Generais tomaram o poder em 1964, impuseram e implantaram regras que nem eles cumpriram. O “presidente” teria que ser Costa e Silva. Castelo Branco saltou na frente, começou a divergência. E a força inquestionável dos ministros da Guerra. Os irmãos Geisel, Golbery, Silvio Frota, Octavio Medeiros, inesquecíveis.


Helio Fernandes

Não havia qualquer dúvida: o general de quatro estrelas e chefe do poderoso SNI, Octavio Medeiros, seria o sucessor de João Figueiredo. Temos que recordar: na instalação do golpe de 64, os que tomaram o Poder, fizeram uma remodelação geral na fórmula clássica das ditaduras.

Em todos os países, antes de 64, existiam as ditaduras fixas com um ditador também  fixo, civil ou militar. Fosse no Ocidente ou no Oriente, em qualquer lugar do mundo. Também não se discutiam ideologias ou convicções político-filosóficas. Foi assim sempre.

Em 1964, os generais que tomaram o Poder inovaram completamente. Em vez da ditadura fixa com um ditador também fixo, que não tinha prazo para permanecer no Poder, ficariam enquanto durasse a força militar que os mantinha.

Surpreenderam o Brasil e o mundo com a modificação. Instalavam uma ditadura fixa, mas com um ditador rotativo. Até então era inimaginável. (Isto jamais foi escrito ou comentado). Criaram também quatro itens que pretendiam, com arrogância e autoritarismo, regular e submeter quem poderia ser presidente (“presidente”, com aspas) e como deveriam se comportar.

1 – O presidente teria que ser general. Com isso liquidavam a concorrência dos que falavam em Forças Armadas.

2 – General de 4 estrelas.

3 – Da ativa, assim, simples e taxativo.

4 – Não poderiam tentar a reeleição de forma alguma, teriam que passar o cargo a alguém que preenchesse os itens anteriores.

Mas como é difícil, praticamente impossível planejar para um futuro distante e imprevisível, os fatos se recusam a acontecer, são modificados até de forma instantânea.

Foi o que aconteceu com a ditadura brasileira. Acertaram na longevidade no Poder, também não empossaram ninguém que não fosse general. Mas como em todos os lugares, eles se estraçalhavam. Não davam vez aos civis, mas brigavam ostensivamente entre eles.

O PODER INSUPERÁVEL
DOS MINISTROS DA GUERRA

Castelo Branco surgiu do nada e do desconhecido. E até do desprezível. Na FEB era tenente-coronel, comandante das forças que teriam que tomar o Monte Castelo. Cometeu erros de principiante. Contestado ali mesmo, chorou em público, confessou as leviandades militares.

(Mais tarde, o general Floriano de Lima Brayner, chefe do Estado-Maior do comandante-geral, Marechal Mascarenhas de Moraes, escreveu dois livros terríveis a respeito de Castelo e da sua incompetência e imprudência militar em ação. Em 1955, como chefe da Casa Militar do presidente Nereu Ramos, o general reafirmou tudo. Castelo não pôde se defender. Mas também não poderia ser “presidente”, com aspas ou sem aspas.)

Dois nomes eram cotadíssimos para chefiar o governo golpista. Costa e Silva favoritíssimo, conspirava desde o início como comandante do II Exército. O outro, Cordeiro de Farias, pelos títulos. Participou da FEB como general (poucos estiveram lá, dos que foram “presidentes”, a não ser Castelo, com as restrições que mostrei). Interventor no Rio Grande do Sul, governador eleito pelo voto direto em Pernambuco, só que chegou tarde ao Rio (onde tudo acontecia), foi preterido. Ganhou um ministério civil, ficou ultrapassado.

COSTA E SILVA
NÃO SE CONFORMOU

Desesperado, assistiu de longe as articulações de Castelo, as conversas e as promessas a Juscelino, a posse em 9 de abril. Garantiu o Poder com a conquista do Ministério da Guerra. Não perdia a oportunidade de deixar bem claro que quem mandava era ele, e seria sucessor de Castelo.

Planejou viagem ao exterior, os amigos advertiam que podia ser demitido enquanto viajava. Foi, no aeroporto garantiu a manchete de todos os jornais, retumbando de forma arrogante: “Embarco ministro e volto ministro”. Foi o que aconteceu.

Nas ditaduras, o ministro da Guerra garante o “presidente”, mas é obrigatoriamente o seu sucessor. Foi mantida a regra. Castelo tinha candidatos (no plural), teve que empossar Costa e Silva. Mas este, impensada e imprudentemente, nomeou ministro da Guerra o general Lira Tavares, um intelectual sem tropas.

Entrou para a Academia, mas tarde embaixador na França. Não sucedeu a Costa e Silva, mas também não o garantiu. E quando, no meio do mandato, Costa e Silva teve o AVC que seria fatal, logo “decretaram que estava incapacitado”. O que iria fazer um general-intelectual, contra os inimigos da Costa e Silva, todos armados e entrincheirados?

OS GOLPES
DENTRO DO GOLPE

Garantida a posse de Costa e Silva, Ernesto Geisel, apavorado, foi promovido a general de quatro estrelas e um mês depois estava no Superior Tribunal Militar, protegido de possível perseguição de Costa e Silva. Golbery, general da reserva, foi para o Tribunal de Contas, também vitalício.

Incapacitado Costa e Silva, com o vice Pedro Aleixo sem poder assumir, incapacitado (sem aspas) por ser civil, empossaram uma Junta (os Três Patetas”), com um general, um brigadeiro, um almirante. Imediatamente. Ernesto Geisel e Golbery se aposentaram, voltaram para a militância política que jamais abandonaram.

A DERROTA DO FAVORITO
ORLANDO GEISEL

Para a “eleição”, pela primeira vez colocaram urnas nas unidades do Exército, Marinha e Aeronáutica, mas os candidatos eram apenas dois generais: Orlando Geisel e Afonso Albuquerque Lima. Favoritíssimo, Geisel perdeu para o nacionalista Albuquerque Lima, de grande prestígio. Mas logo os irmãos Geisel, coma participação fundamental de Golbery, deram o golpe, inventaram uma crise militar.

“Queimado”, Geisel fez esta declaração pública: “Albuquerque Lima não pode ser presidente. Como é que eu, que tenho quatro estrelas, vou bater continência para um PRESIDENTE de três estrelas?”. Valia tudo.

A “DESCOBERTA” DE MÉDICI,
QUATRO ESTRELAS E DO SNI

Lembrado o nome dele, recusou. Não queria mesmo. Tendo sido nomeado representante do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, em Washington, ficou poucos meses. Veio embora. “Estava muito chato”, era o que dizia aos amigos, sobre um dos cargos militares mais disputados. Insistiram, insistiram, aceitou ser “presidente”. Como só tinha um inimigo, o general Golbery, fez só esta pergunta a Orlando Geisel: “Quais são as relações entre vocês dois?”.

Orlando Geisel, encarregado da articulação, respondeu: “Não nos falamos há anos”. Estavam juntos todos os dias, mas Orlando Geisel queria Médici “presidente”, assim ele seria ministro da Guerra todo-poderoso, o que aconteceu.

NUNCA SE TORTUROU TANTO,
TODOS SABIAM, CRESCIA O DOI-CODI

Continuou a tortura, só que passou a ser institucionalizada. Já existia o DOI-CODI, versão carioca da paulista OBAN. Só que a violência aumentou muito. A impressão que se tinha é que Médici não sabia de nada, mas era impossível. A tortura era praticada no país inteiro, mas no Rio e em São Paulo ganhou níveis sem precedentes.

Golbery ficou mais de 4 anos, atuante, preparando a candidatura Ernesto Geisel, sem que Médici percebesse. Ele havia comprado em Brasília uma chácara maravilhosa, de lá articulava tudo. Era presidente da Dow Chemical, a poderosa fabricantes de napalm, um arma incendiária mortífera e assassina. No governo de Ernesto Geisel, mandou de verdade.

AS CRISES QUE ABALARAM
OS GENERAIS TORTURADORES

A de 1975, o assassinato de Herzog, não foi a primeira, mas a mais rumorosa. A ação direta e fulminante (já contada aqui) do próprio “presidente”, salvou seu mandato, mas prolongou a ditadura. Havia muito descontentamento, o golpe que dividira os generais desde o início, passou a ser contestado. O ministro da Guerra, Silvio Frota, queria ser o sucessor de Geisel, chefiou o movimento contra ele, em outubro de 1978. Foi derrotado.

O chefe da Casa Militar de Geisel, Hugo Abreu, outro que queria ser “presidente”, só que ninguém tinha apoio dele. Também foi repudiado, não foi promovido, levou “carona”, teve que ir para a reserva. E Geisel escolheu João Figueiredo, outro general chefe do SNI.

Silvio Frota escreveu ou publicou um livro até interessante, só que não se livrou da raiva contra Geisel, visível nesta frase: “Eu sempre soube que Ernesto Geisel era comunista”. Figueiredo teve problemas de toda ordem, precisou até se operar no exterior.

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PS – Todo o governo de Figueiredo foi dominado pelo general Octavio Medeiros, que na primeira linha destas notas, aponto como sucessor dele.

PS2 – Era quatro estrelas e chefe do SNI. Parecia que todos tinham que surgir de lá.

PS3 – A sucessão que não houve, o massacre da Tribuna e a tragédia do Riocentro, planejadas e comandadas por ele.

PS4 – A última palavra ainda não foi dada, isso cabe à Comissão da Verdade. Que parece oscilar para um lado ou para o outro. Até quando?

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21 thoughts on “Generais tomaram o poder em 1964, impuseram e implantaram regras que nem eles cumpriram. O “presidente” teria que ser Costa e Silva. Castelo Branco saltou na frente, começou a divergência. E a força inquestionável dos ministros da Guerra. Os irmãos Geisel, Golbery, Silvio Frota, Octavio Medeiros, inesquecíveis.

  1. O General Orlando Geisel afirmou: NAO BATO CONTINENCIA PARA CORONEL, quando o Presidente Medice apresentou seu Ministro Jarbas Passarinho para ser seu sucessor.

  2. A tortura oficial

    Por conta da conhecida arbitrariedade e despreparo policial, coisa de terceiro mundo, lamentavelmente, de vez em quando os jornais publicam a prática da tortura contra presos. Vai daí, surgir pessoas dizendo que no Brasil sempre se torturou, tentando passar a impressão que os militares da ditadura militar não são os únicos envolvidos nesse crime hediondo.

    O lamentável uso da tortura por maus policiais deve ser implacavelmente combatido, não pode ser tolerado, não deixa de ser crime hediondo e covarde. Mas muito mais hediondo e covarde, é a tortura praticada pelos torturadores resguardados pelo sistema – frios e implacáveis – bem a vontade, certos de suas impunidades, certos de contar com todas as forças de um poder acima das leis e de tudo, assustadoramente presente em todos os locais, espionando, fazendo ameaças e intimidações, praticando implacáveis censuras e perseguições, atos terroristas e assassinatos, capaz de selar os destinos das pessoas, de vida e de morte, de liberdade e prisão, sempre tentando não deixar as suas vítimas, a quem recorrer, a quem implorar. É aterrador.

    Por conta desse trágico recente passado, se faz necessário todas as providências possíveis objetivando evitar que tudo se repita novamente, em governo de direita ou de esquerda. Temos que deixar tudo bem esclarecido, quem foram os torturadores e responsáveis, mas principalmente, onde estão os desaparecidos.

    Caso a Comissão da Verdade resolva fazer uso da delação premiada, de modo programado e inteligente, por certo que irá encurtar caminho. Por tudo que aconteceu, nada mais será mais caro do que já pagamos. Não podemos virar essa sangrenta página da história do Brasil sem que tudo fique devidamente esclarecido. O quanto antes.

  3. A VERSÃO da História pelos golpistas que implantaram a Ditadura milico-servil de 1964/85, de há muito foi contada por eles mesmos. Mais ainda: destruíram o máximo possível de documentação que os incriminariam ad aeternum. Não satisfeitos, por meio da Censura, tentaram evitar toda e qualquer publicação contrária aos seus interesses escusos. Debalde.

    Depoimento como o de Hélio Fernandes ajuda a esclarecer uma série de acontecimentos, até então, tidos e havidos como FATOS “históricos” INQUESTIONÁVEIS. O depoimento de Hélio Fernandes é também um RECORTE da Memória individual/coletiva, é também a VERSÃO de quem foi barbarizado.

    O somatório do máximo possível de depoimentos (recortes) da Memória individual dos que sofreram nas garras da Ditadura milico-servil tupiniquim, ajudará numa melhor compreensão da Memória coletiva do nosso País, o que possibilitará fazer com que a História nacional retrate com maior fidedignidade a Memória do nosso Povo.

    É nesse contexto que a Comissão da Verdade se reveste de uma importância crucial. Não se trata de REVANCHISMO, como alguns, inocentemente ou não, alegam. Trata-se de tornar conhecida a MEMÓRIA NACIONAL, que até agora tem sido mostrada pela ótica de quem detinha o Poder à época – e que continua sendo realimentada pelos meios de comunicação que deram sustentação à Ditadura, por razões óbvias.

    O decano dos jornalistas brasileiros, Hélio Fernandes, bem como vários comentaristas dessa Tribuna, por mais de uma vez mostrou/mostraram a tentativa dos simpatizantes e/ou defensores da Ditadura milico-servil tupiniquim de banalizar o termo TORTURA. Quem faz isso não é inocente. Inocente é quem não conhece a força, o poder que emana das palavras. E quem tenta banalizar o termo TORTURA, não tem nada de inocente.

    Quem tenta confundir a TORTURA institucionalizada pela Ditadura milico-servil com as práticas de SADISMO que se observa em muitas delegacias e penitenciárias brasileiras, adota a mesma argumentação de quem sente uma dor de cabeça muito forte e diz estar sendo vítima de uma verdadeira “tortura”.

    A banalização das palavras faz com que o principal veículo de comunicação tupiniquim trate o pior programa da televisão brasileira – o BBB – como “educativo”! Por meio da sua programação idiotizante fez/faz com que grande parcela da população não saiba a diferença entre uma trep… mal dada de se “fazer amor”!

    AMOR, FRATERNIDADE, TORTURA… tais palavras, banalizadas, deixam de transmitir, de representar – o que efetivamente são e devem transmitir e representar.

    É impossível reconstruir o Passado. Mas o CONHECIMENTO PASSADO nos ajuda a não repetir os mesmos erros continuamente. A decisão é nossa… Um dos problemas é que algumas pessoas não suportariam ver DESMORONAR aquilo que julgam ser “verdades históricas”, meros EMBUSTES fabricados por assassinos e torturadores travestidos de heróis…

  4. José Guilherme, grato pela indicação da belíssima música. Realmente Altemar nos deixou muito cedo. Também gosto muito de ouvir essa música na voz de Leo Dan, “Viejo, mi querido viejo”.

    Um abraço fraterno.

  5. Imprensa é para fazer oposição, como dizia Millor. Concordo, pois imprensa governista não informa, é instrumento de propaganda do poder. Assim antes de 64 , toda a imprensa, menos a Última Hora, era contra o governo Goulart, que , diga-se de passagem, estava bagunçando o país com suas fantasias de justiça social sem produção, quebra da hierarquia do exército e outras infantilidades características dos povos latinos, com seu sentimentalismo fundamentado na vitimização, muito bem explorado nas novelas mexicanas.
    Enfim, depois do golpe, a mesma imprensa , ou parte dela, continuou no seu trabalho correto de opor a qualquer governo e por isso a Tribuna, Correio da Manhã e outros sofreram o que sofreram.

  6. Entre mim e Batista Filho tem havido uma que outra discussão – sempre em alto nível – com relação exatamente às palavras empregadas em comentários.
    Assim se reportou Batista Filho, acima:

    “O decano dos jornalistas brasileiros, Hélio Fernandes, bem como vários comentaristas dessa Tribuna, por mais de uma vez mostrou/mostraram a tentativa dos simpatizantes e/ou defensores da Ditadura milico-servil tupiniquim de banalizar o termo TORTURA. Quem faz isso não é inocente. Inocente é quem não conhece a força, o poder que emana das palavras. E quem tenta banalizar o termo TORTURA, não tem nada de inocente.
    Quem tenta confundir a TORTURA institucionalizada pela Ditadura milico-servil com as práticas de SADISMO que se observa em muitas delegacias e penitenciárias brasileiras, adota a mesma argumentação de quem sente uma dor de cabeça muito forte e diz estar sendo vítima de uma verdadeira “tortura”.”

    Batista Filho não pode ignorar que existem vários tipos de tortura, e não somente a física e/ou material e moral.
    Discordo, respeitosamente, que seja sadismo o que se faz com presos em delegacias e presídios brasileiros pois, a meu ver, trata-se de tortura em seu mais refinado e alto grau, inclusive acobertada exatamente como na época da ditadura, pelo poder instituído e instituições.
    Que a tortura enfatizada sempre pelo Batista Filho com referência ao regime militar seja indiscutível, entretanto, somos obrigados a considerar e repudiar que, a INJUSTIÇA, é a maior de todas as torturas pela sua repercussão e desejo de vingança, fomentando o ódio e a descrença.
    Claro que é INJUSTO e criminoso a tortura mencionada pelo Batista Filho à época da ditadura, mas ela não se extinguiu com o término deste período, continuando célere e cada vez mais arraigada pelos poderes.
    Exemplo:
    A tortura que tem sido para Hélio Fernandes a decisão judicial quanto à indenização que tem a receber pela destruição das instalações da Tribuna da Imprensa;
    O mesmo pode-se dizer do tempo que as ações trabalhistas decorrem até transitarem em julgado ao reclamente;
    A injustiça à sociedade com referência aos trancafiados em presídios por crimes graves e outros não, e vendo os mensaleiros soltos e exercendo funções de parlamentares e exigindo que sejam tratados como “excelências”;
    Como ficam as pessoas que tomaram leite adulterado, que inevitavelmente terão as suas saúdes afetadas com o tempo?
    A tortura da espera pela solução aos contribuintes que trabalhavam na extinta Varig?
    A tortura em busca de atendimento médico sem conseguir?
    A tortura de ver um filho morto a sangue frio por assaltantes e não haver policiais em quantidade suficiente à tranquilidade do povo?
    A tortura insuportável dos parentes das 242 pessoas que morreram no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, RS, que viram os responsáveis soltos pela “Justiça” esta semana?
    Na razão direta que Batista Filho comenta com propriedade sobre a banalização de certas palavras, principalmente a TORTURA, precisamos levar em conta que não se pode fazer o mesmo com o sofrimento alheio – torturante -, diminuindo-o de importãncia e gravidade ao ser substituído por outras palavras que tentam diferenciar a tortura do Estado para fins políticos com a tortura consentida pelo próprio Estado pelo descaso social!
    Afinal das contas, de que maneira aferir-se a dor?
    Como mensurar a injustiça?
    Como avaliar o sofrimento?
    Penso ser impossível colocar em patamares que esta tortura é pior do que aquela, haja vista a reação de cada ser humano; do quanto suporta, da sua capacidade de perdão ou de revanche; de querer matar quem o humilhou da pior forma possível, na sua interpretação.
    A comprovar o que afirmo, a entrevista de Amado Batista com referência a ter sido torturado durante a ditadura e ter concordado com a “correção” que lhe imputaram!
    Como classificar o estupro, na minha ótica uma tortura física e mental às mulheres como a mais cruel existente?
    E o sequestro-relâmpago?
    Quantas crianças foram mortas pelos sequestradores, apesar de ter havido o pagamento do resgate, com relação ao estado dos pais (me vem à mente aquele senhor japonês, que teve o filho de pouca idade morto por assassinos impiedosos)?
    Inegavelmente são casos de tortura tanto quanto à sofrida à época da ditadura ou, por acaso, estou errado?
    Mais a mais, estou apenas querendo dimensionar a TORTURA de um modo geral, e não selecionando esta ou aquela a pertir do momento que a pessoa é ofendida, humilhada e agredida, pouco importando se em período de exceção para um país ou durante a sua democracia, quero deixar bem claro esta questão, e não querendo “banalizar” a também gravidade deste crime contra os que discordavam do regime empregado.
    Portanto, estou sendo contrário à selvageria usada contra indefesos e inocentes, culpados e capazes de se defenderem, por conta de métodos que afrontam a dignidade humana em quaisquer situações, independentemente, portanto, se cometidas por militares ou civís ou ambos, se durante regimes totalitários ou democráticos.

  7. Nasci em 65 e tenho recebido e-mails nos quais exaltam os fato de que os presidentes militares morreram “pobrinhos”, ou melhor, não enriqueceram como os políticos “corruptos” atuais. Bom, da minha parte prefiro a democracia, pois acredito que sem imprensa livre a corrupção é encoberta.

  8. Cada qual tem a sua versão. Aqueles que tiveram algum prejuízo, chiam. Aqueles que perderam a grande chance de transformar o Brasil em uma Cuba, chiam e soltam as suas versões. Mas, para nós, que compomos a maioria dos cidadãos, que fomos às ruas exigir que as Forças Armadas arrebentassem os verdadeiros golpistas, a contra-revolução foi amplamente saudada. Podem chiar à vontade, porque vocês estão vivos e ricos, recebendo o nosso dinheiro que vocês não merecem. Até o cantor Amado Batista disse que possui uma aposentadoria de R$ 1 mil, porque levou alguns tapas no ouvido naquela época. Ainda falam que Cuba é um paraíso. Mas, todos esses esquerdopatas vão lá somente a passeio. Virar povo naquela masmorra esse pessoalzinho caviar tem verdadeiro assombro. Tomara que esses revanchistas sigam em frente.

  9. Extraído dos arquivos do site http://www.averdadesufocada.com

    09/03 – “Anos de Chumbo”: A Ditadura da Mentira

    Sociólogo e jornalista José Maria e Silva
    VALE A PENA LER DE NOVO
    José Maria e Silva *
    Jornal Opção, de Goiânia – 01/03/2009
    “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida.” (Paulo Freire, em “Pedagogia do Oprimido”, defendendo os fuzilamentos sumários comandados por Che Guevara e Fidel Castro)
    Para o sociólogo e jornalista José Maria, a universidade brasileira, na ânsia de criar um novo mundo, especializou-se em destruir o existente.
    Texto completo
    Com quantas vidas se faz uma ditadura? Na belíssima novela de John Boyne, O Menino do Pijama Listrado, essa pergunta é respondida pelo espanto de Bruno, um menino de nove anos. Sempre que ele se surpreende com o mundo do Fúria à sua volta, seus olhos se arregalam, sua boca faz o formato de um O e seus braços caem ao longo do corpo. A obra, uma elegia à inocência da vida que não sabe da morte, deveria ser lida — e meditada — pelos 3.949 intelectuais que, até agora, assinaram um manifesto contra a Folha de S. Paulo, repudiando o editorial “Limites a Chávez”, publicado em 17 de fevereiro último, no qual a ditadura militar brasileira é indiretamente chamada de “ditabranda”. O Menino do Pijama Listrado (o livro, não vi o filme) demonstra, metaforicamente, a abissal diferença entre um regime autoritário (circunscrito à esfera política) e um regime totalitário (que permeia todas as instâncias sociais). As primeiras reações ao editorial da Folha partiram da socióloga Maria Victória Benevides, professora da Faculdade de Educação da USP, e do advogado Fábio Konder Comparato, professor aposentado pela mesma instituição. Esquecendo-se que a universidade que representam arrasta até hoje um cadáver insepulto (o do estudante de medicina morto num trote em 1999), Benevides e Comparato encenaram uma indignação que jamais sentiram diante das quase 100 mil mortes perpetradas pela Trindade Cubana (Fidel, Guevara e Raúl Castro) — 17 mil na boca dos fuzis, em execuções sumárias, e 80 mil nos dentes dos tubarões, em fuga para os Estados Unidos.
    Como a Folha de S. Paulo chamou a atenção para essa dúbia moral de Benevides e Comparato, lembrando que eles jamais protestaram contra a ditadura cubana, os dois intocáveis uspianos se sentiram feridos e, em resposta, fizeram o que os intelectuais de esquerda mais sabem fazer quando são pegos sem argumentos —conclamaram o rebanho para um manifesto.
    O inefável Antonio Candido, decano dos intelectuais de esquerda, encabeça o repúdio à Folha, que também conta com figuras como o indefectível Emir Sader, intelectual que, diante de Che Guevara, cai de joelhos por terra, parafraseando a missa: “Guevara, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. Quem duvida que Emir Sader é capaz dessa oração diante do guerrilheiro argentino, leia o que ele escreveu num artigo publicado em Carta Maior: “Não vou gastar palavras inúteis para falar do Che. Basta reproduzir algumas das suas frases, que selecionei para o livro Sem Perder a Ternura”. Também diante de Marx e Fidel, Sader emudece: “O que falar de Marx que permaneça à sua altura? O que escrever sobre Fidel?”
    Se o ensino superior no Brasil, público e privado, não fosse mero aparelho ideológico da esquerda, Emir Sader jamais teria virado doutor em ciência política pela USP e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de orientador de teses e dissertações. Sem dúvida, estaria até hoje tentando passar no vestibular e sendo reprovado sempre, por não ter argumentos para retratar personagens da história. Que universidade isenta aceitaria um aluno que, ao ouvir falar de Marx, Guevara e Fidel, não fosse capaz de articular uma só palavra e se comportasse feito os silvícolas do Anhangüera, embriagado pelo álcool incandescente da revolução? Já imaginaram se um intelectual de “direita” dissesse não ter palavras diante de Karl Popper? Seria acusado de ignorante e charlatão. Emir Sader é um paradigma da universidade brasileira. Ele é a prova cabal de que, por trás da cantilena de “produção do conhecimento”, o que há nos mestrados e doutorados do país é uma usina de produção de marxismo e derivados.
    Estou plenamente convicto de que a universidade brasileira não é solução para nada — ela é parte essencial do problema. As principais mazelas do Brasil são fomentadas artificialmente pela universidade, que, desde a década de 50, na ânsia de criar um novo mundo, especializou-se em destruir o existente. Isso fica muito claro quando se estuda a origem social dos guerrilheiros que pegaram em armas contra o regime militar. Eles vieram, em sua maioria, das universidades. Não tinham o menor apoio popular. Como é que o povo podia apoiar um bando de tresloucados que, de arma em punho, pregavam a derrubada de uma ditadura imaginária? Porque até o final de 1968, com a edição do AI-5, só havia ditadura na imaginação dos universitários. Foi exatamente durante os propalados “Anos de Chumbo” que o Brasil viveu uma das maiores efervescências culturais de sua história, com os festivais, a imprensa alternativa, a Tropicália, o Cinema Novo, Chico e Vandré, Caetano e Gil. Ao contrário de Cuba, onde Chico Buarque seria fuzilado ou condenado a 20 anos de prisão se falasse mal de Fidel Castro, no Brasil, o máximo que lhe aconteceu foi ser admoestado pelos militares, o que lhe garante até hoje uma conta bancária maior do que seu indiscutível talento.
    Num ambiente assim, existe alguma razão plausível para se pegar em arma ou até para se perpetrarem atentados terroristas, como fizeram muitos grupos guerrilheiros? Obviamente, não. Em toda guerra, os primeiros sacrificados são os inocentes, portanto, a opção pela luta armada para derrubar um regime só se justifica quando esse regime é sanguinário e opressivo, incidindo sobre toda a vida social e não apenas sobre a esfera política. Era o que acontecia na terra do Menino do Pijama Listrado, daí o Levante do Beco de Varsóvia, em 1943, quando judeus desesperados — não tendo senão uma morte horrenda como alternativa — preferiram abreviar a vida numa luta suicida contra as tropas nazistas.
    Mas esse não era o caso do Brasil dos militares. Aqui, os guerrilheiros eram homens e mulheres bem nascidos que, por puro espírito de aventura, jogavam fora o futuro como médicos, engenheiros e advogados e se arvoravam a libertadores da pátria, sem notar que a maioria esmagadora da população — provavelmente mais de 90 por cento — não se sentia oprimida nem pedia para ser libertada. Pelo contrário, o regime instalado em 1964 teve forte apoio popular e quando começou a ser repudiado nas urnas, em 1974, com a expressiva vitória do velho MDB, esse repúdio era mais de caráter econômico que político. A inflação estava recomeçando e os pobres votaram contra a “carestia”, que é como chamavam a inflação na época.
    Já escrevi repetidas vezes, mas a ocasião me obriga a escrever de novo: quem acha que no Brasil houve uma ditadura sanguinária, totalitária, nos moldes nazistas (é essa a visão que se tem dos militares nas escolas) deve ler Pedagogia do Oprimido, o panfleto de auto-ajuda marxista do pedagogo Paulo Freire. Esse livro — que faz uma defesa explícita da luta armada e santifica Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-Tung — foi publicado em pleno ano de 1970, no Rio de Janeiro, pela Editora Paz e Terra, ligada aos padres da Teologia da Libertação. Em 1981, Pedagogia do Oprimido já estava na 10ª edição. Um verdadeiro best-seller, levando em conta que não é um livro comercial e o Brasil tinha muito menos estudantes universitários do que tem hoje. Ora, se o regime militar foi o período “mais sombrio da nossa história”, como dizem os intelectuais de esquerda, como se explica o sucesso editorial de uma obra que o combatia? Em Havana seria possível publicar um livro do gênero contra Fidel Castro, o santo fardado de Buarques e Sáderes?
    Mas nem é preciso recorrer à ditadura cubana para demonstrar que os intelectuais brasileiros mentem descaradamente quando dizem que o regime militar de 64 foi uma ditadura sanguinária. A própria história recente do Brasil — contada mentirosamente por eles — mostra a contradição em que incorrem. É só comparar a “Revolução de 30” com a “Ditadura Militar” (ponho as expressões entre aspas para remeter ao modo como os dois períodos costumam ser chamados nos livros de história). Qual a diferença entre os dois períodos? A rigor, nenhuma. Salvo o fato de que Getúlio Vargas era um ditador civil, obviamente apoiado por militares, porque toda ditadura precisa de armas.
    Se a sanguinária ditadura Vargas merece, nos livros de história, o epíteto de ‘Revolução de 30’ (justificadamente, por sinal), por que os governos militares não podem ser chamados de ‘Revolução de 64’, uma vez que também mudaram a face do Brasil?
    Sob o ponto de vista da repressão, Vargas foi muito pior do que os militares. O seu período, sim, foi literalmente “anos de chumbo”. Enquanto os militares procuraram preservar as instituições, garantindo eleições legislativas e a independência do Judiciário, Vargas centralizou todos os poderes em suas mãos, destituindo governadores e nomeando interventores em seu lugar. São Paulo se rebelou, na chamada Revolução Constitucionalista de 32, e Vargas bombardeou o Estado — o episódio mais sangrento da história brasileira no século passado, apesar de ofuscado pela preferência dos intelectuais pela Guerrilha do Araguaia. Todavia, mesmo quem não pegava em armas, não ficava ileso. O escritor Graciliano Ramos, individualista nato, incapaz de arregimentar qualquer movimento político, acabou sendo preso durante quase um ano, num presídio comum, sem julgamento. Seu único crime: escrever o romance São Bernardo, entre outros escritos tidos como comunistas. Bem que merecia, mas não teve indenização alguma pelo arbítrio de que foi vítima. Ao contrário dos fanfarrões que pegaram em armas contra os militares, o Velho Graça tinha vergonha na cara.
    Se a sanguinária ditadura de Getúlio Vargas merece, nos livros de história, o epíteto de “Revolução de 30” (justificadamente, por sinal), por que os governos militares não podem ser chamados de “Revolução de 64”, levando em conta que também mudaram a face do Brasil? Vargas já era ditador desde o início de seu governo, antes mesmo da implantação do Estado Novo, em 1937, quando a tresloucada Intentona Comunista de 35 levou ao recrudescimento do regime. Já os militares só foram verdadeiramente ditadores a partir de 12 de dezembro de 1968, quando editaram o AI-5, obrigados pelos atos de terror da esquerda armada, treinada e financiada por Fidel Castro e abençoada por intelectuais como Paulo Freire. Mesmo assim, foi uma ditadura cirúrgica, circunscrita aos inimigos declarados do regime. Tanto que não chegou a matar nem 500 pessoas, como reconhecem os próprios autores de esquerda nos balanços que fizeram do período. As vítimas inocentes, em sua maioria, tombaram por terem sido usadas como escudo pelos adversários do regime.
    Um dos argumentos de Maria Victoria Benevides para criticar o editorial da Folha é que não se mede ditadura com estatísticas: “Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas”. Em artigo publicado, na terça-feira, 24, o jornalista Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil da Folha, corrobora a tese da socióloga: “Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?” Claro que devemos — respondo eu. Todo crime só se iguala em repugnância para aquele que é sua vítima, mas para quem o analisa de fora, especialmente se esse alguém for um historiador, há uma enorme diferença entre matar 100 pessoas ou matar 100 mil. Se Hitler tivesse matado apenas uma centena de judeus, o nazismo seria a encarnação do mal no imaginário do mundo contemporâneo?
    Só não vê que ditadura também se mede com estatísticas aqueles que têm medo dos números. Ao ver que nenhuma ditadura capitalista até hoje conseguiu igualar os mais de 100 milhões de mortos do comunismo no mundo, a esquerda inventou esse argumento falacioso de que uma só morte perpetrada por uma ditadura diminui toda a humanidade, como se o homem-massa da revolução marxista tivesse lugar na poesia metafísica de John Donne. Justamente a esquerda, que não faz conta do individuo de carne e osso, só da massa de manobra da revolução. O regime militar não apenas matou muito menos gente do que outros regimes autoritários — também foi capaz de criar um modelo de ditadura que deveria ser exportado. Toda ditadura costuma ser encarnada por um homem só, que se torna escravo do poder que concentra, perdendo inclusive os freios morais. Daí a profusão de ditadores sádicos, pessoalmente sedentos de sangue humano.
    Boa parte do chamado movimento social — que hoje alimenta o PT e demais partidos de esquerda — começou a ser construído graças a esse processo de institucionalização do país gestado pelos militares. Começando pelas próprias universidades federais — cobras a quem os militares deram asas
    No Brasil isso não ocorreu. Os militares criaram uma espécie de ditadura institucional, em que o poder não era encarnado por nenhum homem, mas pela instituição — as Forças Armadas. Nem o principio federativo foi quebrado num primeiro momento, como ocorreu de imediato com a ditadura de Getúlio Vargas. Antes do recrudescimento da luta armada, ainda houve eleição para governadores e, mesmo depois que elas foram suspensas, o legislativo continuou funcionando. Essa quase normalidade institucional propiciou até o surgimento e fortalecimento de uma oposição que jamais houvera em toda a história do Brasil — a oposição institucional, criada e mantida pelas próprias entranhas do Estado.
    Boa parte do chamado movimento social — que hoje alimenta o PT e demais partidos de esquerda — começou a ser construído graças a esse processo de institucionalização do país gestado pelos militares. Começando pelas própriasuniversidades federais — cobras a quem os militares deram asas. A Reforma Universitária feita pelos militares em 1968 profissionalizou o ensino superior no país, instituindo antigas reivindicações da própria comunidade acadêmica, como dedicação exclusiva de docentes, introdução de vestibular unificado e implantação de mestrados e doutorados. Valendo-se dessa estrutura, os intelectuais de esquerda se infiltraram nas universidades e, a partir delas, forjaram em todo o país um movimento social de proveta, destinado não a resolver problemas, mas a fomentá-los.
    Um exemplo são os quase 50 mil homicídios que ocorrem anualmente no país. Eles decorrem, em grande parte, da irresponsabilidade doentia dos intelectuais brasileiros, que, à força de pressionar o Congresso Nacional, levaram à completa lassidão das leis penais, hoje irreversível, já que a mentalidade pueril da esquerda parece ter contaminado até os ministros do Supremo. Não é a toa que o ministro Gilmar Mendes deixa entrever que, a qualquer momento, pode soltar nas ruas 189 mil dos cerca de 440 mil presos do país, muitos deles homicidas e estupradores. Aí, sim, teremos um verdadeiro genocídio da população indefesa, em parte porque a esquerda, com o objetivo de demonizar os militares, transformou o falacioso conceito de direitos humanos num dogma divino. Como se vê, a criminalização paranóica dos militares só atende a um objetivo — esconder que os intelectuais de esquerda forjaram um país muito pior que o deles.
    * José Maria e Silva. Jornalista e sociólogo, com graduação em Jornalismo (1995) e mestrado em Sociologia (2003) pela Universidade Federal de Goiás. Foi redator-chefe do Jornal Opção, de Goiânia.

  10. A defesa do idiota é alegar não entender o que lê, assim, copia frases de outros ou escreve duas palavras para não se perder no próprio raciocínio limitado e tosco.

  11. Bendl, entre eu e você, no presente momento, não está havendo uma “discussão”:

    * Não chamo um “diálogo” entre surdos, com uma parede no meio, sem direito a computador, como uma “discussão de alto nível”.

    * Qualquer pessoa, medianamente informada ou que tenha boa vontade para se informar, sabe ou saberá a diferença entre os verbetes “tortura” e “tortura institucionalizada”.

    * Qualquer pessoa, com um mínimo de honestidade intelectual, consegue identificar que o tema em questão no presente artigo de Hélio Fernandes é a TORTURA INSTITUCIONALIZADA pela Ditadura de 1964/85.

    * Qualquer pessoa, com um mínimo de discernimento, consegue identificar quando alguém “cisca” pra tudo quanto é lado (usa de evasivas ou subterfúgios), como forma de fugir do tema central de uma discussão. A esse comportamento chamamos TERGIVERSAR – exatamente o que você tem feito. E tergiversação é a essência do discurso dos políticos que você tanto critica: pura demagogia para atrair incautos ou identificar espíritos afins – adeptos do mantra “Soldado não pensa…” e da “iscola” SOCILA.

    Talvez possamos conversar realmente sobre outros assuntos: a melhor forma de se preparar um churrasco, como derrubar boi “brabo” pelo rabo, como se obter uma boa pontuação numa pedana, se as chuvas chegarão mais cedo ou se a estiada vai castigar… mas, sobre a TORTURA INSTITUCIONALIZADA pela Ditadura de 1964/85, definitivamente não temos a mínima chance de conversar. Idem para os genéricos aficcionados pelo blog a verdade “sufocada”… sufocada por quem, cara pálida? Se foram os “corajosos” golpistas que destruíram todos os documentos que podiam, sufocando assim a incômoda verdade que não queriam que fosse conhecida?!

  12. Batista,
    Tu podes escrever o que quiseres, inclusive alegando que eu tergiverso a respeito da Tortura, esta que tu tens batido na tecla permanentemente.
    Pois continuo afirmando que ela não é a única, que existem outros modos de se fazer sofrer e humilhar uma pessoa, institucionalizada ou não.
    Agora, se tu não queres compreender e aceitar as argumentações que exponho, então a desonestidade intelectual eu te devolvo, te desejando que faças bom uso dela, pois a tua incapacidade de dialogar tem sido notória e petulante, arrogante e prepotente.
    Tu te sentes como aquele que somente relatas verdades, no entanto, elas são tuas, tão somente, e não podes e nem tens o direito de exigir que elas sejam para todos da forma como tu as interpretas e registras.
    Mais a mais, a tua expressão, “TORTURA INSTITUCIONALIZADA”, é por tua conta, haja vista que milhões de brasileiros ficaram isentos de ser torturados pela ditadura, podiam ir e vir, trabalhar, estudar, viajar, comprar o que quisessem.
    Muito diferente da tortura institucionalizada que queres apregoar aos brasileiros, se compararmos com a cubana, coreana do Norte, russa, antes de Gobachev e a chinesa, além da cambojana.
    Houve tortura na ditadura?
    Sim.
    No entanto, houve também do lado dos “revolucionários que ADOTORAM o mesmo critério tão condenado por ti!
    Quem é o desonesto intelectual neste caso ou, no mínimo, o tendencioso?
    A tortura somente é feita pelo Estado?
    Interessante alguns comentários que criticam com veemência os americanos que jogaram as bombas atômicas sobre o Japão na Segunda Guerra.
    Um ato escabroso, condenável, deplorável em todos os sentidos, entretanto, não leio na mesma diapasão sobre a crueldade dos mesmos japoneses com o que fizeram aos chineses quando invadiram a Manchúria, deixando Mengele como um simples aprendiz de atrocidades em nome da “ciência”.
    Ora, Batista, queres usar dois pesos e duas medidas, enfatizando a tua opinião e desmerecendo as demais, em demonstração nítida de estelionato mental, querendo diminuir da parte dos que escolheram pegar em armas que assassinaram, torturaram e roubaram – nada em questão com a propalada “luta” pela democracia – como simples bandidos!
    Então esta pode? É válida? Havia liberdade para matar os militares e civís em nome de quem, mesmo?
    E não me venha com a conversa mole de que estavam se defendendo!
    Aniquilando inocentes?
    Assaltando bancos?
    Explodindo aeroportos?
    Sequestrando estrangeiros?
    Quem mais INSTITUIU A VIOLÊNCIA?
    Foram somente os militares?
    Reflete, pois o teu mal é justamente usares da surdez como refratária a ouvires o que não gostas, de que a TORTURA não é diferente em situação alguma!
    Condeno esses métodos violentos, infames, repito, mas não TERGIVERSO como erroneamente escreves porque abomino a tortura como tortura venha de onde vier e praticada por quem quer que seja.
    Resgatando o episódio que envolve Hélio Fernandes, QUE NÃO FOI TORTURADO FISICAMENTE, salvo quando preso e levado aos quartéis, um tipo de tortura mental pela imaginação do que lhe poderia acontecer, que teve o seu patrimônio destruído porque escrevia a respeito de LIBERDADE, eu bem que gostaria e pediria encarecidamente a ele, caso me honrasse com a sua resposta, se foi sofrimento maior ver a sua obra a patrimônio destruídos pela violência do regime ou a sua Ação de Indenização que se arrasta por mais de trinta anos e com sentença favorável, sem ter recebido a compensação mínima que fosse até os dias de hoje?
    E, mais:
    Em período democrático e de enaltecimento ao “social”!
    Entretanto, os que se inscreveram para receber indenizações porque perseguidos pelo regime ou porque perderam seus empregos ou por quaisquer outras razões, receberam BEM ANTES DO HÉLIO e, certamente, deram entrada aos seus pedidos na Justiça ou no setor competente bem depois do nosso admirado jornalista!
    Por acaso esta INJUSTIÇA não é TORTURA, Batista?
    E, tu sabes me dizer, se institucionalizada ou apenas verbete de dicionário?
    Por favor, mais respeito às pessoas que discordam eventualmente de teus comentários, haja vista que a desonestidade que abordas não é intelectual, mas a falta de princípios que deixas transparecer com relação ao sofrimento alheio, e não somente ao teu ou de conhecidos teus que, lamentavelmente, amargaram com injustiças sofridas e torturas que não importam se institucionalizadas ou eventuais, ocasionais ou intencionais – TORTURA, que jamais deveria ser usada em qualquer tempo ou sistema, regime ou condição.
    Se continuas fazendo ouvidos moucos, pensa bem quem está usando de subterfúgios nesta questão!

  13. Como bom marxista (Groucho) e, portanto, admirador da dialética, sugiro aos nobres intelectuais contrários que tentem rebater os argumentos de José Maria da Silva, supra transcritos. Deleitar-me-ei, por certo, nesse embate. Abraços fraternos.

  14. O crescimento do Brasil foi espantoso na época da ditadura, e eu preveria mil vezes os generais que se a turma do Dirceu e Genuino que queriam implantar a ditadura socialista no Brasil.

  15. Com todo o respeito,hélio Fernandes erra qdo critica Castelo e enaltece Lima Brayner.Nos livros escritos sobre a Feb e em conversas com ex-combatentes,o que surge é que Brayner foi um general omisso e pouco atuante.Castelo ocupou esse espaço,com a anuência de Mascarenhas e do Estado Maior,deixando Brayner furioso,o que demonstrou em seu livro pós guerra,o único que o enaltece. É só pesquisar com os que estiveram lá.Com erros e acertos,Castelo jamais se omitiu,sendo até hoje reverenciado pelos febianos.
    Concordo em grande parte com os comentários do Charles e do Bendl.

  16. Sr Helio; no livro de Ronaldo Costa Couto (Ditadura e a Abertura no Brasil), ele fala da criatividade histórica dos Militares em 1964,ao criarem uma Ditadura com Ditadores rotativos.

  17. Eu acho que o erro de 64, foi ficarem no poder muitos anos. Se tivessem feito a limpeza e entregado o país a políticos nacionalistas, que amassem este Brasil garanto que o resultado seria outro.

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