Gravações revelam que Demóstenes fazia favores para o empreiteiro mais ligado a Sergio Cabral

Carlos Newton

Gravações da Polícia Federal mostram que o empresário-bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pediu que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se esforçasse para impedir a convocação do empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, para depor numa comissão da Câmara, em maio do ano passado.

Como se sabe, a Delta cresceu nos últimos anos fazendo negócios com o governo federal e vários Estados, especialmente o Rio de Janeiro, onde Cavendish se tornou amigo íntimo do governador Sergio Cabral, que passa fins de semana com ele.

As investigações da Polícia Federal indicam que o senador usou o cargo para atender pedidos de Cachoeira, que tinha interesse em promover negócios da construtora com o governo de Goiás.

Em nota, a construtora Delta informou que as “áreas de relacionamento institucional da empresa e o presidente do Conselho de Administração do Grupo Delta, Fernando Cavendish, desconhecem o teor, a motivação e a natureza do diálogo”.

Outras gravações divulgadas pelo jornal O Globo mostram Demóstenes discutindo com Cachoeira um projeto de lei que transforma em crime a exploração de jogos de azar, nomeações de funcionários do Senado e o andamento de um processo judicial de interesse do empresário em Goiás.

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DEFENSORES

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, responsável pela defesa do senador, afirmou à Folha que não vai comentar o teor dos grampos da Polícia Federal. “Ainda não tive acesso a essas gravações”. Castro, contudo, voltou a dizer que as gravações não têm valor jurídico e que elas são totalmente nulas, vejam só a que ponto chega a desfaçatez de certos advogados.

Já Cachoeira, que está preso por explorar ilegalmente jogos de azar, é defendido pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula. Procurado pela imprensa, Thomaz Bastos afirmou que preferia não se manifestar.

Realmente, não é para menos. Ou quem sabe o ex-ministro resolveu se retrair por ter lido o Código de Conduta Ética que Sérgio Cabral recentemente mandou redigir, para tentar entender o que é certo ou errado para um homem público fazer, depois que foram descobertas suas ligações íntimas com Cavendish. Mas parece que o governador é meio burro e até agora não conseguiu compreender os ensinamentos do tal Código de Conduta Ética.

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