General Braga Netto, novo ministro da Casa Civil, antecipa aposentadoria no Exército

General adiantou em cinco meses sua transferência para a reserva

Tânia Monteiro
Estadão

O general Walter Braga Netto comunicou nesta quinta-feira, dia 20, ao comandante do Exército, Édson Pujol, que resolveu antecipar em cinco meses a aposentadoria das Forças Armadas. Braga Netto tomou a decisão por ter sido designado para ocupar o cargo de ministro da Casa Civil no lugar de Onyx Lorenzoni, deslocado para o Ministério da Cidadania.

Ao pedir sua aposentadoria, o general se afasta do Exército e ajuda a narrativa de que a instituição é de Estado e está fora de discussões políticas. No Alto Comando há uma preocupação com a possibilidade de se misturar Exército com governo.

GOVERNO MILITAR – Oficiais insistem em deixar claro que este não é um governo militar, embora o presidente Jair Bolsonaro seja um ex-capitão do Exército. Além disso, o vice-presidente Hamilton Mourão também é general e vários ministros são oriundos das Forças Armadas.

Braga Netto completaria quatro anos no posto de general de Exército em 31 de julho e, pelo Estatuto dos Militares, cairia na “expulsória”. O termo é usado na caserna quando o militar tem de pedir sua transferência obrigatória para a reserva. A situação do novo titular da Casa Civil é diferente da vivida pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos.

REINTEGRAÇÃO – O articulador político do Palácio do Planalto é da ativa e está licenciado da Força por dois anos, até junho de 2021, quando também irá compulsoriamente para a reserva. Até lá, no entanto, se Bolsonaro entender que precisa do seu cargo, Ramos poderá voltar para a tropa e ser reintegrado ao Alto Comando.

Na reunião realizada no Quartel-General do Exército, Braga Netto também avisou que estava deixando o grupo de WhatsApp do Alto Comando, do qual é administrador.

O “posto” será transferido para o general Marco Antonio Amaro dos Santos, que assumirá a Chefia do Estado-Maior do Exército no fim de março. O grupo é composto por 16 generais, que trocam mensagens sobre questões da caserna. Ramos não está nele.

PROMOÇÕES –  Com a saída de Braga Netto, as promoções de 31 de março terão duas vagas de general quatro estelas, o mais alto posto da Força. A primeira, do general Geraldo Antonio Miotto, atual Comandante Militar do Sul, será ocupada por Fernando José Sant’Anna Soares e Silva, designado para o Comando Militar do Oeste, em Campo Grande (MS).

Para o lugar de Miotto, em Porto Alegre, irá o general Valério Stumpf Trindade, que deixará a Secretaria de Economia e Finanças do Exército. A segunda vaga de quatro estrelas das promoções de março ficará com o general Eduardo Antonio Fernandes. Ele irá para o comando Militar do Sudeste, em São Paulo, no lugar do general Amaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Conforme esta Tribuna já vinha antecipado, para evitar possíveis questionamentos sobre o fato de ser militar da ativa e estar à frente de uma pasta tradicionalmente ocupada por um civil, Braga Netto anteciparia a sua transferência para a reserva, prevista para julho deste ano. A matéria ratifica o que adiantamos. (Marcelo Copelli)

8 thoughts on “General Braga Netto, novo ministro da Casa Civil, antecipa aposentadoria no Exército

  1. Mais um acumulador de soldos e salários ? Mais um peso pesado para o erário, e menos dinheiro para a saúde, educação, segurança pública, etc. e tal, para manutenção de um sistema podre que, à evidência, não vale o quanto pesa sobre os ombros da população pagadora de tributos a duras penas e sacrifícios. Depois ainda dizem que são os “bagrinhos” os parasitas da nação, os bagrões ensaboados não .

  2. O Brasil tem um excesso de oficiais tão grande mas Forças Armadas, está que vive reclamando com pires na mão em governos passados, embora sempre formando mais e mais oficiais temporários todos os anos, postos na reserva com os 3/4 anos, além dos recrutas.
    O modelo das FFAA foi copiado nas Polícias (militares) estaduais, compostas de servidores para desempenhar uma atividade de comando das menos complexas (no policiamento preventivo) enquanto os comandados (soldados, cabos e sargentos) são colocados sob péssimas condições de trabalho e na linha de frente.

    Não acabou.
    Tem que acabar.
    Eu quero o fim da Polícia Militar
    (e também do excesso de oficiais das Forças Armadas)

  3. Os alto-oficiais militares citados tiram por mês acima do teto com os penduricalhos.
    Agora se afastando para reserva, ainda vai tirar. Só que em contracheque separado.
    Tudo para engordar um pouco mais graças à reforma da “Previdência” dos militares.

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