São Paulo com inúmeras inaugurações, Dilma volta-se para Minas, onde pretende fazer o mesmo. Trata-se de uma preparação com vistas à  campanha eleitoral do ano que vem.  

                                                            

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12 thoughts on “Geisel tinha razão

  1. Caro Jornalista,

    O embaixador Eduardo Sabóia não é profissional liberal, que pode fazer o que quiser da vida, que pode gastar o dinheiro da sua empresa como bem entender!
    Ele, por ter um chefe, deve satisfação a este.
    Além disso, fazer generosidade e ser altruísta sem ter que meter a mão no próprio bolso é moleza!

    Abraços.

  2. Como Embaixador e funcionário Público por lei seria cobrado pela “inércia”, caso algo acontecesse e teve que agir dentro da lei do direito administrativo e daquilo que sua função e autonomia permitiam. Agora é um absurdo tanta incompetência técnica, falta de planejamento, atitude e habilidade dos nossos comandantes, nem para atuarem como políticos servem.

  3. O problema de Dilma: a Helena Chagas na SECON sendo comandada por seu pai, beijados de botas dos torturadores, como o ditador Geisel.
    Sabóia precisa ser investigado para ver quanto ele recebeu $ do narcotráfico para ser coiote de um corrupto.

  4. O Aécio deve ter gostado,quem não gostou foram os Mineiros,chamar sua capital de Porto Alegre…!?Se fosse o Reagan tudo bem,mas para quem se diz mineira,que já morou em bêaga,foi uma gafe muito séria,os mineiros,bairristas,não costumam perdoar esse tipo de desfeita.Certamente perdeu muitos votos e o Prefeito,esnobado acintosamente vai dar o troco.

  5. Senhores, por favor.

    Digam: e a situacao do Cesare Battisti?

    Analogamente, eh a lesma lerda.

    E, considerando as bostas que temos ai, mais um, menos um, nao faz mais diferenca.

    Entao quer dizer que “HAJUDA UMANITARIA” soh valia nos tempos de excessao?

    Vao roubar pra ser presos!

    Saboia, apenas agiu no vacuo de autoridades.

    Governozinho de merda, faz mais de 10 anos.

    O energumenos! As epocas sao diferentes, bem como os contextos.

    Serah que a cabeca de alguns dos senhores nao consegue acompanhar?

    IMPSIONANTE!

  6. Falta de lógica,aqui somos críticos da corrupção de nossos políticos de suas falcatruas,derrepente somos tomados por imensa compaixão por um senador boliviano,corrupto,trambiqueiro ,que um diplomata desmiolado dá fuga da Bolívia (coitadinho ,tava depressivo)deveriam os dois serem presos um pelos crimes o outro por dar fuga a esse bandido .

  7. Caro Sr Jose.

    Falta de logica?

    Po! O diplomata era o responsavel pela sua integridade fisica. Ou serah que estou errado?

    Nao havia chefes.

    Ninguem tomava atitudes, apesar das diversas solicitacoes.

    A qualquer momento o cara podia dar cabo da propria vida e vc ser o responsavel.

    Raciocinou ele da seguinte maneira:

    Se o cabra morrer eu serei responsavel. Se eu levar o cabra pra fora daqui, eu tambem, serei o responsavel. Entretanto, jogarei uma bomba la em cima para tira-los da zona de conforto.

    Afunhanharei-me, mas lah no topo alguem, tambem se afunhanharah.

    Soh que o lah de cima, tem mais bala na agulha, foi punido como o sapo. Jogado na agua.

    O resultado disso tudo eh que perdemos credibilidade, diariamente.

    Tudo o que foi construido, no passado, esta sendo posto a perder pelos nossos sucessivos governos de merda.

    Que exemplo podemos esperar dos nossos ultimos governantes?

    Pessoas AMORAIS sem uma minima estrutura familiar. Faltam BERCO, EDUCACAO e RESPEITO.

    Por favor, nao venha dizer que existe a familia Sarney. Aquilo eh uma quadrilha disfarcada.

    Entao, o ultimo a sair que apague a luz.

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