Grande mudança na política dos EUA no Oriente Médio

Charge de Latuff (reprodução Operamundi)

Andrei Akulov
Strategic Foundation

Finalmente o presidente Obama definiu sua estratégia de segundo mandato para o Oriente Médio. A linha vermelha está sendo ultrapassada – pela primeira vez os EUA enviarão soldados de solo para a Síria para assessorar e aconselhar terroristas [ditos “rebeldes moderados”] que combatem o ISIS (?!), disse o porta-voz Josh Earnest, da Casa Branca, dia 30 de outubro.

Os EUA mandarão para a Síria “menos de 50” forças das Operações Especiais, que serão mandados para o território controlado por curdos no norte da Síria. Os soldados norte-americanos ajudarão forças curdas e árabes locais, com logística, no combate contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico; e visam a amplificar o efeito de seus esforços. A Casa Branca insistiu que absolutamente não é caso de “superdistender a missão”. “A missão não mudou”, disse Josh Earnest, secretário de imprensa da Casa Branca. “Essas forças”, acrescentou ele, “não têm missão de combate”.

Mesmo assim, o envio de soldados para a Síria é a escalada mais significativa de toda a campanha militar dos EUA contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico até o presente.

AINDA EM NOVEMBRO

O primeiro grupo de coturnos das Forças Especiais sairá dos EUA e poderá já estar no norte da Síria ainda em novembro, segundo alto funcionário da Defesa. Uma vez lá, os soldados serão baseados principalmente num quartel-general não oficial, onde estão representantes de árabes sírios (sic), curdos e outros grupos. Por razões de segurança, o local não foi revelado. Esses coturnos norte-americanos permanecerão na Síria por períodos que podem variar de semanas a meses de cada vez, disse o funcionário.

Pode acontecer de serem mandados mais coturnos. Espera-se que esses soldados não entrem em combate, mas têm direito de se autodefender e podem requerer autorização, se forem necessários em campo. Haverá mais forças de Operações Especiais disponíveis para ataques na Síria e no Iraque quando se identificarem alvos do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico, de alto valor.

Além do envio de soldados das Operações Especiais, o presidente Obama autorizou o envio de aviões de combate A-10 e F-15 para a base aérea de Incirlik, na Turquia. Os A-10s podem prover apoio aéreo próximo, aos combatentes em solo. Os F-15s podem executar grande variedade de missões de combate ar-terra.

TAMBÉM NO IRAQUE

Os EUA também consideram estabelecer uma força-tarefa de Operações Especiais no Iraque, para ampliar os esforços na luta contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico e seus líderes, informou o secretário do governo Obama.

Além disso, Obama autorizou aumentar a ajuda militar à Jordânia e ao Líbano para enfrentarem o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico. E os EUA também aumentaram a ajuda militar aos grupos locais, com entrega por ar de armas, munições e outros itens para as forças “rebeldes moderadas” dentro da Síria. O número de soldados dos EUA no Iraque já inchou para mais de 3.500, desde que Obama anunciou que estava mandando para lá os primeiros 300 conselheiros/instrutores militares norte-americanos, em junho de 2014.

O Pentágono quer construir uma barreira por trás das forças aliadas aos EUA – curdos e a coalizão sírio-árabe que o governo Obama apoia –, para permitir que esses combatentes conservem o território que tomaram. Um dos modos para conseguir isso, disse um funcionário do Departamento de Defesa, é garantir que o equipamento e outros suprimentos entregues cheguem rapidamente até essas forças.

No momento, disseram funcionários, não há planos para mandar soldados dos EUA para além do ‘quartel-general’ improvisado da oposição no norte da Síria. Eles não patrulharão nem viajarão com grupos de oposição. Mas os funcionários também disseram que isso pode mudar, se a situação assim exigir.

MISSÕES DE COMBATE

A ‘notícia’ de que esses soldados não participarão de missões de combate não condiz com o que anuncia o governo dos EUA. Antes de essa notícia aparecer, o secretário de Defesa  Ashton Carter declarara perante a Comissão de Serviços Armados do Senado, dia 24 de outubro, que o Pentágono estaria ampliando os ataques contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico – inclusive mediante “ação direta em campo” no Iraque e na Síria.

O secretário anunciou que “os EUA iniciarão” “ação direta em campo” contra forças de ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico no Iraque e na Síria, com o objetivo de aumentar a pressão sobre os militantes [sic], enquanto o progresso contra eles permanecer difícil. “Não deixaremos de garantir apoio a parceiros capazes, em ataques oportunistas contra o ISIL, ou de conduzir diretamente tais missões seja por ataques aéreos ou ação direta em campo” – disse Carter.

Ora… O que ninguém sabe é como soldados “conduzem” ação direta “em campo” sem entrar em combate! Evidentemente, é só mais e mais conversa, para confundir. É possível que o secretário Carter da Defesa e Ernst, de Imprensa, saibam mais do que dizem.

WALL STREET JOURNAL

Dia 4 de novembro, o The Wall Street Journal noticiou que os EUA e aliados regionais combinaram aumentar os embarques de armas e outros suprimentos para ajudar os rebeldes sírios “moderados” a defender os próprios avanços e impedir qualquer progresso da ação dos russos e iranianos em defesa do presidente sírio Bashar al-Assad.

As entregas feitas pela CIA, pela Arábia Saudita e por outros serviços de inteligência aliados aprofundaram os combates entre as forças que combatem na Síria – apesar das muitas promessas feitas pelo presidente norte-americano Obama de que não permitiria que o conflito se convertesse em guerra à distância dos EUA contra a Rússia.

O artigo do WSJ diz que no mês de outubro, ante a intensificação dos ataques russos, a CIA e seus parceiros aumentaram o fluxo de suprimento militar para “os rebeldes” no norte da Síria, incluindo mísseis TOW antitanques de fabricação norte-americana – segundo informação daqueles funcionários. Esses suprimentos continuarão a aumentar nas semanas vindouras, para recompor os estoques consumidos na crescente ofensiva militar do governo sírio. O diretor da inteligência nacional, James Clapper, alertou essa semana que a atual intervenção na Síria “arrisca-se a converter-se no que se tornou a intervenção no Afeganistão, nos anos 1980s, para os soviéticos. Pergunto-me se [os russos] têm alguma estratégia para decolar logo de lá, e se conseguirão evitar outro atoleiro” – disse Clapper.

UM NOVO VIETNÃ

É declaração que finge que não vê o fato de que os EUA, não a Rússia, é que anunciam a decisão de enviar coturnos em solo para a Síria, arriscando-se a converter a Síria no que foi a invasão dos EUA ao Vietnã em 1961-1974.  Lá também, os EUA começaram por mandar conselheiros das Operações Especiais.

Some-se tudo isso, e vê-se claramente que a presença militar dos EUA na região está aumentando. Passo a passo, os EUA vão metendo os pés pelas mãos e empurrando seus próprios soldados para o fundo de mais uma guerra sem fim. É a primeira vez que os EUA mandam forças para a Síria e informam o mundo sobre o que estão fazendo, expandindo o alcance geográfico das operações militares norte-americanas no Oriente Médio.

Com a presença dos EUA mantida no Iraque, e a decisão recém tomada de manter as tropas norte-americanas também no Afeganistão até no mínimo o próximo ano, o próximo presidente dos EUA herdará, no mínimo – e só até agora – três grandes conflitos militares!

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

16 thoughts on “Grande mudança na política dos EUA no Oriente Médio

  1. O presidente Obama e o Pentágono mais uma vez estão mentindo ao dizer que enviarão tropar para combater terroristas. Há anos os EUA vem financiando mercenários, que se misturaram à AL QAEDA, e se parceiro ISIS com o fim precípuo de derrubar o governo legítimo de Assad, na Síria. Não é possível saber, apenas inferir, porque Obama quer dar a Assad o mesmo destino de Sadam Hussein e Mouamar Khadafi, respectivamente no Iraque e Líbia. Iraque e Líbia sem comando, dividido entre diversas tribos e bandos armados não conseguem constituir um governo e viraram terra de treinos da Al Qaeda e do ISIS junto com os “rebeldes moderados” assim chamados pelos EUA que combatem o governo Assad, com armas, fardamento e dinheiro dados pelos EUA e pela Arábia Saudita, uma tremenda ditadura mas aliada aos EUA e que também manda dinheiro para os terroristas lutarem contra Assad. Os EUA ficaram anos lá na região, sob o pretexto de combater o Estado Islâmico (EI), mas o objetivo era treiná-los, e não destruí-los, e despejaram vária bombas no deserto para a imprensa ocidental dizer que os EUA estavam atacando terroristas. O Estado Islâmico, alimentado pelos EUA, em vez de definhar, só foi crescendo e tomando regiões do Iraque e da própria Síria. Objetivo comum com os EUA: derrubar o governo de Assad.

    Em duas semanas da presença de aviões russos, houve mais bombardeios e certeiros contra os terroristas do que em anos onde os EUA lá estiveram. Esta grande mentira de Obama precisa ser revelada ao mundo – como dona Dilma, diz que vai fazer uma coisa e vai lá e faz o contrário. Financia terroristas. Já a imprensa norte-americana revelou que os EUA já deram aos terroristas U$500 milhões de dólares, para comprar suprimentos, armamentos e até caminhonetes sul-coreanas. Chega de mentira. Assad é essencial, no momento, para proteger os cristãos e os alauítas na Síria. Se Assad cai e Damasco cai na mão dos terroristas islâmicos, eles irão provocar o Holocausto de cristãos e alauítas, com os requintes de crueldade que até a imprensa ocidental mostra pela televisão e jornais.

    Abaixo vai um artigo que copiei do Pravda, que fala um pouco sobre tudo isso.

    • Ednei, excelente seu comentário. Embora eu seja descendente de sírios, não estou a par dessa gerra na Síria.
      É evidente que os EUA querem é tirar o Bashar al – Assad, implantar o caos e ao sair deixar o país em guerra interna e destruído assim com fez com o Iraque e a Líbia. Um país destruído a dominação torna-se mais fácil.
      A América do Norte é hoje o pior terrorista ” legal ” do planeta. De uma maneira diferente a do Hitler, eles querem
      dominar o mundo, poucos países no planeta não seguem as suas regras.

    • Ednei Freitas

      Seu comentário é de uma clarividência lunar.

      Escrevi vários comentários sobre o Oriente Médio, notadamente sobre a Primavera Árabe publicadas pelo editor Carlos Newton. Pois bem, a partir desse movimento libertador, que muitos pensavam ser um novo Renascimento, se mostrou depois se tratar de uma farsa.

      O primeiro mandatário escolhido para morrer foi Muamar Kadaffi, assassinado de maneira cruel no deserto, a caminho do Sudão. As potências europeias ( Inglaterra e França) enviaram militares para Benguazi para treinar guerrilheiros (insurgentes). Quando estavam sendo rechaçados pelas forças líbias, entrou em ação os americanos com drones, aviões não tripulados para despejar milhares de bombas contra as cidades líbias e principalmente a capital Trípoli. Destruíram o aeroporto local, as pontes, subestações, o abastecimento de água, enfim, tornaram um país moderno em um caos total. Evidente, que o ditador ficou em situação insustentável.

      Entretanto, a Líbia hoje é um país ingovernável com várias milícias armadas, que controlam pedaços da nação, um grupo ao norte, outro próximo ao mar mediterrâneo, outro em Benguazi, outro em Trípoli e mais dramático ainda, o ISIS controla uma parte da Líbia e estão implantando o terror. São jacobinos em alto grau cortando cabeças daqueles que discordam de seus métodos.

      Com a queda de Saddan no Iraque, uma ação de George Bush, que até mentiu sobre armas químicas para invadirem e desestabilizarem o governo de Saddan, voltaram suas baterias para a Líbia e derrubaram Kaddafi.

      Depois chegou a vez da Síria. Já dura quatro anos a intensa campanha para derrubar Assad. Um general amigo do ditador Hafez Assad, traiu o amigo e iniciou uma guerrilha apoiada pelas forças ocidentais. O método é o mesmo: Inundam os guerrilheiros com armas, dinheiro e treinamento para lutarem contra o Exército regular. Mas, não contavam com a resistência do líder sírio.

      O ISIS foi criado para destruir Assad, os curdos e o governo xiita do Iraque. Agora esse grupo se tornou uma força incontrolável. Isso demonstra que não aprenderam com os erros cometidos no Afeganistão, quando criaram Osama Bin Laden e depois o guerrilheiro se voltou contra os americanos. Usaram Obama Bin Laden para expulsar os invasores russos e depois a cobra mordeu o rabo de seu amo e senhor.

      O sistema de poder ocidental desestabilizou o Oriente Médio de tal maneira, que a situação se tornou incontrolável sob todos os aspectos e ângulos de estudos da questão. Os atentados começam a pipocar na Europa, primeiro na Turquia e hoje a noite bombas explodiram em Paris. Mais de cinquenta pessoas morreram no maior atentado terrorista dos últimos tempos na França. O barulho das bombas foi ouvido no momento da partida entre Alemanha e França, com a presença do presidente françês Hollande no Estádio.

      Não seria melhor deixar o povo dar soluções para seus problemas sem a interferência das potências colonialistas? Aqui mesmo no Brasil, a potência americana interferiu nos nossos destinos apoiando o golpe militar contra o presidente eleito João Goulart. Apoiam os golpes, tiram os presidentes indesejáveis e depois jogam ao mar os ex-aliados, assim fizeram com os militares brasileiros, quando não interessavam mais tiraram o apoio e a ditadura caiu. Saddan entrou no jogo dos EUA e atacou o Irã travando uma guerra contra o vizinho durante oito longos anos. Como ninguém venceu, a guerra acabou por osmose, então foi a hora de se livrar do aliado incômodo.

      Há muito mais exemplos, mas, se tornaria enfadonho enumerá-los. O último ditador do Panamá um traidor do presidente Omar Torrijos, foi preso e extraditado para cumprir prisão por tráfico de drogas nos EUA. Coitado, pensava que os EUA eram seu amigo. Se ainda não morreu, creio que morrerá na prisão americana, para evitar que lance suas memórias e crie problemas para a diplomacia do grande império.

      A sorte está lançada.

      • O nome do ditador que traiu o presidente Omar Torrijos se chama Manuel Ortega. Os nomes precisam de definição para melhor esclarecer os fatos.

        No caso da Rússia, o papel dessa potência tem sido secundário no xadrês do Oriente Médio. O papel preponderante é exercido pelos três maiores atores na área conflagrada: EUA, Inglaterra e França.

        Antes da entrada da Rússia no apoio a Assad, quando entrou no cenário para barrar o avanço do Estado Islâmico esse grupo terrorista entrava nas cidades e destruíam monumentos seculares, matavam mulheres, idosos e crianças e implantavam o terror militar e religioso. As cidades estavam se tornando verdadeiras ruínas da Idade Média. Além do ISIS, grupos que chamam de “moderados” mais que são terroristas também agiam na carnificina, estes apoiados diretamente pelas forças ocidentais em especial os EUA. Os russos vieram passando o trator nos opositores de Assad. O quadro mudou consideravelmente, a ponto do ISIS perder terrenos no front sírio e no Iraque. O grupo vem colecionando derrotas nos últimos dias. Os americanos estão perplexos, pois antes a potência global assistia passivamente a degola de franceses, ingleses e de americanos presos pelo ISIS. Os russos entraram na guerra contra o ISIS e o recuo do grupo é evidente. Por esta razão estão desesperados com a premente derrota. Os curdos lutam bravamente, os xiitas do Iraque também e os sírios ganharam força na luta.

        Com o restabelecimento da ordem, os sírios que tiveram que fugir para a Europa, com certeza votarão para o país para iniciarem a reconstrução das cidades em busca daquilo que Proust definiu como ” a busca do tempo perdido”. Que sejam felizes, sem a interferência dos que se acham melhores do que os outros, o que verdadeiramente não o são.

  2. EUA na Síria: Ponha um Ponto Final para o “Bombeiro-Incendiário”, “Abertamente Armando, Financiando e Treinando Terroristas”

    Imagine um pirômano incendiando um edifício, dando uma volta, trocando de roupa por um uniforme de bombeiro e voltando correndo, não com uma mangueira d´ água, mas com um tambor de gasolina sendo rolado a sua frente. Poderia alguém acreditar que a sua intenção seria a de apagar o fogo? Não deveria estar claro para qualquer um que a sua finalidade era a de assegurar-se que, não importa o esforço que se fizesse, esse fogo não iria se extinguir tão cedo, e provavelmente não mesmo antes que tudo já estivesse queimado?

    Por Tony Cartalucci
    Tradução Anna Malm*- Correspondente de Pátria Latina na Europa

    Encontro com a piromania e os incendiários maníacos

    Os Estados Unidos estiveram fazendo voos ilegais sobre a Síria já a mais de um ano. Ele esteve abertamente armando, financiando e treinando terroristas ao longo da fronteira da Síria com a Turquia e Jordânia, reconhecidamente, por muito mais tempo. Tem-se que mesmo antes do conflito ter começado em 2011, os Estados Unidos estiveram conspirando, tão cedo quanto em 2007, como foi revelado em entrevistas conduzidas pelo Prêmio-Pulitzer jornalista Seymour Hersh em seu relatório de 9 páginas “O redirecionamento” (in his 9-page report “The Redirection ) e isso para destabilizar e derrubar o governo da Síria através de extremistas sectários – mais especificadamente, Al Qaeda – com armas e fundos lavados através do mais velho e dedicado aliado regional dos Estados Unidos, a Arábia Saudita.

    O surgimento do chamado “Estado Islâmico” (ISIS/ISIL) mostrou-se como fazendo parte de uma premeditada “desconstrução da Síria, como admitido no relatório de um departamento da Agência de Inteligência DIA, elaborado em 2012 (. A Department of Intelligence Agency (DIA) report drafted in 2012 (.pdf) . Nessa lia-se:
    Se a situação se desenrolar bem deverá haver uma possibilidade de estabelecer um declarado, ou não-declarado Principado Salafista no leste da Síria (Harsaka e Der Zor)sendo que isso é exatamente então o que os poderes apoiados pelos Estados Unidos e a oposição desejam para isolar o regime na Síria, que é considerado como prova da intensidade da expansão xiita ( no Iraque e no Irã)
    .
    Para clarificar quais seriam esses “poderers apoiando” a construção de um “Principado Salafista” o relatório do DIA explica que seriam:
    o ocidente, os países do golfo e a Turquia; enquanto então a Rússia, a China e o Irã estariam apoiando o regime constitucional.

    Nesse contexto tornava-se bem evidente quem seriam os pirômanos.
    Rolando tambores de gasolina para “Apagar o Fogo”

    Nenhum dos recentes movimentos dos Estados Unidos foram honestos. Os formuladores de políticas dos Estados Unidos conspiraram abertamente para se comprometerem com estratégias não destinadas a lutar contra o Estado Islâmico (ISIS), ou a acabar com o conflito destrutivo na Síria, o qual eles mesmo tinham começado. Em vez disso eles agiram para combater as tentativas da Rússia de o fazer. Tudo feito abaixo do disfarce de combater ISIS, ajudar refugiados, ou mesmo qualquer outro subterfúgio para que a opinião pública ocidental pudesse acreditar ou, mesmo, a opinião mundial pudesse aceitar, se não apoiar.

    A verdade começou a aparecer até mesmo nos próprios jornais de propriedade do ocidente. O “Washington Post” num artigo intitulado “Obama tem uma estratégia para a Síria mas enfrenta grandes obstáculos” (Obama has strategy for Syria, but it faces major obstacles.) declara explicitamente que:
    [EUA] irá aumentar operações aéreas no norte da Síria, especialmente na área da fronteira com a Turquia, para cortar o influxo de combatentes estrangeiros, dinheiro, e material vindo para apoiar o Estado Islâmico.

    Aqui o “Washington Post” admite abertamente que o apoio para o Estado Islâmico está fluindo de dentro de um país membro da OTAN, da Turquia. É claro que para parar esse “fluxo” esforços deveriam ser concentrados na fronteira Turquia-Síria antes que abastecimentos e reenforçamentos pudessem entrar na Síria. Está evidente também que o Estado Islâmico (ISIS) está sendo intencionalmente permitido a reabastecer e reforçar sua capacidade de luta dentro da Síria, e isso vindo de um território OTAN, nominadamente para servir como pretexto para uma maior e mais direta intervenção do ocidente na Síria, como se pode notar já em junho de 2014 ( as was noted in June of 2014 ) de quando ISIS pela primeira vez mostrou-se no Iraque.
    ISIS representa os tambores de gasolina sendo rolados para dentro do fogo, não para extinguir as chamas, mas para as desenvolver a um inferno ainda maior.
    Os maníacos incendiários procuram criar um inferno ainda muito maior

    O mesmo artigo do “Washington Post” iria revelar as verdadeiras intenções dos Estados Unidos e suas “botas no terreno” na Síria. Apesar deles dizerem que pretendem lutar “contra o Estado Islâmico” a verdade apresenta-se como muito mais sinistra. Abaixo do pretexto de lutar o Estado Islâmico, essas forças dos Estados Unidos, que apoiam militantes armados, treinados e financiadas pelos Estados Unidos e seus aliados regionais, irão tomar e manter territórios, efetivamente realizando o expresso nos documentos de ação política que de a muito vem expressando o desejo dos formuladores de políticas em Washingtom de “desconstruir” a Síria como uma maneira secundária de destruir a mesma como uma nação-estado, se direta mudança de regime mostrar-se como coisa inatingível.

    Washington Post” diz especificamente que:
    Abaixo da estratégia de Obama, a derrota do Estado Islâmico na Síria baseia-se em possibilitar forças locais sírias a não só fazer retroceder os combatentes do Estado Islâmico como também manter territórios libertados até que um novo governo central, estabelecido em Damasco, possa assumir.

    Como já existe um governo central estabelecido em Damasco, é seguro concluir que as regiões asseguradas pelos militantes apoiados pelos Estados Unidos nunca seriam retornadas até uma derrubada de Damasco. Caso essa estratégia obtenha sucesso isso iria significar uma “balcanização” da Síria e consequentemente, o seu fim como uma nação unificada.

    Comparando essa recente confissão do “Washington Post”, que se baseia em “lutar contra o Estado Islâmico” seguindo um plano que já tinha sido feito antes mesmo do aparecimento do mesmo, revela também que o Estado Islâmico é só mais um de uma série de pretextos usados para implementar os objetivos dos Estados Unidos. Tudo já tinha sido elaborado, até mesmo o surgimento do próprio, antes de que qualquer tiro tivesse sido dado na atual crise da Síria.
    No Memo #21 “Brookings Institution-Middle East, de março 2012 “Avaliando Opções para Mudança de Regime” ( “Assessing Options for Regime Change” ) especifica-se que:

    Uma alternativa seria que os esforços diplomáticos se concentrassem primeiro em acabar com a violência e em como ganhar acesso humanitário, como tem sido feito abaixo da direção de Annan. Isso poderia levar a criação de áreas-seguras e corredores humanitários, que teriam que ser assegurados por poder militar limitado [limitado … !!! ? !]. Isso iria naturalmente ficar abaixo dos objetivos estabelecidos pelos Estados Unidos e poderia preservar Assad no poder. Entretanto, desse ponto de partida seria possível que uma substancial coalisão, com o apropriado mandato internacional pudesse acrescentar subsequente ação coercente aos seus esforços. [ênfases acrescentadas]

    O plano de se usar forças especiais dos Estados Unidos para assegurar território sírio também foi especificado no documento da “Brookings” [instituição] de junho de 2015 denominado
    “Desconstruindo a Síria: Uma nova estratégia para a guerra mais desesperançada dos EUA”- Deconstructing Syria: A new strategy for America’s most hopeless war . Nesse documento declara-se que:
    A idéia seria a de ajudar elementos moderados a estabelecer zonas de segurança dentro da Síria uma vez que estivessem preparados. Os EUA assim como forças sauditas, turcas, britânicas, da Jordânia e outras forças árabes poderiam agir em apoio, não só com ajuda aérea mas eventualmente no terreno com uma presença de forças especiais também. Essa abordagem iria beneficiar-se do terreno desértico aberto que poderia permitir a criação de zonas marginais de segurança – buffer zones – que poderiam ser monitoradas para possíveis sinais de ataque inimigo através de uma combinação de tecnologias, patrulhas e outros métodos que forças especiais, vindo de fora, poderiam ajudar os combatentes locais a erigir. [ênfases acrescentadas]

    Se Assad fosse suficientemente audaz para desafiar essas zonas, mesmo que de alguma maneira ele tivesse conseguido o retirar das forças especiais, ele iria provavelmente perder seu poder aéreo em ataques retaliatórios subsequentes, vindo das forças especiais, deprivando assim os militares sírios de uma das poucas vantagens sobre o Estado Islâmico. Concluiu-se portanto que ele provavelmente não iria fazer isso. [ênfases acrescentadas]

    É óbvio que o esquema mais recente dos Estados Unidos continua com a mesma conspiração criminosa, a longo prazo, levantada contra a Síria, como exposto tão cedo como em 2007, por Seymour Hersh.

    Para por ponto final aos pirômanos denomie-os pelo que são – Maníacos Incendiários
    É claro que os Estados Unidos poderiam parar a marcha do Estado Islâmico sem por um único par de “botas no solo” sírio ou fazer um único voo pelos seus céus ( and without setting a single boot down on Syrian soil ).

    A Rússia tem a autorização do governo constitucional da Síria para operar no território sírio para confrontar o Estado Islâmico. Entretanto a Rússia poderia gostar de interditar os abastecimentos e reforços armamentícios para o Estado Islâmico antes que esses entrassem no território sírio, mas tem-se aqui que os países vizinhos, nominadamente a Turquia e a Jordânia, abrigam e ajudam, assim como agem em cumplicidade com as organizações terroristas, não indo então cooperar honestamente com a Rússia.

    A Rússia tem influência limitada sobre os financiadores do Estado Islâmico, incluindo-se aqui a Arábia Saudita da qual a inteira existência depende das armas no valor de muitos bilhões compradas dos Estados Unidos, do círculo de bases militares americanas construídas em volta, e através, de todo o Golfo Pérsico defendendo-os contra a sempre aumentando quantidade de bem merecidos inimigos que adquire, e da constante legitimidade política garantida a eles pelos círculos diplomáticos e midiáticos do ocidente.

    Os Estados Unidos tem uma presença física na Turquia, na Base Aérea de Incirlik, e vem já por vários anos operando ao longo da fronteira turco-síria – tendo também a sua Agência Central de Inteligência provendo armas aos terroristas, as suas forças especiais fazendo operações inter-fronteiriças, enquanto os seus militares vem administrando os campos de treinamento que preparam terroristas antes deles entrarem no território sírio, perpetuando dessa maneira o conflito [que dizem combater]. Os Estados Unidos, como se pode deduzir do acima dito, exercem além disso tudo a sua grande influência sobre a Arábia Saudita, sendo então que seu apoio político e militar é essencial para que a existência do regime saudita, em Riad, possa continuar.

    Se os Estados Unidos estivessem mesmo interessados eles poderiam a qualquer momento apagar esse fogo todo simplesmente através de fechar a fronteira entre a Turquia e a Síria, e fazer por onde por um ponto final na ajuda da Arábia Saudita aos terroristas operando na Síria. Isso iria terminar com o conflito em poucas semanas, senão em poucos dias. Não fazendo isso ele mostra o papel central que ocupa na criação e na perpetuação do próprio “Estado Islâmico”.

    A Síria e seus aliados precisariam não só de reconhecer esses fatos como também de elaborar uma estratégia que possaa efetivamente conter essa situação. Negociar com estados-financiadores da mais terrível e devastadora organização terrorista tendo pisado essa terra, em recente memória coletiva, não parece ser uma opção viável.

    A alternativa que se apresenta então é a expansão da coalisão sírio-russa dentro da Síria, especialmente nas regiões que os Estados Unidos pretendem arrebatar e esculturar a sua conveniência. Inicialmente uma esmagadora presença de “tropas de paz” vindas de várias nações e localizadas ao longo da fronteira turco-síria poderia bloquear os esforços dos Estados Unidos para a perpetualização desse, e relatados conflitos.

    Isso não sendo possível, a Síria e a Rússia tem de tentar expandir suas operações por toda a Síria, e isso mais depressa do que os Estados Unidos possam espalhar seu pretendido caos.

    Por já os Estados Unidos têm muito poucos elementos de uma força especial servindo como um tênue “escudo humano” para os terroristas na mira das operações militares da Rússia e da Síria. Eles ainda estão vulneráveis e possíveis de desengatilhar. Entretanto, os Estados Unidos irão sem dúvida continuar a expandir sua presença na Síria, talvez mesmo até a um ponto onde um retroceder poderia se mostrar como impossível ou inadmissível.

    Tirar do jogo os incendiários pirômanos antes que o fogo irreversívelmente tome toda a estrutura que é o atual estado nacional sírio poderia ser já a única maneira de impedir que a Síria se torne na “Líbia do Levante”. Isso poria também um fim a geopolítica da perigosa guerra-relâmpago claramente destinada, em sua continuação, a Teerã, Moscou e Pequim, respectivamente então Irã, Rússia e China.

    Tony Cartalucci, Bangkok-based geopolitical researcher and writer, especially for the online magazine”New Eastern Outlook”.

  3. Dr. Ednei Freitas,
    Posso acreditar na “isenção” de um jornal russo sobre a Síria?
    Da mesma forma como posso levar em conta a imprensa americana sobre o mesmo fato?
    Por favor, o objetivo dos russos e americanos é um só:
    Aniquilar com os árabes e dividir o Oriente Médio, ficando os americanos com a parte Leste e os russos com a Oeste.
    Se a Rússia quer proteger Assad, a verdade é que tenta salvar o Irã, depois do Iraque, consolidando o Oeste do país, repito, garantindo assim o livre acesso para o Líbano e o Mar Mediterrâneo.
    O exército de Assad, composto de cristãos e muçulmanos, implementará esta estratégia com iranianos e Hezbollah.
    Mas, Assad, será solenemente traído pelos russos, que também vão enfrentar aqueles que não pertencem ao Estado Islâmico, cortina de fumaça dos americanos que igualmente desejam o enfrentamento entre os próprios árabes, alegando que, da mesma forma como fazem os russos, combatem os radicais muçulmanos.
    E desde quando que a Rússia se preocupa com os cristãos e alauitas, estes compondo apenas 15%, na Síria?
    A Rússia percebeu que pode ampliar seus recursos mostrando-se como preocupada com a situação política síria de um lado (a preservação do DITADOR Assad), enquanto que os americanos o querem fora do poder, em face desta aproximação com o Irã, que desagrada sobremaneira Israel.
    No entanto, se esta decisão de repartirem o Oriente Médio estabelecer uma calmaria entre russos e americanos, Obama concordará plenamente, da mesma forma que Putin, pois este sabe das consequências da derrota que o seu país sofreu no Afeganistão.
    Quanto à Arábia Saudita ser uma ditadura, lembro que esta nação tem como nome oficial Reino da Arábia Saudita.
    Ditador é o Assad, que não se afasta do poder.
    “Reeleito” em um refendo convocado no dia 27 de maio de 2007 onde conseguiu 97% de aprovação, simplesmente concorreu sozinho.
    Em 2014, mesmo em meio a uma brutal guerra civil, com 191 mil mortos entre março de 2011 e abril de 2014 , com quase metade da nação deslocada de suas casas e um terço do país nas mãos da oposição, o governo Assad levou a cabo as eleições gerais para presidente, INDEPENDENTE DA CARNIFICINA QUE SOFRE O POVO SÍRIO!
    Com 88,7% dos votos, al-Assad foi declarado vitorioso, resultado considerado duvidoso por grupos opositores contrários ao ditador e criticada por observadores internacionais do Ocidente.
    Volto a enfatizar:
    A nossa distância do conflito, o tabuleiro de xadrez da política internacional, considerando ora publicações antiamericanas ora antirrussas, definitivamente não podem servir como base a informações cabíveis, plausíveis, muito menos verdadeiras, legítimas.
    A natureza deste conflito, a sua essência, desconhecemos, ainda mais no Cone Sul do Continente Americano, muito distante da política local, e de jornalistas tendenciosos, além de simpatias explícitas pelos russos, lógico, em razão de que ainda se alimenta nos países sul-americanos uma paixão pelo comunismo, sonho de todo idiota, que não consegue entender qualquer tema se não tiver ao lado um desses falsos “formadores de opinião”, além de líderes que se autointitulam “combatentes, comandantes”, na verdade um bando de aproveitadores, covardes, e que gostam de viver muto bem às custas de infelizes, pobres, prometendo-lhes o que jamais poderão cumprir!
    Putin está entre a cruz e a espada.
    Ou estende os limites da Rússia, que o motivou anexar a Criméia e foi rechaçado na sua tentativa com a Ucrânia ou, então, será engolido pelo seu vizinho, a China, atualmente a grande superpotência, que consegue o respeito de russos e americanos na mais perfeita calma, voz baixa e sem alardes, diferente dos escandalosos Putin e Obama.

    • Prezado Francisco Bendl

      Quase todos os países do Oriente Médio não são governos democráticos, são ditaduras autocráticas ou supostas dinastias criadas pelos ingleses para dividir os muçulmanos, desde o fim do império otomano e bizantino. Mudou o quadro com a missão de dividir para governar e garantir o ouro negro para as indústrias da Revolução Industrial. A ditadura saudita é a mais severa do mundo muçulmano. As mulheres não podem nem ao menos dirigir automóveis.

      Quanto a Rússia, o que restou do antigo império soviético, seu papel no cenário de guerra total na Síria é o de garantir a segurança de suas fronteiras, assim como as fronteiras iranianas e da Criméia na Ucrânia. O mundo ocidental conseguiu dividir o império soviético, a partir da queda do muro de Berlim. Restou pouco daquela potência que rivalizava com os EUA. Eles, os russos não querem perder mais, aliás, nenhum país quer perder seu território. A Bolívia tem horror do Brasil pela perda do Acre.

      Penso diferente de você nessa questão, porém respeito suas teses apesar de discordar respeitosamente. Humildemente afirmo que preciso estudar mais sobre a história do Oriente Médio e procurar entender as razões dos conflitos atuais. Enquanto isso vou escrevendo e lendo os comentários de todos vocês, que vão lançando luz onde a escuridão predomina por culpa do sistema de informação truncada das grandes potências. Leia meus comentários abaixo: Um abraço.

      A PRIMAVERA ÁRABE E O DESFECHO NA SÍRIA

      Escrevi vários comentários sobre o Oriente Médio, notadamente sobre a Primavera Árabe publicadas pelo editor Carlos Newton. Pois bem, a partir desse movimento libertador, que muitos pensavam ser um novo Renascimento, se mostrou depois se tratar de uma farsa.

      O primeiro mandatário escolhido para morrer foi Muamar Kadaffi, assassinado de maneira cruel no deserto, a caminho do Sudão. As potências europeias (Inglaterra e França) enviaram militares para Benguazi para treinar guerrilheiros (insurgentes).

      Quando estavam sendo rechaçados pelas forças líbias, entraram em ação os americanos com drones, aviões não tripulados para despejar milhares de bombas contra as cidades líbias e principalmente a capital Trípoli. Destruíram o aeroporto local, as pontes, subestações, o abastecimento de água, enfim, tornaram um país moderno em um caos total. Evidente, que o ditador ficou em situação insustentável.

      Entretanto, a Líbia hoje é um país ingovernável com várias milícias armadas, que controlam pedaços da nação, um grupo ao norte, outro próximo ao mar mediterrâneo, outro em Benguazi, outro em Trípoli e mais dramático ainda, o ISIS controla uma parte da Líbia e estão implantando o terror. São jacobinos em alto grau cortando cabeças daqueles que discordam de seus métodos.

      Com a queda de Saddan no Iraque, uma ação de George Bush, que até mentiu sobre armas químicas para invadirem e desestabilizarem o governo de Saddan voltaram suas baterias para a Líbia e derrubaram Kaddafi.

      Depois chegou a vez da Síria. Já duram quatro anos a intensa campanha para derrubar Assad. Um general amigo do ditador Hafez Assad, traiu o amigo e iniciou uma guerrilha apoiada pelas forças ocidentais. O método é o mesmo: Inundam os guerrilheiros com armas, dinheiro e treinamento para lutarem contra o Exército regular. Mas, não contavam com a resistência do líder sírio.

      O ISIS foi criado para destruir Assad, os curdos e o governo xiita do Iraque. Agora esse grupo se tornou uma força incontrolável. Isso demonstra que não aprenderam com os erros cometidos no Afeganistão, quando criaram Osama Bin Laden e depois o guerrilheiro se voltou contra os americanos. Usaram Obama Bin Laden para expulsar os invasores russos e depois a cobra mordeu o rabo de seu amo e senhor.

      O sistema de poder ocidental desestabilizou o Oriente Médio de tal maneira, que a situação se tornou incontrolável sob todos os aspectos e ângulos de estudos da questão. Os atentados começam a pipocar na Europa, primeiro na Turquia e hoje à noite bombas explodiram em Paris. Mais de cinquenta pessoas morreram no maior atentado terrorista dos últimos tempos na França. O barulho das bombas foi ouvido no momento da partida entre Alemanha e França, com a presença do presidente francês Hollande no Estádio.

      Não seria melhor deixar o povo dar soluções para seus problemas sem a interferência das potências colonialistas? Aqui mesmo no Brasil, a potência americana interferiu nos nossos destinos apoiando o golpe militar contra o presidente eleito João Goulart. Apoiam os golpes, tiram os presidentes indesejáveis e depois jogam ao mar os ex-aliados, assim fizeram com os militares brasileiros, quando não interessavam mais tiraram o apoio e a ditadura caiu. Saddan entrou no jogo dos EUA e atacou o Irã travando uma guerra contra o vizinho durante oito longos anos. Como ninguém venceu, a guerra acabou por osmose, então foi à hora de se livrar do aliado incômodo.

      Há muito mais exemplos, mas, se tornaria enfadonho enumerá-los. O último ditador do Panamá, o general Manuel Ortega, um traidor do presidente Omar Torrijos, foi preso e extraditado para cumprir prisão por tráfico de drogas nos EUA. Coitado, pensava que os EUA eram seu amigo. Se ainda não morreu, creio que morrerá na prisão americana, para evitar que lance suas memórias e crie problemas para a diplomacia do grande império.

      No caso da Rússia, o papel dessa potência tem sido secundário no xadrez do Oriente Médio. O papel preponderante é exercido pelos três maiores atores na área conflagrada: EUA, Inglaterra e França.

      Antes da entrada da Rússia no apoio a Assad, quando entrou no cenário para barrar o avanço do Estado Islâmico esse grupo terrorista entrava nas cidades e destruíam monumentos seculares, matavam mulheres, idosos e crianças e implantavam o terror militar e religioso. As cidades estavam se tornando verdadeiras ruínas da Idade Média. Além do ISIS, grupos que chamam de “moderados” mais que são terroristas também agiam na carnificina, estes apoiados diretamente pelas forças ocidentais em especial os EUA. Os russos vieram passando o trator nos opositores de Assad. O quadro mudou consideravelmente, a ponto de o ISIS perder terrenos no front sírio e no Iraque. O grupo vem colecionando derrotas nos últimos dias. Os americanos estão perplexos, pois antes a potência global assistia passivamente a degola de franceses, ingleses e de americanos presos pelo ISIS. Os russos entraram na guerra contra o ISIS e o recuo do grupo é evidente. Por esta razão estão desesperados com a premente derrota. Os curdos lutam bravamente, os xiitas do Iraque também e os sírios ganharam força na luta.

      Com o restabelecimento da ordem, os sírios que tiveram que fugir para a Europa, com certeza voltarão para o país para iniciarem a reconstrução das cidades em busca daquilo que Proust definiu como “a busca do tempo perdido”. Que sejam felizes, sem a interferência dos que se acham melhores do que os outros, o que verdadeiramente não o são.

      • Caro Nascimento,
        Não pretendo debater esta questão, até porque estamos distantes das áreas de conflito, e carecemos de maiores conhecimentos a respeito.
        Agora, me causa espécie este atentado, que fala em mais de 140 mortos (notícias recentes, das 23 horas) em França, Paris, em razão do problema do refugiado e derrubada do avião soviético, no Egito.
        Posso perfeitamente pensar e e raciocinar que seria possível que tal tragédia esta noite tenha sido produzida por gente que pretende repudiar os muçulmanos, tanto faz refugiados quanto moradores na Europa há tempos.
        E por que não efetuada por comandos russos ou americanos ou israelenses ou mesmo franceses?
        Os tais irredutíveis com a situação dos árabes, xenófobos, gente preconceituosa, e que deseja varrer do mapa os muçulmanos?
        Quanto mais leio a respeito desta situação na Síria, mais eu percebo que a guerra entre os povos muçulmanos e de outras religiões, ateus, iniciou, e não terá um campo de batalha específico, mas inúmeras regiões no mundo.
        Ontem foi no Egito, hoje em França, quem sabe amanhã na Alemanha, e por que não um novo atentado nos Estados Unidos ou dentro do território russo?
        Se ingleses, franceses, americanos e russos, sempre dominaram aquela região, já escrevi a respeito, evidente que os árabes mais radiciais, o Estado Islâmico, vai querer se vingar das humilhações, invasões, explorações, perseguições e submissões.
        E aperfeiçoaram o terrorismo, com homens bombas e voluntários a morrer pelo Islã, além de recrutarem jovens em vários países europeus.
        Inegavelmente este atentado, QUE NÃO SE SABE AINDA QUEM FORAM OS SEUS AUTORES, acarretará muito mais dificuldades para os refugiados e aumentarão os combates contra os sírios em sua própria nação, tanto pelos americanos quanto pelos russos, impulsionando os árabes para o mesmo tipo de procedimento assassino contra inocentes e residentes em outros países praticados por Obama e Putin.
        Ora, na razão direta que tanto contestam a presença americana em solo sírio, o mesmo deveria acontecer com a Rússia, que bombardeia alvos também civis alegando ajudar o ditador al-Assad para que permaneça no poder.
        Em síntese, americanos e russos matam os árabes, do Estado Islâmico, Hezbollah, Alquaida, e também muçulmanos e cristãos.
        Enquanto não isolarmos os acontecimentos e analisá-los separadamente, acredito que não chegaremos a qualquer denominador comum, apenas exposições de pontos de vista, meras interpretações, sem que possamos abordar com propriedade as causas desta guerra civil síria e que ultrapassa as suas fronteiras, inegavelmente.
        Assim, Nascimento, eu te agradeço a resposta, a consideração que tens por mim, e também admito muitas das tuas alegações sobre este episódio, de modo que não estamos discordando, mas cada um de nós expondo as suas ideias, as suas conclusões.
        A minha, afirma que estão aniquilando os árabes, e o resto é simplesmente cortina de fumaça sobre a realidade.
        Um abraço, meu caro.

        • Você é sensacional Francisco Bendl. Até na discordância tu és elegante.

          Complementando o arrazoado em resposta aos teus argumentos, o terrorista Osama Bin Laden assassinado pelos americanos no Paquistão era de origem saudita. A família Bin Laden tinha negócios com o clã Bush em áreas de construção civil e petróleo.

          O grupo ISIS, trata-se de um emaranhado de alianças espúrias envolvendo potências ocidentais e reinos autoritários e iniciou seus combates após a queda de Saddan Hussein. Assumiu o governo no Iraque o grupo xiita, logo a minoria de sunitas que controlava o exército perdeu o protagonismo nas Forças Armadas. Muitos foram parar no ISIS, mas, até hoje poucos sabem quem estimulou os jacobinos modernos. Apontar o culpado ou os culpados, me parece ainda temerário, pois não se pode provar. No entanto, os analistas poderiam seguir o dinheiro ou os interesses vitais desse ou daquele país no cenário do petróleo.

          As reportagens dessa manhã de sábado indicam que foi mesmo os terroristas do ISIS que cometeram os atentados de paris ontem à noite. Computaram 128 mortes até agora e mais de 80 feridos em estado grave. Confirmado também que a queda do avião russo no deserto do Sinai no Egito semana passada, culminando na tragédia de mais de 200 russos mortos foi obra do ISIS, mesma composição do atentado no Líbano tudo em menos de 15 dias.

          O que se percebe é o desespero dos terroristas do ISIS, que vêm perdendo terreno no front da guerra desde a entrada da força aérea russa contra alvos do ISIS na Síria. Os curdos ao norte do Iraque tomaram posições conquistadas pelo ISIS.

          O ataque terrorista em Paris foi a gota de água que faltava para que as forças ocidentais entrem na guerra total contra o ISIS. Nos próximos dias os bombardeios ocidentais se tornarão fulminantes por terra e por ar objetivando aniquilar o denominado Califado Mulçumano do ISIS.

          Bom dia.

          • Meu caro Roberto Nascimento,
            Só faltava eu e tu nos digladiarmos pelos árabes, que devem resolver seus problemas e SEM QUALQUER INTERVENÇÃO, seja do lado russo ou americano!
            Dito isso, repito que não discordamos, apenas temos interpretações diferentes sobre este conflito sírio, que devemos mais unir nossos argumentos em busca das causas reais, que discutir a guerra civil à distância, sem que tenhamos tanto as informações devidas quanto notícias isentas.
            Quanto ao recuo das forças do Estado Islâmico e AlQaeda, as últimas informações dão conta do contrário.
            Observa:
            De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), o Estado Islâmico se aproxima do aeroporto militar da cidade de Deir Ezzor (leste). O EI já controla alguns setores dessa localidade.
            “Trata-se de um dos ataques mais violentos lançados pelo EI contra o aeroporto. Dezoito soldados morreram, assim como 36 membros do EI”, afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.
            Rica em petróleo, a província de Deir Ezzor, na fronteira com o Iraque, está em grande parte nas mãos do EI.
            Tá vendo?
            Olha o quanto as notícias são desencontradas, portanto, julgo temerário qualquer análise sem que tenhamos a confirmação dessas informações sobre quem está vencendo quem, considerando que está em jogo poderosos interesses comerciais e expansionistas, e qualquer notícia que levante o moral dos contra à ditadura da al-Assad ou daqueles que desejam a sua continuidade no governo, temos de ser cautelosos.
            Sobre o atentado ontem à noite, em França, Paris, que matou 153 pessoas, segundo dados da polícia francesa, eis uma tragédia que exigirá profundos exercícios de imaginação para se chegar a conclusões sobre a quem possa interessar um aumento brutal de antipatias contra os muçulmanos em geral, e não somente contrárias ao EI.
            Se a intenção desse grupo radical e terrorista é de fato incrementar uma guerra contra o Ocidente de forma generalizada, conforme comentei ontem, então conseguiu com os dois atentados em uma semana: Egito e França.
            E salve-se quem puder!
            O problema é que nesse meio tempo, Roberto, inocentes vão ser chacinados, ou seja, o povo árabe vai pagar o pato pelos terroristas, e da mesma maneira como estão assassinando a população síria os russos e americanos!
            Só não me venham dizer, pelo amor de Deus, que os russos, na Síria, acertam os alvos com precisão cirúrgica, enquanto os americanos, na mesma região, erram os alvos com precisão catastrófica!
            Aí, meu amigo, encerro este diálogo até com o Sumo Pontífice!
            Um abraço, Roberto.
            Ah, e quanto a ser elegante, tu és o exemplo, por favor, em razão de manteres com este semianalfabeto uma troca de ideias tão educada e respeitosa. Eu apenas tento me fazer entender, então a paciência que pessoas do teu nível, de inteligências superiores e reconhecidas como sábias, precisam ter com este escrevinhador.
            Um excelente fim de semana, com saúde e PAZ!

  4. DEUS DO CÉU! SERÁ QUE OS AMERICANOS MAIS AS FORÇAS OCIDENTAIS DA OTAN NÃO PERCEBEM QUE SÓ COM UMA AÇÃO COORDENADA COM OS RUSSOS SERÁ POSSIVEL COMBATER ESSES TERRORISTAS DO ISIS, ISIL, ESTADO ISLAMICO OU O NOME QUE SE QUER DAR PARA ESSES DEMONIOS ENSANDECIDOS?

    SE O PREÇO DISSO FOR TER QUE ATURAR O DITADOR ASSAD SE PERPETUANDO NO PODER QUE ASSIM SEJA, POIS TUDO INDICA QUE EM RELAÇÃO A ELE SE APLICA A MESMA CONSTATAÇÃO LÓGICA E DOLORIDA QUE SE APLICAVA A SADDAM HUSSEIN E KHADAFI:

    – RUIM COM ELLES, MUITO PIOR SEM ELLES!

    A SOLUÇÃO PORTANTO É A MESMA SUGERIDA PELO “ESTRATEGISTA” GARRINCHA EM 1958:

    – TEM QUE SE COMBINAR ANTES COM OS RUSSOS, SENÃO VAI DAR TUDO ERRADO!

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