Governo Michel Temer não pode se omitir no processo de Eduardo Cunha

Poder derrete nas mãos de Cunha

Charge do Quinho (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Alberto Bombig e Igor Gadelha, edição de segunda-feira de O Estado de São Paulo, sustenta que o Palácio do Planalto e maioria parlamentar que o apoia na Câmara Federal resolveram retirar o apoio silencioso, pela omissão, que vinham proporcionando a Eduardo Cunha, cujo mandato encontra-se no fio da navalha. Hoje, na Comissão de Ética, pode se desenrolar o capítulo decisivo da longa história da qual é o personagem principal.

O fato é que a realidade, como sempre, termina por se impor e a situação de Cunha tornou-se cada vez menos sustentável. Denunciado e atacado simultaneamente por múltiplos ângulos, o deputado do PMDB do Rio de Janeiro na verdade esgotou todos os meios de manter um escapismo que, no fundo, apenas adia o desfecho que o aguarda.

AFASTADO PELO STF – Ele já foi destituído da presidência da Câmara por decisão unânime do STF. Também por unanimidade, a Corte Suprema o suspendeu do exercício do mandato por tempo indeterminado. O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pediu sua prisão imediata. São doses para dinossauro que se acumulam na órbita de Brasília. Portanto, atingem o Planalto, embora tenha sido Eduardo Cunha o principal agente do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, que levou Temer ao poder.

Mas Michel Temer, com razão política, por sua vez teme ser explodido pelo silêncio diante da corrupção, num processo que envolve aliados seus. O senador Romero Jucá, gravado por Sérgio Machado, teve que deixar o cargo de ministro do Planejamento. Agora, Michel Temer, afastando-se de Cunha, livra-se de um aliado incômodo. Talvez não consiga totalmente. Mas tem que arriscar.

PERIGO MAIOR – Caso contrário, expõe-se a um perigo maior, que se refletiria na sua imagem pública de modo negativo. Não pode interessar ao presidente da República, sobretudo no instante em que se empenha pelo afastamento definitivo de Dilma Rousseff, aparecer como alguém que defende acusados e indiciados pelo STF.

Além disso, Cunha já foi transformado em réu da Operação Lava-Jato, é de acreditar que sua prisão seja decretada pelo ministro Teori Zavascki, ou pelo conjunto da Suprema Corte, tais e tantas as acusações que pesam sobre ele. A cada dia elas mais se acumulam e, creio, hoje, estão atingindo um nível de transbordamento.

Afinal de contas, para tudo há limites. Os limites de Eduardo Cunha já estão sendo de muito ultrapassados. Assim não fosse, Rodrigo Janot não poderia ter requerido sua prisão sem que tal iniciativa causasse a menor surpresa por parte da opinião pública.

PROVA MAIS FORTE – Os adiamentos que Cunha vem conseguindo na decisão final do Conselho de Ética são a prova mais forte da realidade. E por qual motivo ele teme o parecer do Conselho de Ética, se terá o plenário da Câmara como endereço final?

Simplesmente, porque tem a certeza de que perderá a votação entre os 513 deputados. Pois se achasse que a maioria pende para seu lado, não tentaria adiar indefinidamente seu julgamento parlamentar.

Tal julgamento não é o único. Já condenado maciçamente pela população, na véspera de ser também condenado pelo Supremo, qual manobra, agora, está em condições de armar? Mais nenhuma. Eduardo Cunha está perdido, depois de perder-se a si mesmo. Seu destino encontra-se traçado.

Michel Temer sabe disso.

5 thoughts on “Governo Michel Temer não pode se omitir no processo de Eduardo Cunha

  1. Assim como o Cunha, tantos outros políticos cometeram o mesmo crime, receberam dinheiro de propina e até crimes maiores. O maior exemplo é que Lula e Dilma, além de se beneficiarem de dinheiro sujo e outros crimes, levaram o país ao caos prejudicando todos brasileiros e denigrindo a imagem do país.
    Todos devem ser condenados, mas a pressão sobre o Cunha é mais por ser um dos causadores do impeachment da Dilma, que pelos seus crimes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *