Gilmar e Guiomar Mendes, embaralhados na poesia eterna de Cartola e Ary Barroso

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Gilmar e Guiomar estão cada vez mais enrolados

Pedro do Coutto

Para não dizer que não falei de flores, título de uma das últimas colunas de Carlos Castelo Branco no Jornal do Brasil, é meu assunto de hoje. Em entrevista à Folha de São Paulo desta quinta-feira, a advogada Guiomar Mendes, mulher do ministro Gilmar Mendes, rebateu a representação do Procurador Geral Rodrigo Janot contra o seu marido, na qual sustenta a intimidade entre ele e Jacob Barata Filho, por ser este pessoa de suas relações, conforme ficou atestado pela iniciativa do empresário de enviar flores ao casal.

A matéria na Folha de São Paulo está assinada por Letícia Casado. No Estado de São Paulo, a reportagem sobre o caso é de Fausto Macedo, também nesta quinta-feira. E O Globo publicou matéria sobre o tema, em que Gilmar Mendes e Guiomar Mendes afirmaram não se lembrar de terem recebido a gentileza. Gesto pouco simpático. Afinal de contas quando se recebe flores costuma-se agradecer. Pode não ser por escrito, mas através de um telefonema.

DESAPREÇO – Me surpreende é não terem se recordado. O que pode ser interpretado como um sinal de desapreço ou desconsideração aos remetentes. Digo remetentes porque as flores estavam assinadas por Jacob Barata Filho e sua mulher. Mas esta é outra questão.

Quando eu digo que o casal Gilmar e Guimar Mendes se incluem nas poesias de Cartola e Ary Barroso é porque o primeiro é autor da bela canção “As Rosas Não Falam”, eternizada no contexto da música popular brasileira. De fato as rosas não falam, caso contrário elas poderiam revelar o equívoco de a remessa não ter sido gravada na memória do casal ilustre. Mas citei Ary Barroso e a razão está no fato de Guiomar Mendes ter afirmado que Rodrigo Janot caiu num momento ridículo ao fazer espuma sobre o nada, viajando para o desimportante.

Espuma é uma palavra contida no samba canção de Ary Barroso “Risque”. Num dos versos marcantes da canção, ficou escrito no tempo a frase “toda quimera se escuma, como a brancura da espuma que se desmancha na areia”.

NÃO MANDAM FLORES – A página poética do episódio ainda comporta uma outra citação, da peça teatral de Pedro Bloch “Os inimigos Não Mandam Flores”, grande sucesso na década de 50. De fato os inimigos não mandam flores e a amigos que os atrapalham. Não estou dizendo que as flores de Jacob Barata Filho e sua esposa se destinassem a colocar uma sombra num relacionamento cordial.  O relacionamento, na verdade, só poderia ser cordial, já que Gilmar Mendes foi padrinho do casamento da filha de Barata com um sobrinho de sua mulher Guiomar Mendes.

As flores objeto da reportagem de Letícia Casado não foram remetidas agora, como se pudesse supor que se tornassem manifestação de agradecimento pela transformação da prisão do empresário de ônibus transferida para seu domicílio. Não, nada disso. As rosas chegaram dois anos depois do casamento destacado nos dias de hoje pela memória da imprensa.

SINAL DE AMIZADE – O que representam as rosas? Apenas um sinal de amizade transmitido por um conjunto de cores. O sinal de amizade, pelo esquecimento registrado, não foi bem compreendido. As flores não falam, mas exalam (como disse Cartola) um sentimento de afeto e de aproximação.

Se tal aproximação será ou não motivo do impedimento levantado por Rodrigo Janot, este será um problema a ser respondido pelo Plenário do próprio Supremo Tribunal Federal.

2 thoughts on “Gilmar e Guiomar Mendes, embaralhados na poesia eterna de Cartola e Ary Barroso

  1. Mau gosto, seu escritor. Não se deve lembrar, nem de longe, o nome de um poeta amado como o Cartola com um ministro odiado e de fama temporária como a vida de uma mosca. O senhor estragou meu dia.

  2. Que poder tem este senhor, parece que ministros do stf tem medo dele, se há regimento interno devem aplicá-lo, não entendo a posição destes ministros.

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