Grupo dos 35 comemora a vitória sobre os “juristas” João Paulo e Eduardo Cunha.

Carlos Newton

A criação do grupo dos 35 no PMDB é altamente auspiciosa, em meio ao festival de denúncias que assola o país (royalties para Sergio Porto, como diz Helio Fernandes). A mobilização firme e desassombrada desses deputados do PMDB produziu reação até entre os petistas, que sempre se caracterizaram por uma obediência cega aos cardeais do partido.

A primeira vitória do grupo dos 35 surge com a retirada dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência e da relatoria da importante comissão que cuidará da reforma do Código de Processo Civil. Como se sabe, ambos são réus perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

João Paulo Cunha é réu no processo do mensalão do PT, quando sua mulher foi flagrada recebendo R$ 50 mil de propina no caixa do Banco Rural, e o parlamentar paulista alegou que ela tinha ido à agência bancária simplesmente para pagar a mensalidade da TV por assinatura.

Já Eduardo Cunha também responde a inquérito no STF, relativo à sua participação no escândalo da absorção da empresa Serra Carioca pela geradora de energia Furnas, na administração Carlos Nadalutti,  quando a estatal pagou seis vezes mais pelo preço da companhia incorporada. Além disso, Furnas foi avalista de uma operação de crédito da Serra Carioca junto ao Santander, no valor de R$ 67 milhões. A Serra Carioca, que tinha como proprietário o engenheiro Aloísio Meyer, ligado ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não pagou o empréstimo, e Furnas teve de honrar.

Com grande apetite por cargos e constante pressão para viabilizar seus interesses no governo e na Câmara, Eduardo Cunha foi obrigado a abrir mão da indicação. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, pela primeira vez enquadrou Cunha. Acossado pelo grupo dos 35, revoltado com sua defesa intransigente do nome de Cunha para assumir a relatoria da comissão, Henrique Eduardo Alves foi até ameaçado de perder a costura de acordo para disputar a presidência da Câmara ano que vem,

“Não posso comprar mais uma briga com a sociedade por sua causa. Você precisa ter humildade e reconhecer que a situação ficou insustentável” – teria desabafado Henrique Alves, em conversa dura com Eduardo Cunha.

Dentro do PMDB, a decisão foi “comemorada” pelos deputados do grupo dos 35 que estavam em plenário. “Foi uma vitória do nosso grupo, que pediu a substituição e quer melhorar a imagem do partido” – disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE).

Traduzindo: parece que, pouco a pouco, a indignidade vai perdendo terreno no Congresso.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *