‘Grupo aliado a Lula deixa marca dolorosa no MDB’, diz Pedro Simon, que apoia terceira via

O ex-governador gaúcho Pedro Simon, decano do MDB. Foto: Marcos Nagelstein/Estadão

Entre Lula e Bolsonaro, pela primeira vez Simon vota em branco

Pedro Venceslau
Estadão

Decano do MDB, o ex-governador do Rio Grande do Sul, ex-senador e ex-ministro da Agricultura de José Sarney, Pedro Simon, de 92 anos, acumulou sete décadas consecutivas de atuação na vida pública. Com essa bagagem, insurge-se contra a ala lulista de seu partido e se tornou ardoroso defensor da pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República.

Nesta entrevista ao Estadão, Simon afirma que, em caso de polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, votaria, pela primeira vez na vida, em branco. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Uma ala do MDB defende o apoio do partido a Lula para a Presidência. A sigla é mais antipetista ou lulista?
MDB sempre foi um partido complexo. Liderou a campanha das Diretas-Já, a Assembleia Nacional Constituinte e o movimento pelo fim da tortura, mas sempre teve um grupo que ia para o outro lado. O grupo que apoiou o Lula na corrupção que foi feita sempre gostou de mamar nas tetas do governo. Hoje, não tenho dúvida de que nesse drama cruel que estamos vivendo – em que, de certa forma, querem determinar que metade do Brasil seja Lula e metade Bolsonaro –, o MDB reúne condições de dar a grande caminhada para um Brasil realmente democrático. Simone Tebet é um nome espetacular. É uma mulher digna, honesta e competente.

Mas como avalia a força dos emedebistas que apoiam Lula, como Renan Calheiros e Eunício Oliveira?
Esse grupo está identificado com a Operação Lava Jato. Está provado e reconhecido, embora os processos não andem porque o Supremo Tribunal Federal deixou na gaveta. A marca que eles deixaram é triste e dolorosa. Lula deveria estar na cadeia e essas pessoas deveriam estar respondendo a seus processos. Esses nomes têm condenações graves e sérias, mas o Supremo fez uma espécie de troca-troca: um não mexe com o outro.

Há muitos bolsonaristas no MDB também…
Os que querem Bolsonaro estão encantados com os favores, vantagens e emendas do Orçamento. A coisa está tão malparada que lembro de uma frase do doutor Ulysses (Guimarães) quando a gente se queixava do Congresso: “Se esse Congresso é horrível, espera até vir o próximo”. Bolsonaro está muito longe do que é bom para o Brasil. Eu defendi, lá atrás, uma tese de que o MDB deveria apresentar dois candidatos: a Simone e o (Sérgio) Moro (hoje no União Brasil). A ideia era não definir logo quem seria o candidato a presidente e vice. Aí, em agosto, fariam uma grande pesquisa.

Por que não deu certo?
Porque o Moro levou paulada de todos os jeitos. O Supremo soltou todo mundo, só falta colocar o Moro na cadeia. Então, ele largou e não é mais candidato. A salvação do Brasil se chama Simone. O pai dela (Ramez Tebet) foi presidente do Senado quando afastamos o senhor Jader (Barbalho).

O senhor acredita que a chamada terceira via pode sair unida? Ou o MDB deve ter chapa pura?
É lamentável que a terceira via não saia unida. Existem todas as condições de unir o PSDB e o velho MDB. O ideal seria eles estabelecerem, juntos, uma reação a essa máquina do lulismo, que quer ganhar a qualquer custo, e ao Bolsonaro, que usa a máquina do governo de maneira irresponsável. Se a Simone for lançada candidata, tenho a convicção de que esses partidos que não sabem o que fazer virão conosco. Os que não sabem o que fazer também vão com ela.

O ex-governador João Doria (PSDB) seria um bom vice para Simone? Acha possível uma composição?
Eu respeito o Doria. Ele foi um bom prefeito e um bom governador. É honesto, decente e foi o grande nome da vacina, mas não sei o que ele fez que não soma. O ideal era ter o Moro de vice. Seria espetacular.

Como avalia o nome do ex-governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB)?
Tenho respeito e gosto dele. É um homem bem-intencionado, mas foi irresponsável ao deixar o governo. Não devia ter entrado naquela prévias. Foi uma confusão. Acho difícil o Eduardo Leite ser candidato a governador. Ele renunciou e seria estranho voltar atrás. O mais provável é que ele dispute o Senado. Mas é um político que tem um futuro.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, em quem votaria?
É um drama, tchê. Deus não vai permitir isso. É um terror um homem de 92 anos, com 70 anos de cargos públicos, dizer isso, mas eu votaria em branco. Tem muita gente que está vivendo esse drama.

Se a senadora Simone Tebet for mesmo candidata ao Planalto, o senhor acredita que o MDB vai estar de fato fechado com ela ou traições serão toleradas nos Estados?
Se Simone for a candidata, acredito que sim. Lula não prestou conta dos erros que cometeu e Bolsonaro não sabe o que vai fazer. Eu acredito num milagre. Estou convencido de que o programa de TV vai mostrar quem é quem. Acredito num palanque único com União Brasil, MDB e PSDB. E mais: outros partidos vão fechar com ela. O povo vai se insurgir. Quais interesses levam parte do MDB a apoiar Lula ou Bolsonaro? Está na hora de Deus ser brasileiro.

O que é mais forte hoje no Brasil: o antipetismo ou o antibolsonarismo?
Dá empate. Fui fã do Lula no início do governo dele. Tomou posições corajosas, mas aí veio a Lava Jato. Lula acabou se comprometendo. E, se o Bolsonaro fizer um teste psicotécnico para tirar carteira de motorista, ele não passa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Boa entrevista, mas ficou faltando um detalhe importante – a presença de Ciro Gomes na disputa, porque Moro está fora e Doria não tem chances. O ideal seria uma chapa de Simone e Ciro, ou vice-versa, em negociações que estão para ser iniciadas e ainda há tempo para virar o jogo. (C.N.)

18 thoughts on “‘Grupo aliado a Lula deixa marca dolorosa no MDB’, diz Pedro Simon, que apoia terceira via

  1. O ex-senador Simon dá uma entrevista interessante. É uma das últimas figuras da velha política.
    Sua análise não trás nada de novo, a não ser a decisão de mais um brasileiro que se nega a escolher de dois péssimos candidatos, o menos pior! Estarei com ele, mais uma vez, ao votar branco ou anular. Tanto faz: é um protesto aberto!
    Do MDB nasceram vários partidos, de direita e esquerda: era o depósito da oposição. O centrão também. Antes da redemocratização, por necessidade era a geleia geral! Até hoje, embora o maior de todos, não conseguiu unir as pontas para concorrer, seriamente, à presidência.
    Terá mais uma chance com Simone. Tomara tenham juízo e um pouco de amor pelo Brasil!
    Fallavena

  2. Naturalmente, que seria impossível encarcerar as centenas de milhões de eleitores que praticamente esse crime.

    Aí legaliza-se a bagaça.

    É vamos nos afundando cada vez mais.

    Mas tem-se como culpados, ao gosto do freguês, o liberalismo ou o comunismo, inexistentes pra quem tem como objetivo primevo assaltarem em bilhoes os cofres públicos.

    TODOS os bandidos bilionários serão perdoados.

    Quanto custa uma indulgência?

  3. 1) Certo CN, seria bom uma chapa Simone – Ciro, mas eu penso que o Gomes é muito vaidoso/arrogante e não aceita a Vice, ele precisa ter humildade.

    2) Administrativamente Ciro é muito bom, mas falta simplicidade.

  4. Se, Simone Tebet ultrapassar o Ciro Gomes, o que acho difícil, voto nela.
    Parece que Simone Tebet tem a Helena Landau como economista de seu governo, se vier vencer às eleições.
    Helena Landau é privatista, no governo FHC foi chamada de musa das privatizações.
    Privatizações fazem parte do sistema e de todos os candidatos, com exceção do Ciro Gomes.
    Quanto ao Lula, não tem credibilidade para dizer que é contra as privatizações depois do que fez contra a empresa.

  5. O senador Simon tem nome na história, mas isso de “entre Lula e Bolsonaro, pela primeira vez” votar em branco demonstra que está desatualizado e deve mesmo descansar e curtir sua aposentadoria.

    Revela, também, que foi fã do ex-presidiário que, na sua ótica “tomou decisões corajosas”. Deve estar, por hipótese, se referindo às conclusões com provas abundantes de corrupção e implementação de verdadeira cleptocracia no país.

    Quanto ao “e, se o Bolsonaro fizer um teste psicotécnico para tirar carteira de motorista, ele não passa”, acho que apenas um simples convite para participar de uma solenidade no palácio do Planalto o faria mudar de ideia (saindo do ostracismo ocasionado pelo pijama).
    A sugestão é que procure fazer logo umas palavras cruzadas para exercitar sua mente antes que a coisa piore.
    Todavia, ficamos por aqui, pois seu passado merece respeito e muito respeito.

    • Sr. Gilberto Clementino,

      O Sr. Pedro Simon, foi sincero.

      Um homem que passou longe dos trilhões de falcatruas que se engendraram e engendram neste pobre país.
      É um homem digno, por isso deixado de lado pelos seus pares.

      Quanto ao Lula, ele apenas mudou de ideia, porque o molusco se tornou o maior ladrão do planeta.

      Quanto ao bolsoidiota, acertou em cheio!
      Temos um desajustado, louquíssimo e psicopata que leva medalha de ouro nesses quesitos.

      O perverso bolsoidiota está perdido, não tá achando mais nem o rumo do leito matrimonial.

      Se a terceira via ganhar o pleito, ele vai preso!
      A sua família inteira terá problemas com a justiça, e os milicianos amigos do rei também irão pra JAULA!

      Algo fede muito na vida do bolsoidiota, seus filhos e os milicianos.

      Talvez o Enigma M. explique o desespero desta alma ruim.

      Um abraço.
      Cordialmente,
      José Luis.

      • Prezado Espectro
        Permita ajustar parte do que afirmas. Na vida de Lula e de Bolsonaro, tudo fede!
        São moedas com as mesmas faces!
        Nunca votei em Lula/PT e votei em Bolsonaro para retirar o PT/puxadinhos/centrão do poder. Ele mentiu, cometeu estelionato eleitoral antes de tomar posse!
        Se o reelegerem ou ele ajudar Lula voltar, quem votar neles que assumam a responsabilidade!
        Simon votará em branco, com certeza!
        Não bato palmas e nem toco tambor para malucos dançar!

        Fraterno abraço.
        Fallavena

    • Prezado Gilberto
      Simon disse que ” Fui fã do Lula no início do governo dele. Tomou posições corajosas,” Ele não ficou com Lula, não esteve no governo e fez oposição.

      Conheci Simon e como dirigente de entidade de pais do RS, tive diversos contatos com ele. É um homem sério, com erros normais da política. Sempre o achei frágil nos embates. Poderia ter feito mais, muito mais!

      Qualquer brasileiro, com mínimo conhecimento e responsabilidade, não pode votar em Lula ou Bolsonaro! É a minha opi8nião. Direito de votar, basta ter título.

      Simon, talvez não tenha mais voz ativa e decisiva no PMDB/RS. A idade chegou de vez!

      Raros são os políti8cos atuais que podem chegar perto da história e dos conhecimento de Pedro Simon!

      Fallavena

  6. “Simon afirma que, em caso de polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, votaria, pela primeira vez na vida, em branco”.
    Fala totalmente sem lógica. Porque uma pessoa, que não tem mais a obrigação de votar, sairia de casa para votar “em branco”? Espero que, se eu chegar à idade desse senhor, não pense da mesma forma que ele!

    • Prezado Ruy
      Eu também não preciso mais votar!
      Mas votarei. Por que?
      Na nossa democracia “rastaquera”, esta e a única forma de protestar.
      Antigamente, se conseguia escrever na cédula, todo os desaforos possíveis. A tecnologia eliminou este instrumento!
      No 2º turno, anular ou votar em branco, é dizer não aos candidatos! Só isto.
      Fallavena

      • Caro Fallavena.
        Respeito a sua opinião, mas não comparecer às urnas, assim como anular ou votar em branco, também é dizer não aos candidatos. Além do que, na minha opinião, é muito mais lógico e impactante, não comparecer, do que sair de casa para votar, apesar de não ter mais obrigação para tal,

  7. Pedro Simon é outro político que deveria ter ocupado a cadeira de presidente.

    Quando senador da república, sempre ouvia seus pronunciamentos fortes e diretos aos políticos corruptos.

  8. Esse jovem de 92 anos, dos quais 70 ficou mamando nas tetas Publicas é o mesmo que o Senador Collor “desossou” na Tribuna do Senado.???:

    Aliás, nesses 70 anos nunca produziu um prego.

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