Governo Bolsonaro se baseia em ‘economia que mata’, diz grupo com 152 bispos da Igreja Católica em carta

Documento foi suspenso para ser analisado por conselho da CNBB

Mônica Bergamo
Folha

Uma carta com duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro foi assinada por 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos do Brasil. Ela deveria ter sido publicado na quarta-feira, dia 22, mas foi suspensa para ser analisada pelo conselho permanente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Há um temor entre signatários do documento de que o setor conservador do órgão impeça a divulgação. Hoje há no Brasil 310 bispos na ativa e 169 eméritos. O texto, chamado de “Carta ao Povo de Deus”, afirma que o Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, vivendo uma “tempestade perfeita”.

COLAPSO – Ela combinaria uma crise sem precedentes na saúde e um “avassalador colapso na economia” com a tensão sofre “fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República [Jair Bolsonaro] e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança”. “Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises”, diz o documento.

“Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino”, segue a carta. Ela se refere também ao “caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço”.

“Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento àquele que veio `para que todos tenham vida e a tenham em abundância`”.

REFORMAS – Os religiosos fazem críticas também às reformas trabalhista e previdenciária. Segundo eles, ambas, “tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo”.

Eles reconhecem que o país precisa de reformas, “mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população”.

O documento afirma ainda que o “sistema do atual governo” não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, “mas a defesa intransigente dos interesses de uma economia que mata, centrada no mercado e no lucro a qualquer preço”.

DESDÉM – Para eles, o ministro da Economia, Paulo Guedes, “desdenha dos pequenos empresarios” e o governo promove “uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda”.

A carta diz ainda que “o desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia” estarrece, sendo visível nas demonstrações de “raiva” pela educação pública e no “apelo a ideias obscurantistas”. Cita também o que julga ser o uso da religião para “manipular sentimentos e crenças”, provocando tensões entre igrejas.”Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário”, segue o documento.

O texto é assinado, entre outros, pelo arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, pelo bispo emérito de Blumenau, dom Angélico Sandalo Bernardino, pelo bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), dom Edson Taschetto Damian, pelo arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Corrêa, pelo bispo prelado emérito do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Giovani Mol, e pelo arcebispo de Manaus (AM) e ex-secretário-geral da CNBB dom Leonardi Ulrich.

AMPLO DIÁLOGO – Os religiosos pedem a abertura de “um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito”. Eles afirmam ainda que “todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador”.

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ÍNTEGRA DA “CARTA AO POVO DE DEUS”

“Somos bispos da Igreja Católica, de várias regiões do Brasil, em profunda comunhão com o Papa Francisco e seu magistério e em comunhão plena com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que no exercício de sua missão evangelizadora, sempre se coloca na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz. Escrevemos esta Carta ao Povo de Deus, interpelados pela gravidade do momento em que vivemos, sensíveis ao Evangelho e à Doutrina Social da Igreja, como um serviço a todos os que desejam ver superada esta fase de tantas incertezas e tanto sofrimento do povo.

Evangelizar é a missão própria da Igreja, herdada de Jesus. Ela tem consciência de que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Alegria do Evangelho, 176). Temos clareza de que “a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A nossa reposta de amor não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados […], uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus […] (Lc 4,43 e Mt 6,33)” (Alegria do Evangelho, 180). Nasce daí a compreensão de que o Reino de Deus é dom, compromisso e meta.

É neste horizonte que nos posicionamos frente à realidade atual do Brasil. Não temos interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nossa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor.

O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança.

Este cenário de perigosos impasses, que colocam nosso País à prova, exige de suas instituições, líderes e organizações civis muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados. Somos convocados a apresentar propostas e pactos objetivos, com vistas à superação dos grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta. Essa realidade não comporta indiferença.

É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário. As escolhas políticas que nos trouxeram até aqui e a narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justificam a inércia e a omissão no combate às mazelas que se abateram sobre o povo brasileiro. Mazelas que se abatem também sobre a Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de madeireiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários e outros defensores de um desenvolvimento que despreza os direitos humanos e os da mãe terra. “Não podemos pretender ser saudáveis num mundo que está doente. As feridas causadas à nossa mãe terra sangram também a nós” (Papa Francisco, Carta ao Presidente da Colômbia por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2020).

Todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador. Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises. As reformas trabalhista e previdenciária, tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo. É verdade que o Brasil necessita de medidas e reformas sérias, mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população.

O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata” (Alegria do Evangelho, 53), centrada no mercado e no lucro a qualquer preço. Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população, e das leis do trânsito e o recurso à prática de suspeitas ações de comunicação, como as notícias falsas, que mobilizam uma massa de seguidores radicais.

O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnância pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas.

No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no País, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda.

Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil. Estes são os mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus e, lamentavelmente, não vislumbram medida efetiva que os levem a ter esperança de superar as crises sanitária e econômica que lhes são impostas de forma cruel. O Presidente da República, há poucos dias, no Plano Emergencial para Enfrentamento à COVID-19, aprovado no legislativo federal, sob o argumento de não haver previsão orçamentária, dentre outros pontos, vetou o acesso a água potável, material de higiene, oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea, nos territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais (Cf. Presidência da CNBB, Carta Aberta ao Congresso Nacional, 13/07/2020).

Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?

O momento é de unidade no respeito à pluralidade! Por isso, propomos um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com “terra, teto e trabalho”, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos. Estamos comprometidos com o recente “Pacto pela vida e pelo Brasil”, da CNBB e entidades da sociedade civil brasileira, e em sintonia com o Papa Francisco, que convoca a humanidade para pensar um novo “Pacto Educativo Global” e a nova “Economia de Francisco e Clara”, bem como, unimo-nos aos movimentos eclesiais e populares que buscam novas e urgentes alternativas para o Brasil.

Neste tempo da pandemia que nos obriga ao distanciamento social e nos ensina um “novo normal”, estamos redescobrindo nossas casas e famílias como nossa Igreja doméstica, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs. É sobretudo nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz compreender que este tempo não é para a indiferença, para egoísmos, para divisões nem para o esquecimento (cf. Papa Francisco, Mensagem Urbi et Orbi, 12/4/20).

Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam. Com o apóstolo São Paulo, alertamos que “a noite vai avançada e o dia se aproxima; rejeitemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,12).

O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós.
O Senhor volte para vós o seu olhar e vos dê a sua paz! (Nm 6,24-26).

O texto foi revelado pela Folha de São Paulo. Após o vazamento, a CNBB se isentou do conteúdo da carta, que disse ser “de responsabilidade dos signatários”. Por e-mail, o Planalto informou que não comentará a carta dos bispos.

31 thoughts on “Governo Bolsonaro se baseia em ‘economia que mata’, diz grupo com 152 bispos da Igreja Católica em carta

  1. Bispos comunistas/marxistas. Quem dá ouvidos a esses militantes que de cristãos nada tem? Só mesmo quem NÃO É cristão, como a blogueira Mônica Bergamo. Ridículo!

  2. I’ve gotten used to go with the flow, mas até agora, por mais que eu me esforce, não consigo engulir essa coisa que ocupa o Palácio do Planalto. Ele deve ser um alien ou um gorila que evoluiu – homo sapiens definitivamente não é! Vai ser difícil engulir essa coisa até 2022!

  3. A carta emitida por 152 bispos da Igreja Católica é um dos mais importantes documentos já postados por uma religião a respeito de política.

    As preocupações mencionadas são verdadeiras, legítimas, e têm sido exatamente o teor dos comentários de quem quer ver um Brasil menos injusto e segregacionista, conforme hoje se apresenta.

    Perdi a conta de textos que escrevi acusando Bolsonaro e sua equipe de alheios às necessidades básicas do povo.
    Jamais foi do seu interesse combater a miséria, a pobreza, o desemprego, a saúde deplorável e o ensino deprimente, da mesma forma a violência incontida.

    A pandemia desnudou por completo o Brasil, ostentando uma população mais carente que as estatísticas apontam.
    Também nos faz constatar, e de maneira cruel, seca, na cara, sem maiores cuidados, que a economia ou o que restou dela, as arrecadações são canalizadas ao sistema, às castas e elites do país.

    Se precisávamos de evidências para essas graves e inaceitáveis distorções sociais, elas surgiram a partir do momento que o coronavírus aumentou o desemprego, que já era significativo antes da pandemia, diga-se de passagem, aumentando, em consequência, pobres e miseráveis.

    Bolsonaro apresentou sequer um esboço de planejamento para enfrentar o caos político, econômico e social?
    Nunca!

    Desde que assumiu, a obsessão era a reforma da Previdência, que seria a salvação da lavoura.
    Não foi, e sua elaboração se tornou uma colcha de retalhos, desnudando os pés dos trabalhadores porque encurtou a proteção de antes.

    Estimava-se que os empreendedores viriam aos borbotões. Não veio nenhum. Também os investidores desapareceram.
    As ideias de Paulo Guedes não deram certo.
    Seus planos não contemplavam as crises sociais, mas protegiam e mantinham o sistema econômico cada vez mais fortalecido e devorador de salários e renda do cidadão.
    Ao inverso, contemplava com mais mordomias, privilégios, regalias e penduricalhos, os proventos dos Três Poderes e das FFAA como instituição.

    Resultado:
    Enquanto milhões estão recebendo a esmola de 600,00 a cada trinta dias, outros milhões nenhum tostão, Legislativo e Judiciário se esbaldam com ganhos individuais na ordem de 200 mil por mês!!

    Os bispos têm razão;
    os religiosos souberam definir muito bem o que é o governo de Bolsonaro, um misto de irresponsabilidade, incompetência e corrupção, logo, o povo que se lixe, que se exploda!

    Nunca antes um governa federal foi tão polêmico, que trouxe tanto prejuízo e danos ao povo, ao trabalhador, enquanto nenhum antecessor foi mais benevolente com as castas, elites, sistema financeiro e instituições.

    Não é necessário grandes exercícios de imaginação, para se saber o nosso futuro com base nos dados de agora:
    uma Venezuela.
    Não pela falta de comida, mas pelo motivo que o povo não terá como adquirir um kg de batatas!

    Não terá como pagar a energia elétrica, água, escola, não terá como comprar roupas, pagar o aluguel, transporte, remédios … nada.
    A miséria e a pobreza serão avassaladoras ano que vem.
    Menos para os poderes constituídos, claro, que continuarão a receber seus altos e nababescos proventos, enquanto milhões tombarão de fome, doenças, fraqueza, sem teto, e que perderam o pouco que tinham com a economia e o vírus.

    Não entendo como que um governo não enxerga um palmo adiante do nariz.
    Muito menos aceito que, as FFAA, que compões o staff presidencial, tenham renunciado dessa maneira tão covarde e omissa às suas obrigações de proteção do país e do seu povo!

    Que asneira é esta, de defenderem a “democracia” em detrimento do bem comum, da vida dos cidadãos??!!

    Digam o que disserem dessa carta, até mesmo que os bispos são comunistas, resposta simplória de seguidores de uma ideologia retrógrada e tão assassina quanto foram as ditaduras comunistas, o liberalismo econômico, o capitalismo na sua quintessência, ou seja, um sistema que nada produz, a não ser dinheiro pelo dinheiro.

    Meu apoio absoluto ao teor da carta.
    Parabenizo seus autores pela coragem e visão nacional, incluindo a extrema dificuldade que tem o povo de viver nesse país.

    • Liberdade para escrever bobagens? Prefiro comparar a realidade que vivemos com as análises lúcidas do sr. Francisco Bendl do que ler “espirros” de um fanático (apesar de eu mesma ter votado no Bolsonaro).
      A carta foi assinada e emitida (CNBB analisaria se não tivesse sido vazada). O que me interessa é o conteúdo, afinal.

  4. Tu terias que dizer o mesmo das outras igrejas, Sales:
    seus pastores, bispos, apóstolos, missionários … que seriam tão ou mais vagabundos que os bispos que escreveram essa carta!

    • Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.

      João 18:36

  5. Parabenizo o amigo Bendl pelas verdades contidas.em seu texto.
    A carta denúncia dos 152 bispos da Igreja Católica é um documento muito sério, que precisa ser apreciado e discutido pelos demais poderes deste país e pela sociedade em geral.
    Não devemos permitir que o engodo prevaleça e que vença a mentira.
    Um abraço, Jared.

    • Um recado à vera:
      Por que a Igreja não vende tudo o que possui para ajudar os necessitados?
      Poderia derrubar os templos e distribuir um tijolo para cada pobre?
      Não pode, porque os templos católicos são protegidos e pertencem ao patrimônio mundial, são intocáveis.
      Com certeza, não são velhas salas de cinemas adaptadas.

      É bom explicar que foi a Igreja Católica que criou, ao longo dos seus dois milênios de existência, “o sistema universitário, os métodos de pesquisa científica ou a filantropia institucional, sem a qual a palavra caridade, que significa amor, não teria sequer o sentido que tem hoje nas sociedades ocidentais.

      Contudo, apesar de inúmeros outros feitos de valor, o mais notório deles: a caridade da Igreja Católica, é infelizmente, ignorada tanto pelos católicos como não católicos.
      Assim, a Igreja é, sistematicamente, criticada por sua riqueza.

      Vamos aos números e fatos (os números estão desatualizados; os atuais devem ser ainda maiores, mas dão uma ideia).:

      A Igreja Católica mantém na Ásia: 1.076 hospitais; 3.400 dispensários; 330 leprosários; 1.685 asilos; 3.900 orfanatos; 2.960 jardins de infância.
      Na África: 964 hospitais; 5.000 dispensários; 260 leprosários; 650 asilos; 800 orfanatos; 2.000 jardins de infância.
      Na América: 1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosários; 3.700 asilos; 2.500 orfanatos; 4.200 jardins de infância.
      Na Oceania: 170 hospitais; 180 dispensários; 1 leprosário; 360 asilos;60 orfanatos; 90 jardins de infância.
      Na Europa: 1.230 hospitais; 2.450 dispensários; 4 Leprosários; 7.970 asilos;2.370 jardins de infância.

      Além disso, há inúmeras instituições de caridade Católicas espalhadas pelo mundo que operam nos mais diversos campos, como, por exemplo, enviando alívio a áreas de desastre ou simplesmente distribuindo alimentos aos necessitados

      A mais proeminente dessas organizações é a Caritas Internacional, que atua promovendo justiça social, alívio em zonas de conflito, guerra e de desastres naturais, bem como, a sobrevivência diária dos pobres e marginalizados do mundo.

      Na década de 50, quando a rede pública de saúde ainda não contava com uma capacidade operacional expressiva, eram as casas de caridade da Igreja Católica que cuidavam das pessoas que não tinham condições de se tratarem em um hospital.
      As Santas Casas de Misericórdia e Sanatórios eram e continuam a ser dirigidos e subsidiados pela Igreja Católica, e têm as freiras e religiosos católicos como importante fonte de recursos humanos.

      Seria quase impossível listar e numerar as atividade e contribuições da Igreja Católica no campo da caridade”.

      • Jared,

        Entendi o que quis dizer a Vera sobre a Igreja.
        Faltou-lhe exatamente pensar na tua postagem, que veio a calhar, na hora certa, no momento oportuno.

        Mais:
        Não fosse a Igreja uma espécie de “fiel depositário” da evolução do homem, dificilmente teríamos acesso ou saberíamos as etapas que vencemos nos últimos dois mil anos.

        Tanto em obras de arte de valor inigualável, quanto em livros raríssimos guardados na biblioteca do Vaticano, com obras espetaculares e valiosíssimas.

        Da mesma forma, a dedicação à educação.
        Há milhares de escolas católicas pelo mundo.
        Quem nelas estudou, e fui um deles, sabe como fomos ensinados com base no idealismo, educação religiosa e pessoal, respeito às diferenças, convívio social e elevado nível ético e moral!

        Parabéns pelo teu comentário acima, Jared.

        Outro abraço.

      • Vera,

        Apesar de a tua questão não ser endereçada a mim, a Igreja tem, sim, seus crimes registrados na História.

        Mas, devo salientar, que não foram cometidos pela instituição, porém pelos homens que a comandavam obcecados pelo poder.

        Caso fizeres um estudo mais aprimorado, as causas da maioria das guerras que o mundo tem conhecimento foram, na maioria das vezes ou religiosas ou econômicas ou sobre ambas ao mesmo tempo.

        E tais desavenças entre os homens, advém bem antes do Cristianismo.
        Aliás, o fanatismo religioso não é pior que o político, o ideológico, cujos objetivos são de eliminar os dissidentes ou aqueles que se negam a seguir os rumos delineados pelos comandantes.

        Finalizo:
        Não tenho ideia do quanto as igrejas católicas existentes no Brasil podem ser valorizadas.
        Sei que algumas valem milhões de reais, em razão de suas localidades:
        A Santa Sé, em SP, Candelária, no RJ, a de São Francisco, na BA, a Igreja Matriz, em Porto Alegre … não tenho a menor ideia.

        Supondo que valham 200 bilhões de reais – estou chutando, imaginando -, uma quantia apreciável, a título de comparação, o nosso poder legislativo, que não nos serve para nada, pelo contrário, é uma usina de injustiças e de legislações em causa própria, nos custa mais de 40 bilhões de reais ao ano!

        A meu ver, muito antes de a Igreja se desvencilhar do seu patrimônio de quase dois mil anos de construção, se deixássemos os parlamentos de lado, em cinco anos teríamos o valor da venda das igrejas!

        Mais:
        o congresso, as assembleias e as câmaras municipais espalhadas pelo Brasil, serviriam de escolas ou de moradias para o povo!
        Que tal?!

        Abraço.
        Te cuida, menina.
        Saúde e paz.

  6. Prezado Jared,

    Não tem como não reconhecer as verdades mencionadas nesta carta dos bispos católicos.

    Tapar o sol com a peneira, somente quem é de má fé ou não se importa com o povo e país.

    A situação nossa é catastrófica, e o futuro pior ainda!
    Sem exageros, mas eu vislumbro uma terra como nos filmes de Mad Max, os primeiros, onde quem tinha grupo de guerrilheiros comia e conseguia água em suas máquinas feitas de peças de várias marcas.
    O terror era natural.

    Pois a partir do momento que o povo se ver obrigado a tomar medidas radicais para sobreviver – que Deus nos acuda! -, mas é exatamente a forma como Bolsonaro está governando essa republiqueta!

    Abraço.
    Te cuida, meu!
    Essa semana deveremos bater 90 mil mortos pela gripezinha do Bolsonaro.

  7. Agora a CNBB encontrou o caminho da verdade!
    A CNBB representa quem? Onde estava nos governos petistas?
    Por muito que li, das atitudes que tomou no passado, até pode estar certa no presente, mas errou muito. Os acertos de hoje são ligados a quem atacam e não ao que precisa ser feito.
    Não me representa, embora seja cristão.
    Fallavena

  8. Prezado CN … meus devidos respeitos a sua longa jornada desde de que eu te conheço como seu leitor na nossa querida TI …nos idos de 1981… MAS ..venho lhe pedir que dê uma resposta no blog..ao nosso querido amigo Francisco Bendl ..pois ao meu ver pega mal ele ficar lhe pedindo para “deletar / Censurar ” comentários dos demais ..aqui no Blog..sendo que o moderado já delineou o que deva ser motivo de “deletar”.

    Por favor amigo CN …explique ao nosso amigo FB …que vc tem idade suficiente para observar quem deva ou não ser “deletado”.. E que o nosso amigo FB ..aprenda que as diversidades de opiniões são salutar em um ambiente de blog (desde de que não descumprem para as normas do blog ).

    Ao mais desejo-lhe paz e saúde para o amigo e toda sua casa e aos demais companheiros deste blog da Liberdade.

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE …

  9. Os bispos bolivarianos brasileiros não conseguem suportar que o presidente não reza pela mesma Bíblia que eles. Que este presidente notavelmente boçal não pede a benção deles para governar, ou melhor, tentar governar. Acostumados com o poder pestista os prelados falam até de “obscurantismo”, quando são eles os mais taxados de o serem. É triste ver bispos repetindo o mesmo discurso dos esquerdopatas, não que apoie o boçal, longe disto mas que os bispos estão fora do compasso não resta a menor dúvida. Em vez de se prepararem para um “recomeço”, com as igrejas vazias, se preocupam mais com assuntos terrenos do que com os do espírito. Não será novidade alguma ver arquidioceses pedindo recuperação judicial, porque os fieis deixaram de ser fieis.

  10. Ninguém bate em cachorro morto,goste ou não,o comentarista Francisco Bendl, é o PILAR a COLUNA,que sustenta o debate com sua cultura e conhecimento,como todos nós,no a fã, pode cometer exageros pontuais. Mas, razão lhe assisti,quando se DESONRA a ciência, a educação,os sofridos professores,que as vezes não tem a passagem para ir a escola…
    É lamentável as posições beligerante dos Bolsonaristas fanáticos,sempre sai pela viela do viés ideológico.

    Bendl,
    forte abraço…

    • Luiz Fernando Souza POA/RS, meu conterrâneo,

      Obrigado pelo apoio.

      Agradeço, penhorado, que estejas entendendo meus comentários e posicionamentos, que podem não ser os mais corretos, porém são originários de minha honestidade intelectual, de propósito, e na minha participação na TI.

      Tenho um compromisso inarredável coma verdade.
      Não a minha, mas a verdade em si. Logo, pesquiso, procuro as razões, os motivos, os fatos, os dados históricos para não macular a realidade.

      E, esta realidade que me refiro, diz respeito ao que vemos pelo Brasil:
      miséria, pobreza, desemprego, desalento, um povo que se percebe preocupado, triste, que sabe não ter futuro, conforme o andar da carroça brasileira.

      Pois é contra essa situação que me posiciono, meu amigo.
      Eu já disse e repito:
      considero-me um humanista, e nada mais importante – muito mais que a democracia, as instituições, o país, a nação … – está o ser humano.
      Se ele está sendo maltratado pelos governantes, só me resta criticar e apontar os erros e falhas clamorosas cometidas em nome de interesses e conveniências pessoais.

      Conta sempre comigo.
      Um forte e fraterno abraço.
      Te cuida, meu!

      • Querido conterrâneo Bendl, já discordamos e concordamos,as vezes cometi alguns excessos mas, respeito e admiroa sua sensibilidade e humanismo que lher peculiar.
        Não tenhas dúvidas ,o teu posicionamento reflete o pensamento dos descamisados que não tem voz..
        Parabéns pelo bom combate..
        forte abraço gaudério, Saúde e Paz…

  11. Não haveria necessidade de nenhuma venda, demolição. Esse cofre é sem fim. Por favor, liste os crimes cometidos até então!.. Agradeço a atualização.

  12. ..Prezado Amigo FB …dos pampas sulinos …

    Meu caro , somos amigos pela TI desde de sua fundação lá pelos idos de 2008/9… tivemos e temos rusgas isso é nobre de um parlamento (considero nosso Blog um parlamento), mas o amigo em alguns textos e comentários pega e pega pesado e isso até com ofensas e depreciações (minha opinião) e creio que o amigo não precisa chegar a este nivél de debate, sempre escrevi aqui que o amigo não se controla e perde seu dominio próprio e isso não é nada bom para o nosso parlamento e nem para vc mesmo meu caro maragato .

    Ademais FB …cada um tem um conhecimento e uma lógica variável ou absoluta e vc tem que se conter com o contraditório meu caro …isso é normal , creio que vc é uma pessoa de boa conduta só que vc deixa transparecer demais o seu lado “b” e isso estraga sua conduta aqui no parlamento e gera contendas e brigas inutéis ao debate dos temas …

    Sigo com sua amizade via blog ..e desejo-lhe saúde e paz para vc e toda sua casa ..e tb aos demais amigos deste parlamento …ok.

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE …

  13. Prezados ..prezados … Amigos deste Blog parlamento….uma “pequena visão”…combinem com a lógica….

    Como pode uma “instituição” que compactua com o genocidio , escravidão e destruição de povos inteiros …em nome da “evangelização” ?

    Como pode uma “instituição” se apropriar de documentos de povos antigos e guardá-los a sete chaves , escondendo-os da humanidade posterior estes ensinos …antigos ?

    Como pode uma “instituição” em nome do ALTISSIMO ..matar tanto, destruir tanto, mentir tanto e escravizar tanto como fez ao longo dos séculos ?

    E finalmente : Como pode mentir tanto …

    Minha opinião somente : Nada que vem desta “instituição” presta …nada mesmo.

    Paz e saúde a todos …

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE …

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