Geraldo Alckmin vira réu por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2 de R$ 11,3 milhões da Odebrecht

Denúncia foi feita pelo MP-SP na chamada Lava Jato eleitoral

Paulo Roberto Netto
Estadão

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) virou réu nesta quinta-feira, dia 30, por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) após o juiz Marco Antonio Martin Vargas aceitar denuncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral na última quinta-feira, dia 23.

Com a decisão, o tucano passa a responder a ação penal eleitoral por suposto caixa dois de R$ 11,9 milhões pagos pela Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014. A decisão também coloca no banco dos réus o então tesoureiro da campanha de Alckmin em 2014, Marcos Monteiro, e o ex-assessor do governo Sebastião Eduardo Alves de Castro. Ambos teriam recebido os repasses ilegais da empreiteira em nome do tucano.

INDÍCIOS – De acordo com o juiz eleitoral, o Ministério Público Eleitoral apresentou indícios suficientes de materialidade dos crimes supostamente cometidos pelo tucano. Entre as provas listadas pela Promotoria, no que ficou conhecido como ‘Lava Jato Eleitoral’, estão depoimentos de delatores da Odebrecht, registros de pagamentos, e-mails e planilhas com codinomes relacionados à Marcos Monteiro (‘M&M’) e até mensagens trocadas por funcionários do doleiro Alvaro José Gallies Novis, que teria operacionalizado o pagamento de R$ 9,3 milhões em propinas a Sebastião Alves de Castro, o ‘senhor Eduardo Castro’.

O cunhado do ex-governador, Adhemar Ribeiro, o ‘Belém’ do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, teria recebido R$ 2 milhões em 2010, mas o Ministério Público apontou que os crimes já prescreveram. “Os depoimentos dos colaboradores e das testemunhas, somados aos elementos de corroboração acostados nos autos, em tese, perfazem conjunto de indícios, por ora, capaz de reforçar a convicção sobre o envolvido dos denunciados no complexo esquema de solicitação e recebimento de vantagens indevidas em razão de função política, omissão de dados à Justiça Eleitoral e lavagem de capitais, supostamente erigido para dissimular os fins ilícitos dos grupos políticos e empresariais apontados”, afirmou o juiz Marco Antonio Martin Vargas.

COMPARTILHAMENTO – O magistrado também autorizou o compartilhamento dos autos da ação contra o tucano com a 9ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, que move ação de improbidade administrativa contra Alckmin pelo mesmo episódio. A defesa do ex-governador poderá apresentar defesa nos autos em até dez dias.

De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Alckmin recebeu R$ 2 milhões da Odebrecht em 2010 e R$ 9,3 milhões em 2014, quando disputou e se reelegeu governador de São Paulo. Uma semana antes da denúncia, a Polícia Federal indiciou o tucano no caso. O primeiro repasse, em 2010, foi efetuado por intermédio de Adhemar Ribeiro, cunhado do tucano. Os pagamentos teriam sido feitos ao escritório de Ribeiro e apareciam nas planilhas do Departamento de Operações Estruturadas sob o codinome ‘Belém’.

Em 2014, o esquema teria contado com a participação do então tesoureiro de campanha Marcos Monteiro, que teria atuado ao lado da Odebrecht na autorização, planejamento e execução dos pagamentos da propina. Os repasses foram feitos em 11 parcelas, totalizando R$ 9,3 milhões, e entregues pela Transnacional, empresa do doleiro Alvaro Novis, ao ‘senhor Eduardo Castro’, o assessor Sebastião Eduardo Alves de Castro, conforme registram mensagens obtidas pelo Ministério Público.

TROCA DE MENSAGENS – O endereço de Sebastião Castro consta em diversas mensagens trocadas por funcionários do doleiro como local de entrega de propina. Além disso, os pagamentos foram lançados na planilha sob o codinome ‘M&M’, de Marcos Monteiro.

“Os recursos não foram registrados nas prestações de contas do candidato (falsidade ideológica), que solicitou e recebeu vantagem indevida (corrupção passiva), pagas pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht, a partir do emprego de métodos ilícitos como uso de ‘doleiros’, com o fim de ocultar a origem dos valores e dificultar a possibilidade de seu rastreio (lavagem de dinheiro). Esses recursos destinavam-se, num primeiro momento, ao financiamento eleitoral indevido (não declarado) e, num momento seguinte, pós eleições, à manutenção da influência do grupo empresarial junto ao governo”, afirmou a Promotoria.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com Serra e Alckimin ocupando o noticiário policial, quem deu uma sumida das redes foi o ex-presidente FHC. Há exatos 20 dias que Fernando Henrique não escreve nada na internet. Falta de inspiração ou cautela mesmo?  (Marcelo Copelli)

9 thoughts on “Geraldo Alckmin vira réu por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2 de R$ 11,3 milhões da Odebrecht

  1. Calma, ainda restam muitos recursos, embargos etc e tal, mais uns dez anos e tudo prescreve. Até lá ou o próprio já faleceu, ou perderam o processo, ou prescreveu. Além do que a fila não está sendo observada. Devem ter ainda muitos do PT para serem denunciados…..

  2. Lembrei e cobrei a ausência do paladino de araque, FHC, bem antes de você, caro Marcelo. Sinceramente, não acredito que Alckmin esteja envolvido em corrupção.

  3. Há exatos 20 dias que Fernando Henrique não escreve nada na internet. Falta de inspiração ou cautela mesmo?

    Sr. Copelli, para quem dava quase 1.000 entrevistas por dia, de repente parar é sinal que o calo apertou.
    A propósito, Don Fhcorleone foi citado em algumas delações dos chefões das empreiteiras……
    E pode cavar mais, vai achar bastante coisinhas dos tucanalhas corruptos.

  4. Se vocês lerem os relatórios do Banestado cc5 que gerou uma CPI que teve dois relatórios não votados em um grande acordo PT e PSDB QUE TRAZ NOMES E VALORES AI FICARÃO DE BOCA ABERTA.Se perguntem porque a mídia e canais de esquerda não dão uma linha sobre o Banestado CC5,inclusive a Tribuna.E vem ai os documentos que Lula pediu a Suíça que traz nomes e valores e desmoraliza os falsos moralisras de Curitiba.

  5. Complementando;os meios jamais pode justificar os fins em nenhuma situação.Lula não é santo nem o PT QUE JÁ SE ENVOLVIA EM CORRUPÇÃO DESDE OS ANOS 90 EM PREFEITURAS POREM NÃO HÁ PROVAS QUE JUSTIFIQUEM A PRISÃO DE LULA ,afirmação feitas por MORO eDALAGNOL

  6. É isso aí, minha gente! Corrupção não é preconceituosa! Pensaram que era monopólio petista? Nada disso, ela é democrática. O único corrupto que não estigmatizou um partido político, foi o Mito, sujou oito. Eta sujeito justo!

  7. Não foi só o FHC que sumiu ……

    E Moro que dá palpite em tudo e vive mudando de narrativa sobre o que motivou seu pedido de demissão …

    Não fala nada ??

    Ele saiu começaram a caça dos penosos ( q tem penas ) tucanos !!

    Fez um ótimo trabalho na caça dos ptralhas , mas deixou os tucanos de fora , porque ???

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