Grampos indicam que Milton Ribeiro foi avisado com antecedência que seria preso

Justiça autoriza quebra de sigilo de Milton Ribeiro, sua esposa e pastores  - Brasil 247

O ministro e os pastores caíam em tentação a todo momento

Renato Alves
O Tempo

A Justiça Federal acatou pedido do Ministério Público Federal (MPF) e enviou para o Supremo Tribunal Federal (STF) o caso dos pastores que comandavam um gabinete paralelo no Ministério da Educação (MEC). No pedido, o MPF apontou “indício de vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações”

Na quinta-feira (23), o delegado do caso reclamou em grupo de mensagens com colegas da instituição sobre essa interferência. O juiz Ricardo Borelli, da 15ª Vara de Justiça Federal de Brasília, que estava com o caso e autorizou a operação desencadeada na quarta-feira (22), atendeu ao pedido do MPF. No STF, a relatora será a ministra Cármen Lúcia.

PROPINAS NO MEC – Na operação de quarta-feira, agentes prenderam o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e os dois pastores acusados de pedir propina para intermediar a liberação de verbas públicas para municípios mediante pagamento de propina, conforme denúncias feitas por prefeitos que estiveram com ambos em Brasília.

Os religiosos já frequentavam o Palácio do Planalto antes de Ribeiro assumir o ministério. O GSI chegou a impor sigilo sobre as visitas dos pastores ao Planalto, mas, diante da repercussão negativa, liberou a informação.

Em entrevistas e em áudio gravado por um prefeito, Milton Ribeiro diz ter aberto as portas do MEC aos pastores por ordem de Bolsonaro.

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TELEFONEMAS DO MINISTRO GRAMPEADOS
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O portal G1 mostrou transcrições de conversas telefônicas interceptadas pela PF, com autorização da Justiça, que apontam indícios de que Milton Ribeiro foi avisado sobre a operação com antecedência e que houve interferência na investigação. Esses trechos embasaram o pedido do MPF para caso ser remetido ao STF.

Confira trechos divulgados pelo G1. De início, a conversa com uma pessoa identificada como Waldomiro:

MILTON: Tudo caminhando, tudo caminhando. Agora… tem que aguardar né…. alguns assuntos tão sendo resolvidos pela misericórdia divina né…negócio da arma, resolveu… aquele… aquela mentira que eles falavam…que os ônibus estavam superfaturados no FNDE… pra… (ininteligível) também… agora vai faltar o assunto dos pastores, né? Mas eu acho assim, que o assunto dos pastores… é uma coisa que eu tenho receio um pouco é de… o processo… fazer aquele negócio de busca e apreensão, entendeu?

Conversa com pessoa identificada como Adolfo:

MILTON: (…) mas algumas coisas já foram resolvidas né… acusação de que houve superfaturamento… isso já foi… agora, ainda resta o assunto do envolvimento dos pastores, mas eu creio que, no devido tempo, vão ser esclarecidos….

Em conversa com um parente:

MILTON: Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão…em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? se houver indícios né…

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Realmente, é muito triste. E nada disso estaria acontecendo se o ministros e seus pastores se comportassem de forma republicana, mas eles agiam no governo como se estivessem nos templos, aplicando nos fiéis aqueles golpes de estelionato. Agora, deveria vir o arrependimento, mas esse tipo de gente, que usa em benefício próprio a crença alheia, geralmente não se arrepende de nada, embolsa o dízimo e se esconde no altar. (C.N.)

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