Glenn Greenwald e outras seis pessoas são denunciados por ligação com hackers

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Gleen Greenwald até pensou (?) que iria escapar incólume

Tácio Lorran, Guilherme Waltenberg e Raphael Veleda
Metropoles

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta terça-feira (21/01/2020) sete pessoas por invasão de celulares de autoridades brasileiras. A ação ocorre no âmbito da Operação Spoofing e um dos denunciados é o diretor do site The Intercept, Glenn Greenwald. O veículo usou as mensagens para publicar uma série de reportagens, a Vaza Jato.

O atual ministro da Justiça, Sergio Moro, foi um dos alvos das invasões e reportagens, assim como o coordenador da operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol.

ORCRIM E LAVAGEMSão apontadas a prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro, bem como as interceptações telefônicas engendradas pelos investigados.

O jornalista Glenn Greenwald foi denunciado, embora não tenha sido investigado nem indiciado pela Polícia Federal. Para o MPF, ficou comprovado que ele auxiliou, incentivou e orientou o grupo criminoso durante o período das invasões.

No que se refere à responsabilização de Glenn, o MPF ressalta que o jornalista não era alvo das investigações. A conduta foi adotada em respeito à medida cautelar proferida pelo ministro Gilmar Mendes, que proibiu apurações sobre a atuação do denunciado.

DIÁLOGO DE GLENNOcorre que, durante a análise de um computador MacBook apreendido – com autorização da Justiça – na casa de Walter Delgatti, foi encontrado um áudio de um diálogo entre Luiz Molição e Glenn.

A denúncia, assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira, relata que a organização criminosa executava crimes cibernéticos por meio de três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos (como, por exemplo, celulares) e lavagem de dinheiro.

A peça não explora os crimes de fraudes bancárias. Nesse sentido, a finalidade ao citá-los é apenas o de caracterizar o objetivo dos envolvidos e explicar as suas ligações. Uma ação penal apresentada posteriormente tratará tais crimes.

A QUADRILHAAs apurações realizadas, na visão do MPF, esclareceram os papéis dos denunciados. Walter Delgatti Netto e Thiago Eliezer Martins Santos atuavam como mentores e líderes do grupo. Danilo Cristiano Marques era “testa-de-ferro” de Walter, proporcionando meios materiais para que o líder executasse os crimes, segundo o MPF.

Gustavo Henrique Elias Santos era programador, desenvolveu técnicas que permitiram a invasão do Telegram e perpetrava fraudes bancárias. Suelen Oliveira, esposa de Gustavo, agia como laranja e “recrutava” nomes para participarem das falcatruas.

E, por fim, Luiz Molição invadia terminais informáticos, aconselhava Walter sobre condutas que deveriam ser adotadas e foi porta-voz do grupo nas conversas com Greenwald.

DIÁLOGO REVELADORDe acordo com o MPF, a conversa foi realizada logo após a divulgação, pela imprensa, da invasão sofrida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. “Nesse momento, Molição deixa claro que as invasões e o monitoramento das comunicações telefônicas ainda eram realizadas e pede orientações ao jornalista sobre a possibilidade de ‘baixar’ o conteúdo de contas do Telegram de outras pessoas antes da publicação das matérias pelo site The Intercept“, explica o MPF.

Greenwald, então, indica que o grupo criminoso deve apagar as mensagens que já foram repassadas para o jornalista de forma a não ligá-los ao material ilícito, “caracterizando clara conduta de participação auxiliar no delito, buscando subverter a ideia de proteção a fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos”.

Ou seja, Greenwald, diferentemente da tese por ele apresentada, recebeu o material de origem ilícita, enquanto a organização criminosa ainda praticava os crimes.

IMPRENSA LIVRENo documento enviado à 10ª Vara de Justiça Federal, Wellington Oliveira destaca que a “liberdade de imprensa é pilar base de um Estado Democrático de Direito e faz parte do papel da mídia desnudar as entranhas dos esquemas de poder e corrupção que assolam o país”.

O documento diz ainda que, quando um jornalista recebe informações que são produtos de uma atividade ilícita e age para torná-las públicas, sem que tenha participado na obtenção do conteúdo ilegal, cumpre seu dever jornalístico. “No entanto, os diálogos demonstraram que Glenn Greenwald foi além ao indicar ações para dificultar as investigações e reduzir a possibilidade de responsabilização penal”, diz o MPF.

Diante dos fatos, a Operação Spoofing pede a condenação dos acusados visto que foram comprovadas 126 interceptações telefônicas, telemáticas ou de informática e 176 invasões de dispositivos informáticos de terceiros, resultando na obtenção de informações sigilosas. Com exceção de Glenn, todos os outros denunciados responderão pelo crime de lavagem de dinheiro.

DELAÇÃO PREMIADAEm cota enviada junto à denúncia, o MPF explica que Luiz Henrique Molição firmou acordo de colaboração premiada com o órgão, prevendo o não oferecimento de denúncia contra si. No entanto, a principal prova apresentada por Molição – um aparelho celular – estava vazio, sem elementos novos que pudessem auxiliar as investigações.

Como o denunciado também chegou a apresentar outras declarações que acabaram por reforçar a participação de Thiago Eliezer no esquema criminoso, o MPF pede a redução de pena do acusado em 2/3, com cumprimento em regime aberto.

MAIS INVESTIGAÇÕESPor fim, vale destacar que as investigações para esclarecerem uma possível existência de mandantes ou de lucros financeiros obtidos a partir das invasões continuarão. Por esse motivo, o MPF solicita a manutenção das prisões de Walter Delagatti e Thiago Eliezer dos Santos.

Uma cópia da presente denúncia será encaminhada à Procuradoria-Geral da República, para que subsidie eventual pedido de revogação da liminar que impede a realização de investigações sobre a atuação de Glenn Greenwald no caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Como tudo na vida, liberdade de imprensa também tem limites. Mas Gleen Greenwald pensou (?) que no Brasil estava tudo liberado, em todos os sentidos. (C.N.)

30 thoughts on “Glenn Greenwald e outras seis pessoas são denunciados por ligação com hackers

  1. Só falta prender junto com ele, Jornalistas, Políticos, e Entidades Esquerdopatas que participaram desse Crime contra o Brasil e seu Povo, sim, também os “juizecos garantistas que aceitaram esse crime e invencionice bandida” ! Será que vão filmar um novo documentário ? A Vertigem dos Bandidos Ladrões Nacionais e Internacionais Lulopetralhas do Brasil ????

  2. Ontem no Roda Viva o Moro deu uma cacetada no Gilmar Mendes. Hoje foi o MPF e a PF. Que vergonha monumental para Gilmar, Lewandowisky, Folha de São Paulo, Reinaldo Azevedo… todos devidamente DESMORALIZADOS !!!

    Moro, PF, MPF, mexeram com o que o Brasil tem de melhor!

    Hackearam Presidente Bolsonaro, Eduardo, Carlos e Flavio. Ficou claro que queriam destruir o Governo. Deram um passo maior que a perna.

    Tá faltando a Manuela D’Avila nessa história.

      • Vcs ainda estão nessa?

        Primeiro, tudo que estiver gravado foi obtido de forma ilegal, portanto não pode ser validado. Não entenderam isso ainda?

        Segundo, já foi mostrado que o material original difere do que foi divulgado o que prova que o material foi manipulado, novamente tornando todo o material inservível para fins jurídicos. Duplamente inservível.

        Terceiro, não foi demonstrado nada de ilegal sobre as ações do Moro e do MP, portanto a “validação” do material seria inútil.

        Resumindo para que os esquerdistas entendam de uma vez, o material exposto pela Grenvaldo é legalmente nulo, ilegal e não demostra nenhum crime. Entenderam ou precisa desenhar?

  3. ISTO É UMA DENÚNCIA OU A PEÇA PROCESSUAL CHAMADA ALEGAÇÕES FINAIS ???

    Decididamente, a maioria dos membros do Ministério Público Federal não sabe elaborar denúncias com imputações claras, objetivas e precisas.

    Parecem que estão elaborando petições iniciais próprias do Direito Processual Civil.

    Assim, fica muito difícil entender o que é imputado ao acusado e o que são narrativas laterais e contextualizações.

    Mais do que imputar crimes. eles se preocupam em explicar por que estão fazendo estas ou aquelas acusações, transcrevendo, na denúncia, depoimentos, laudos, gráficos, etc.

    Em 31 anos atuando no Ministério Público do E.R.J, jamais produzi uma denúncia com mais de dez páginas, todas aptas e recebidas pelo Poder Judiciário. Todas em conformidade com a regra do artigo 41 do Cod.Proc.Penal.

    Vejam a temerária e descabida acusação relativa ao conceituado jornalista GLENN EDWARD GREENWALD,

    Parece-me que esta imputação não encontra respaldo mínimo na prova carreada para o inquérito policial. Talvez por isso mesmo ele não foi sequer indiciado pela Polícia Federal.

    O diálogo transcrito (sic) na denúncia do Ministério Público Federal não autoriza imputar ao jornalista a participação nos crimes atribuídos aos demais acusados. Não há participação em crime já consumado !!!

    Também parece-me temerária a imputação ao Greenwald de membro de uma suposta organização criminosa. O jornalista sequer conhecia os demais acusados e apenas teria falado com alguns deles por telefone, após as interceptações já terem sido consumadas.

    Cada vez mais estão banalizando o crime de organização criminosa, levados por uma perigosa sanha punitivista.

    Para alguns membros do Ministério Público, o concurso de pessoas acaba sempre sendo tipificado como crime autônomo: organização criminosa.

    Erros técnicos ou ma-fé ??? Abuso de autoridade ou desconhecimento do Direito Penal ???

    Vejam a referida denúncia através do link abaixo.

    https://www.conjur.com.br/dl/denuncia-glenn-hackers-autoridade.pdf

    Afranio Silva Jardim, mestre e livre-docente em Direito Processual Penal pela Uerj. Professor associado (aposentado) de Direito Proc.Penal da Uerj.

  4. É o que jornalistas devem manifestar, do contrário são meros funcionários de lojas de secos e molhados.

    “O New York Times noticiou nesta manhã que Glenn Greenwald, um jornalista investigativo premiado e membro fundador do nosso conselho de administração, foi acusado no Brasil de “crimes cibernéticos” por publicar mensagens vazadas de celulares mostrando corrupção generalizada por funcionários públicos brasileiros.

    Esse ataque ultrajante à liberdade de imprensa é claramente uma intimidação tática de promotores envergonhados. Não deve ser tolerado. Greenwald e suas reportagens no The Intercept Brazil foram alvo de frequentes ataques verbais do presidente brasileiro Jair Bolsonaro e até de uma investigação policial – uma conduta que já foi declarada uma violação da constituição do Brasil pelo Supremo Tribunal do país. As acusações de hoje representam um flagrante desrespeito a essa ordem judicial.”

    Trevor Timm, diretor executivo da Freedom of Press, divulgou esta declaração:

    https://revistaforum.com.br/comunicacao/denuncia-contra-glenn-repercute-no-mundo-que-ve-liberdade-de-imprensa-ameacada-no-brasil/?fbclid=IwAR2JsF-rZ9szMyx0cGL6iIqD-zHfXoTtJOU0I1tB-8gnKi7Z7c-cLW2lq3w

  5. KKK chegou a hora do jornalista fake se encontrar com fatos verdadeiros. E apelar por esta demagogia barata que de “perseguição” á imprensa só cola lá no Exterior, onde a má vontade contra nós é conhecida. Agora quero ver o advogado provar que não orientou e não pagou os hakers para fazer o que eles fizeram.

  6. Humm, Acho que continuo naquela: o que importa é o conteúdo.

    Não ouvi os áudios, portanto não opinarei se o jornalista em questão agiu conforme a denúncia do MPF. Será que Carlos Newton ouviu? Poderia colocar aqui neste espaço a gravação.

    • O que será que o MPF viu de diferente?

      “Os diálogos utilizados pelo MPF na denúncia são rigorosamente os mesmos que já haviam sido analisados pela Polícia Federal durante a operação Spoofing, e acerca dos quais a PF não imputou qualquer conduta criminosa a Glenn. A PF conlcuiu: ‘Não é possível identificar a participação moral e material do jornalista Glenn Greenwald nos crimes investigados’”, diz trecho do texto.

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