Governo anuncia que Pimentel tem apoio da presidente Dilma. E alguém esperava outra coisa?

Carlos Newton

Após participar de uma reunião do grupo de coordenação política com a presidenta Dilma, ministros e líderes de partidos da base aliada, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou ontem que o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), tem o respaldo da presidente Dilma Rousseff.

“Nós temos, em primeiro lugar, o apoio da presidenta. Ele [Pimentel] acompanhou a presidenta na viagem importante que aconteceu nesse final de semana à Argentina e nós temos a convicção de que o ministro Pimentel tem prestado todos os esclarecimentos”, afirmou Ideli, no Palácio do Planalto.

Ninguém esperava outra coisa. Este tem sido o comportamento-padrão da presidente Dilma Rousseff em relação a todos os ministros envolvidos em atos de corrupção ou tráfico de influência, e Fernando Pimentel é apenas o sétimo da lista, arrolado emdenúncias relacionadas às atividades de sua empresa de consultoria, a P-21.

Segundo a ministra Ideli Salvatti, a avaliação dos líderes do governo é de que as explicações de Pimentel, que prestou as tais consultorias nos anos de 2009 e 2010, “têm sido satisfatórias” e por isso não houve necessidade de levar o tema para o Congresso Nacional. Ou seja, não somente a presidente Dilma se comporta da forma padrão, como todos os integrantes do grupo de coordenação política fazem o mesmo, tentando empurrar o assunto para a frente.

Na semana passada, o governo se articulou para derrotar requerimento apresentado pela oposição para levar o ministro a prestar esclarecimentos ao Legislativo. Mas ainda há requerimento pendente no Senado sobre o assunto, e Pimentel vai acabar sendo convocado.

“É sempre importante e relevante realçar que ele não estava exercendo nenhum cargo público quando exerceu o seu trabalho de economista prestando as consultorias. Ele não era nem ministro, nem prefeito, deputado, nem senador. Ele estava exercendo a tarefa profissional dele de economista”, alegou Ideli Salvatti, dando uma conotação toda peculiar e até supostamente razoável para a irregularidade que antigamente era conhecida como tráfico de influência.

Como ninguém avisou a imprensa de que houve essas alterações semânticas e criminais, o cerco ao ministro Pimentel vai continuar, repetindo monotonamente tudo o que aconteceu com os seis precursores: Antonio Palocci (PT), Alfredo Nascimento (PR), Wagner Rossi (PMDB), Pedro Novais (PMDB), Orlando Silva (PCdoB) e Carlos Lupi (PDT). É como esses filmes que são insistentemente reprisados na televisão. A gente já está cansado de saber o final.

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