Gilmar diz que é preciso haver limites (mas só para os outros, é claro…)

Gilmar insiste que caixa pode não ser crime

Francisco Leali
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez duras críticas ao que chamou de “abusos” em investigações. A crítica foi feita nesta segunda-feira, durante seminário do Grupo de Líderes Empresariais em Pernambuco. Gilmar Mendes se posicionou contra as atitudes tomadas por juízes e procuradores, afirmando que investigações devem sim ser feitas, mas que o abuso não pode ser permitido.

— Expandiu-se demais a investigação, além dos limites. Abriu-se inquérito para investigar o que já estava explicado de plano. Qual é o objetivo? É colocar medo nas pessoas. É desacreditá-las. Aí as investigações devem ser questionadas.

O CASO DO STJ – Gilmar Mendes, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), usou como exemplo as investigações contra os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão e Marcelo Navarro, para averiguar se a nomeação de ambos se deu como troca de favores para obstrução de investigação da Operação Lava-Jato.

— Quem é que não pediu para ser indicado? Quem é que não fez lista de apoio? Agora esse infeliz, grande sujeito, bom acadêmico, bom juiz está sendo investigado. Qual é o objetivo desse inquérito? Vai levar a algum lugar? Alguém vai provar que ele negociou alguma decisão? Claro que não, mas o objetivo é constrangê-lo. E constranger o tribunal. E constranger a magistratura. Ele se opôs às investigações abertas e declarou que nenhum país deveria se organizar com o objetivo principal de combater a corrupção, em termos institucionais e econômicos.

SEM LIMITES – Para Gilmar, faz-se necessário limites. “Nós não podemos despencar para um modelo de estado policial, como também não se pode cogitar de investigações feitas na calada da noite. Arranjos e ações controladas que tem como alvo qualquer autoridade ou o próprio Presidente da República, por quê não? Não se combate crime cometendo crime”.

O ministro argumentou que o combate à corrupção virou pauta única do debate nacional e que começaram a investigar situações que ele definiu como “mera irregularidade”, citando como exemplo doações por caixa 2, ato que ele já havia defendido que não necessariamente era pressuposto de corrupção.

REFORMA POLÍTICA – Gilmar Mendes ainda defendeu a reforma política e salientou a importância da política e dos políticos para a democracia, mas afirmou que um governo não pode ser chefiado por juízes e promotores.

Para ele, colocar esses agentes no poder seria uma forma de ditadura e não necessariamente os juízes e promotores seriam capaz de gerir melhor o país.

— Deus nos livre disso. O autoritarismo que nós vemos aí revela que não teríamos um governo, mas uma ditadura. (…) Ninguém (do Judiciário) cumpre teto (salarial), só o Supremo. Vocês vão confiar a essa gente que viola o princípio de legalidade a ideia de gerir o País? Não dá.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Gilmar concorre ao prêmio Piada do Ano. Diz que é preciso haver limites, mas ele próprio age sempre como se não existissem limites para nada. E defende a tal “reforma política”, porque é ele mesmo quem está comandando o processo, a pedido do amigo Michel Temer, que ele fez questão de julgar no TSE, como se não existisse mais suspeição de magistrados. Isto, sim, é agir sem limites. (C.N.)

10 thoughts on “Gilmar diz que é preciso haver limites (mas só para os outros, é claro…)

  1. Em carta escrita a mão, Eduardo Cunha diz que

    1. Joesley mentiu à Época, pois o delator teria esquecido de um “encontro que durou horas, no dia 26 de março de 2016, sábado de aleluia, na sua residência (…), entre eu, ele e Lula, a pedido do Lula, afim de discutir o processo de impeachment”

    2. Vai pedir ao STF que anule delação da JBS, por conta dessa “mentira”

    3. Reconhece ser íntimo do delator da JBS:

    “Lamento ter exposto a minha família à convivência com esse perigoso marginal, na minha casa e na dele”

    https://goo.gl/TrDhTD

  2. Na Folha, professor Joaquim Falcão expõe as digitais dos EUA para fechar o acordo de delação premiada da JBS.

    O destino dos campeões nacionais? Virar campeões americanos?

    https://goo.gl/265Ckb

    E assim acaba a corrupção no Brasil…….

    • Dez gramas de mortadela. Arruma outra que esta está de chorar. O Lulla é o maior ladrão da história do Brasil e não vão ser os teus posts que vão livrá-lo da prisão. O Lulla já era e os petistas e comedores de mortadela, também.

  3. As ações para estancar a sangria estão a pleno vapor . Se cuidem Fachin e Janot. A artilharia vai ser pesada, incluindo fogo amigo. É uma semana decisiva para a lava jato.

  4. ” Expandiu-se demais a investigação, além dos limites. Abriu-se inquérito para investigar o que já estava explicado de plano. Qual é o objetivo? É colocar medo nas pessoas.”

    -SE estiverem colocando medo, não estarão colocando medo EM PESSOAS, em cidadãos honrados… estarão colocando medo EM BANDIDOS !!!
    -Mas nesta república, para as nossas autoridades, o cuidado com o bem-estar e a saúde mental dos bandidos vêm antes da preocupação com a saúde e o bem-estar da população – justamente a que foi roubada por eles!
    -Seria “espírito de corpo”?

    Abraços.

  5. Canalha é sempre canalha, que moral tem o Gilmar Pilatos Mendes, se é um estuprador e vilipendiador da Justiça. A merda é que o povo tem que aguentar a corja que infelicita o País;
    Esses criminosos hediondos, que roubam o povo trabalhador, garantem o Ranger de dentes, pós túmulo.

  6. A questão não é o caixa dois e sim o dinheiro roubado. Agora, o Gilmar Mendes inventou uma nova lei para a qual o dinheiro roubado que for para o caixa dois não é crime. O que se discute não é o número da caixa e sim o roubo de dinheiro público que é pago através dos impostos dos contribuintes. E, o dinheiro do roubo não tem sido tão usado em campanhas eleitorais mas sim, na verdade, em uso próprio dos ladrões. O Gilmar Mendes deveria pensar um pouco mais antes de dizer tanta bobagem ou vamos acabar entendendo que ele também faz parte do esquema de corrupção.

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