Grécia quer moratória e perdão de 50% da dívida

Leandro Colon
Folha

Vencedor das eleições na Grécia neste domingo (25), o partido de esquerda radical Syriza lançou um programa de governo que inclui, entre outras coisas, uma moratória temporária da dívida pública do país – a ideia seria suspendê-la até a retomada do crescimento.

O partido promete ainda uma série de benefícios sociais para a população. O custo do programa, segundo o Syriza, é de € 11,3 bilhões – mas seus líderes prometem arrecadar € 12 bilhões com ações que estimulem o crescimento da Grécia e o combate à evasão fiscal.

A Grécia hoje tem uma taxa de desemprego de 25%, a maior da Europa, sendo que entre os jovens esse percentual sobe para 60%. A dívida pública é de 175% do PIB.

O Syriza é contra as medidas de austeridade fiscal negociadas pelo governo grego para receber, após a crise de 2010, € 245 bilhões do FMI e do BCE. Ao todo, 9,8 milhões de gregos estavam aptos para ir às urnas neste domingo.

REDUÇÃO DA DÍVIDA

Abaixo, os principais pontos do programa do partido:

. Perdão de 50% da dívida pública do país, hoje em 320 bilhões de euros

. Renegociar o pagamento do restante de maneira “sustentável”

. Um período de moratória para que o país possa voltar a crescer

. Excluir a restrição de investimentos públicos dos compromissos feitos na dívida

. Energia elétrica gratuita para 300 mil pessoas

. Ajuda de custo para 300 mil famílias

. Programa de moradia popular de 30 mil apartamentos

. Atendimento médico e remédio gratuitos para desempregados

. Aumento do salário mínimo de 580 euros para 751 euros

. Abolir imposto sobre pequenas propriedades e taxar somente as de grande porte

. Um programa para criar 300 mil novos empregos

4 thoughts on “Grécia quer moratória e perdão de 50% da dívida

  1. Só esta faltando incluir no programa do partido grego, o item que determina a inclusão de todos os gregos pobres, no bolsa família brasileiro. Certamente o PT iria concordar.
    Dizem que a Grécia é uma vagabundagem semelhante a brasileira. La, aposentadoria é precoce, o seguro
    desemprego é a preferencia nacional e muita festa.
    A esquerda jogou o pais nesta situação, agora vem dizer que tem a salvação. O povo acreditou, culpam a
    primeira ministra alemã pelas dificuldades vividas, A Merkel foi intimada pelos eleitores alemães, a parar
    com a farra das bondades, virou persona non grata aos gregos.
    Seguramente a União Européia vai deixar a Grécia pendurada no pincel, já cansaram de ajudar a quem não
    se ajuda.
    O povo grego entregou o governo a esquerda para terminar o que começou. Jogar pais na bancarrota total,

  2. A VERDADEIRA TRAGÉDIA GREGA FOI O SEU GASTO PÚBLICO. (Excertos do artigo)

    “A responsabilidade pela situação financeira grega deve ser atribuída a quem gerou esse elevado volume de endividamento: os políticos gregos e todos aqueles que aplaudiam e que foram beneficiados pelas políticas de endividamento do governo (antes e depois da crise).”

    “A questão é simples: quem não pode pagar indefinidamente, não pode gastar indefinidamente.”

    Artigo completo: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2017

  3. A Grécia e o mito do governo grátis

    Por João Luiz Mauad, para o Instituto Liberal

    “O que é prudente na conduta de qualquer família particular dificilmente constituiria insensatez na conduta de um grande reino”. Adam Smith

    Com a eleição do senhor Tsipras, pode-se dizer que o bolivarianismo desembarcou na Grécia. Tenho pena dos gregos, cujo futuro se mostra bastante nebuloso, para não dizer doloroso.

    Se Milton Friedman já nos havia alertado sobre o mito do almoço grátis, recentemente Paulo Rabello de Castro muito bem descreveu o ‘Mito do Governo Grátis’ (não deixem de adquirir, pois vale cada centavo do preço). Segundo o autor, “O Mito do Governo Grátis é um fenômeno político que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém”. Tudo indica que foi justamente por acreditar na existência de governos grátis que os gregos elegeram o partido Syriza.

    O que até pouco tempo era tido como uma grande virtude econômica, a austeridade, de uma hora para outra, transformou-se no maior dos vícios, pelo menos para a maioria dos gregos – só para lembrar, as políticas de austeridade, contra as quais os gregos votaram no domingo, significavam apenas que o governo deveria limitar seus gastos àquilo que arrecada, sem aumentar sua dívida e sem emitir dinheiro para financiar seus gastos. Não tenho dúvida de que os gregos estão trocando a dor de uma recessão agora pelo pesadelo de algo muito pior um pouco mais adiante.

    A Grécia é hoje um retrato cruel da decadência do estado de bem estar social europeu. Ninguém admite nem sequer a possibilidade de perder algum “direito adquirido”. Aposentados, pensionistas, funcionários públicos, estudantes, todos querem manter seus “direitos”, pagos régia e religiosamente pelo governo, claro. Pouco importa quem vai pagar a conta, no presente ou no futuro. Acreditam que o Estado é uma fonte inesgotável de recursos, bastando aquilo que os demagogos convencionaram chamar de “vontade política” para que recursos abundantes se materializem nas contas do governo. Por outro lado, ninguém admite aumentar a carga de trabalho nem tampouco pagar impostos – não por acaso, na Grécia, a sonegação fiscal é uma das maiores do mundo.
    Nesse sentido, é realmente exemplar o resultado da eleição, que colocará no poder um partido de extrema esquerda – algo praticamente inédito na Europa desde a queda do Muro de Berlim -, pois mostra, em cores vivas, o que pode acontecer quando um país inteiro vira as costas para a realidade e resolve que pode viver acima de suas possibilidades, sem se importar com a conta. Ou pior: achando que terceiros (no caso, principalmente os credores) estariam obrigados a pagá-la. Os gregos (ou pelo menos a maior parte deles) estão embriagados pela fantasia do “governo grátis” e seus políticos possuídos pelo devaneio de prover a felicidade geral sem custos, ou melhor, à custa dos outros. Não tem como dar certo.

    A própria permanência na União Européia é hoje vista com desconfiança, principalmente porque a união monetária que oficializou o Euro como moeda única tornou-se um grande entrave para os governos perdulários. Se antes as crises financeiras eram “enfrentadas” com medidas populistas irresponsáveis, como emissão de moeda (leia-se: inflação) e manipulação das taxas de juros e câmbio, na Grécia de hoje isso não é possível, já que o governo não tem ingerência sobre o BC europeu.
    Por isso, dificilmente o novo governo grego manterá o país atrelado ao Euro. A curto prazo, será um alívio, mas lá na frente a recessão e a inflação, a exemplo do que ocorre hoje com a Argentina, virão cobrar a conta.

  4. Os principais pontos do programa do partido grego que ganhou as eleições parecem copiados do PT ou o marqueteiro é o mesmo:

    . Energia elétrica gratuita para 300 mil pessoas = Bolsa Energia para todos

    . Ajuda de custo para 300 mil famílias = Bolsa Familia

    . Programa de moradia popular de 30 mil apartamentos = Minha casa, minha vida

    . Atendimento médico e remédio gratuitos para desempregados = SUS, SAMU, Farmacia Popular

    . Aumento do salário mínimo de 580 euros para 751 euros = Ganho real do SM

    . Abolir imposto sobre pequenas propriedades e taxar somente as de grande porte = Esta idéia o PT vai copiar um dia.

    . Um programa para criar 300 mil novos empregos = Cotas para Todos

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