Governo joga contra suas próprias possibilidades de continuidade


Murillo de Aragão

As ameaças à reeleição da presidente Dilma Rousseff continuam mais entre os aliados do que na oposição. Na prática, sua reeleição depende muito mais dela mesma que do desempenho de seus adversários.

Apesar da perda de popularidade, ela ainda tem prestígio para ganhar a eleição de 2014. Entretanto, embora haja tempo para reverter o cenário adverso, os desafios não são pequenos (relação ruim com a base aliada, situação da economia etc.). No próximo ano, teremos uma disputa pulverizada com candidatos fortes e competitivos (Dilma, Aécio Neves, Marina Silva, Eduardo Campos e, talvez, José Serra).

Para mudar a atual conjuntura, a economia precisa melhorar um pouco, o PT e o PMDB precisam causar menos problemas, e, sobretudo, o governo precisa começar a funcionar melhor.

FONTE DE PROBLEMAS

O PT é uma permanente fonte de problemas por colocar os interesses partidários acima dos interesses do governo. Tal comportamento se revela na intolerância em ceder espaços para os aliados, na forma de tratar o mundo político não petista e, mais recentemente, na insistência em promover a campanha “Volta, Lula”. Além de querer “expulsar” o PMDB da coligação. O PMDB atrapalha quando faz retaliações ao tratamento que recebe, votando contra os interesses do Executivo.

O governo atrapalha quando é ineficiente, quando não promove um bom entendimento com a base governista e, principalmente, quando não dá autonomia aos ministros, que são tolhidos em seu poder de ação. Tanto pelo centralismo de Dilma quanto pelo deslocamento das competências para outros ministros.

No entanto, é importante mencionar que os problemas para o governo e a presidente não são somente econômicos ou políticos. As manifestações de junho mostraram que, embora exista uma insatisfação com o aumento da inflação e seu impacto no poder de compra dos brasileiros, a opinião pública cobra respostas novas a uma nova agenda que brotou das ruas, cuja prioridade é a melhoria dos serviços públicos.

Além de responder a essas novas demandas, a presidente precisa construir uma marca para sua gestão. Embora o fato de ser a representante do legado do lulismo seja um diferencial, ele parece insuficiente para garantir um novo mandato para a presidente. Diferentemente das eleições de 2010, o eleitor deseja hoje algo mais que a continuidade do projeto iniciado por Lula em 2003.

MARCA PRÓPRIA

Diante desse novo cenário, Dilma terá pouco mais de um ano para mudar o relacionamento com a base e buscar a construção de uma marca própria para sua gestão.

Enfim, a meses do início da campanha eleitoral, Dilma deve rever seus conceitos e sua forma de agir para restabelecer seu favoritismo, além de criar uma marca para sua gestão e respostas às novas demandas. Ou decidir abrir mão para o retorno de Lula, hipótese menos provável e de alto risco político nesse cenário.

Como o ex-presidente foi o responsável pela chegada de Dilma ao Planalto, somente um argumento muito forte seria capaz de justificar a troca de candidato a essa altura do campeonato. Como existe uma simbiose entre Dilma e Lula, aspectos positivos e negativos do governo repercutem diretamente na imagem de ambos.

As manifestações de junho abalaram a política e desmontaram um governo que era popular, mas incompetente na forma de se relacionar com os mundos político e empresarial e com as forças da sociedade organizada. Apesar de o governo ter boas intenções, faltam-lhe tanto competência para fazer as coisas acontecerem quanto vocação para o diálogo – dois fatores primordiais para o sucesso de qualquer governante. (transcrito de O Tempo)

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4 thoughts on “Governo joga contra suas próprias possibilidades de continuidade

  1. O banco da corrupção. O banco queridinho de Collor e Lulla.

    Autor(es): Hugo Marques e Rodrigo Rangel

    Veja – 06/08/2013

    Envolvido no escândalo do mensalão e com três de seus dirigentes condenados à prisão, o Rural foi liquidado na semana passada pelo Banco Central quando se preparava para aplicar um último golpe no mercado

    O Banco Rural até que resistiu muito tempo. Há vinte anos, ele já emprestava seu nome para que corruptos e corruptores de vários níveis usassem a instituição como fachada. Em 1992, descobriu-se que o então presidente Fernando Collor mantinha debaixo de seu governo um esquema clandestino de arrecadação e pagamento de propina a partir de uma teia de correntistas-fantasmas que tinha o Banco Rural como centro de operação. Collor foi enxotado da presidência da República num processo de impeachment, mas o Rural, apesar das ilegalidades, sobreviveu. Em 2005, explodiu o escândalo do mensalão. O PT montou uma gigantesca rede que desviou dinheiro público e subornou parlamentares. O Rural colocou sua estrutura para operar o esquema. Apesar de infringir todos os manuais que regulam o sistema financeiro, o banco continuou funcionando. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou três dirigentes do Rural à prisão por crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. O banco, porém, funcionava como se nada tivesse acontecido — até a semana passada.

    No inícioda noite de sexta-feira, o Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial da instituição e listou as razões da decisão: comprometimento da situação econômico-financeira, a existência de graves violações às normas legais e a ocorrência de sucessivos prejuízos que sujeitavam a risco os credores da instituição. Com a medida, o BC se antecipou a uma última manobra que vinha sendo preparada pelos acionistas do Rural. Numa assembleia extraordinária cuja ata foi publicada há duas semanas, os acionistas decidiram alterar o estatuto do banco e dar à diretoria poderes para solicitar ao BC, a qualquer tempo, que interviesse na instituição. Era uma tentativa de escapar da liquidação que se anunciava. No mercado, a mudança do estatuto foi interpretada como uma ação preventiva diante das imprevisíveis repercussões que a prisão dos dirigentes do banco provocaria na saúde financeira da instituição. “Eles anunciaram uma medida muito arriscada e até certo ponto suicida porque manifestava algo que podia ser lido como uma intenção, e não apenas uma possibilidade””, disse a VEJA um ex-diretor do BC, que pediu para não ser identificado.

    Com a simples intervenção, todas as obrigações do banco. inclusive com os seus clientes, ficariam suspensas por um período de seis meses, prorrogável por mais seis. Na prática, a medida poderia evitar, por exemplo, as consequências imediatas de uma crise de credibilidade, como uma corrida de clientes aos caixas — e, principalmente. dar algum fôlego à instituição. O Rural negou que estivesse planejando pedir a autointervenção. A alteração no estatuto, segundo o banco, tinha oobjetivo apenas de “aperfeiçoamento e modernização da governança da instituição”. Não era verdade. O Rural já acumulava um rombo superior a 300 milhões de reais—que poderia aumentar ainda mais com a prisão dos dirigentes. Diante da ameaça, o BC finalmente decidiu agir.

    Condenada pelo Supremo a dezesseis anos e oito meses de prisão. Kátia Rabello, a mais conhecida acionista do Rural, e mais dois dirigentes, também condenados à cadeia, aproximaram-se do ex-ministro José Dirceu, o chefe da quadrilha do mensalão, e escancararam as portas do banco para o empresário Marcos Valério, o operador do esquema que comprava apoio político para o governo Lula no Congresso Nacional. A atuação do Rural no escândalo se deu em várias frentes. Por meio de contratos simulados de empréstimos ao PT, o banco injetou 32 milhões de reais nas arcas da corrupção petista. E. agindo como uma espécie de instituição de fomento à fraude, ainda disponibilizou suas agências e seus funcionários para distribuir o dinheiro sujo aos políticos envolvidos.

    Exatamente um ano depois do início do maior julgamento da história do Supremo, na semana passada o presidente da corte, Joaquim Barbosa, anunciou que a análise dos recursos apresentados pelos réus contra o veredicto começará na próxima semana. Os ministros vão julgar os chamados embargos de declaração, que questionam trechos da decisão considerados contraditórios ou omissos pela defesa. A probabilidade de esse tipo de recurso resultar na absolvição de qualquer um dos 25 réus é nula, mas os advogados ainda acreditam na possibilidade de conseguirem ao menos reduzir as penas. Para alguns condenados, como o ex-ministro José Dirceu, o sucesso do recurso pode significar a diferença entre cumprir a pena em casa ou numa penitenciária. Também nessa etapa os ministros vão decidir se aceitam os chamados embargos infringentes. que, se acolhidos — outra possibilidade também remota — podem dar a alguns dos condenados a oportunidade de um cadeia novo julgamento.

  2. Delmiro, emplumado enrrustido, essa sua lenga-lenga cansa.
    Em matéria de mau feito, os emplumados dão de 10×0 em qualquer um.
    HF já disse: o pt age no varejo, coisa de amador, o psdb age no
    atacado, coisa de profissional, mestre e doutor. Alias o mesmo
    mestre chama a espia de sugissima, nos poupe.

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