Governo precisa melhorar articulação política para 2014

Pedro do Coutto

 Os episódios recentes que envolveram a aprovação da Medida Provisória dos Portos a toque de caixa, depois de avanços recuos, e a  não aprovação da Medida Provisória que reduziu As tarifas de energia elétrica, são exemplos de que não estão sendo eficientes as articulações políticas desenvolvidas pelo Palácio do Planalto, pelo menos junto à área parlamentar. Afinal de contas as MPS, em ambos os casos, encontravam-se há 90 dias no Congresso.

Podem, claro, receber  emendas ou até mesmo serem rejeitadas. Mas não se compreende como as decisões finais fiquem sempre para a última hora. Das situações expostas, surge a constatação de que o governo necessita melhorar sua articulação política, já que a presidente Dilma Rousseff vai disputar a reeleição em 2014. No panorama atual, se houve dificuldades para equacionar suas votações no Legislativo, haverá dificuldades para articular o esquema de atuação junto ao eleitorado do país.

O tempo que Dilma dispõe nos horários gratuitos de propaganda política é bastante amplo. Mas têm que ser bem preenchidos. O problema é tanto de quantidade como de qualidade, com um a forte dose de sensibilidade no meio. Inclusive a sensibilidade para situar sua campanha nacional simultaneamente às campanhas estaduais, já que em alguns casos, como no Rio de |Janeiro, PT e PMDB, aliança nacional, têm candidatos opostos na esfera estadual. Há também questões envolvendo a candidatura potencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pelo PSB, partido presente no governo, comandando ministérios. Não será tarefa fácil.

FALTA POLÍTICA

Hoje, a impressão dominante é que está faltando uma presença mais acentuada de política nas ações governamentais. Não basta tentar impedir, através de projeto de lei, inclusive barrado por liminar do Supremo Tribunal Federal, a ex-senadora Marina Silva de criar o partido que lhe fornecerá legenda para disputar o pleito.Este constitui um lance menor. Pode não ser bem sucedido, ou então se transformar, se concretizada a manobra, num argumento para os partidos de oposição. Além disso, há naturalmente a perspectiva de Marina Silva, não obtendo legenda, ingressar até outubro deste ano numa das agremiações existentes. Poderá ser candidata a vice ou ao Senado pelo Acre, estado onde possui domicílio eleitoral.

No fundo, obstruir a criação de um partido representa uma atitude defensiva. A candidata à reeleição precisa atuar na ofensiva. Não há porque pensar o contrário. Sua candidatura é sustentada pelo seu governo, onde está a caneta do poder, por uma ampla coligação partidária, pela maioria absoluta do tempo nos horários eleitorais.

Não há assim motivo para temer nada a não ser sua legenda ameaçada. Articulação política efetiva é para principalmente ir ao encontro do país e da sociedade. Está faltando junto ao Congresso, mas não pode faltar junto ao eleitorado

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3 thoughts on “Governo precisa melhorar articulação política para 2014

  1. Parece que o maior problema é mesmo na estratégica relação PT-PMDB. Nossa Presidenta Dilma Rousseff, além de ter que “tomar umas pingas com os Empresários da FIESP para tentar destravar o Investimento”, parece que tem que repetir a dose com o principal Aliado, o PMDB. Não é bom ter o principal Aliado, muito descontente, porque pode dar zebra. Se o PMDB rompe a Base Aliada, adeus re-Eleição. E a Oposição deve estar oferecendo um excelente bônus para o rompimento. Aí nessa questão, todo o cuidado é pouco. Abrs.

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