Guantánamo: em nome do ‘patriotismo’, uns poucos torturam quase 200 prisioneiros. Em 10 anos, ninguém morreu. O objetivo não é matar e sim aterrorizar e vandalizar.

Helio Fernandes

Identificação unânime entre todos os analistas ou comentaristas: “O presidente dos EUA é o homem mais importante do mundo inteiro”. Não deve ser verdade ou não passa de exagero. Outra unanimidade: Obama, pessoal e individualmente, não é adepto da tortura, não tem nada a ver com isso. Então, porque não acaba com esse horror inacreditável e indefensável das prisões em Guantánamo?

Já prometeu várias vezes, “vou dar um fim a essas torturas”. Não deu. Se é poderoso e repudia esse naufrágio da dignidade humana, então é porque alguma força maior se coloca no caminho. Qual seria? Políticos não têm importância para isso, então deve ser um grupo militar que manda mais de tudo e de todos.

Nem na “guerra fria” se torturou tanto. Só que torturavam dos dois lados, tanto americanos quanto soviéticos. Mas era a “tortura por informação”, havia esse objetivo, nada defensável, mas era a guerra. Gastaram bilhões e bilhões, de lado a lado, não obtinham informações importantes.

Os agentes dos EUA e da União Soviética “delatavam” e forneciam tudo que sabiam, ninguém resiste à tortura. E a pior forma de tortura, a mais cruel, sanguinária e mortal, é quando o torturado nada tem a dizer, e o torturador acredita que ele saiba muito. Então, insiste até o torturado não resistir mais, desfalecer ou mesmo morrer.

No desenrolar da “guerra fria”, americanos e soviéticos criticavam e acusavam seus próprios representantes de “traidores”, por entregarem o pouco ou tudo que sabiam. Finalmente compreenderam a realidade, fizeram um acordo: não haveria mais tortura de um lado ou do outro.

A MUDANÇA DE TÁTICA

O acordo da não–tortura era para valer e tinha que ser cumprido. Se não fosse, voltaria a violência física, mortes desnecessárias. Assim, passaram a investir em espiões duplos, procuravam obter informações de outra maneira. Custavam caríssimo, mas soviéticos e americanos pagavam sem regatear, dinheiro era o que não faltava.

Levantamentos de especialistas chegaram à conclusão: nos 30 anos da guerra fria, 1960 (quando chegou ao auge) até 1991 (o fim da guerra fria e da União Soviética) foram gastos 5 ou 6 vezes mais do que na Segunda Guerra Mundial.

Os americanos jogaram todo o dinheiro possível e imaginável no fim da União Soviética. Conseguiram. Tinham dinheiro fácil, desde o Plano Marshall, que começou logo em 1946, com  o fim da guerra.

A União Soviética arruinou o presente e o futuro, explodindo mais de 70 por cento do orçamento nos gastos com a guerra fria e na fabricação de equipamentos caríssimos.

A União Soviética não conseguia produzir bons liquidificadores, o carro feito por eles, o Lada, não saia do lugar. Mas construía submarinos atômicos que surpreendiam e assustavam os adversários. Foram ao espaço antes dos americanos (com Gagarin, que imortalizou a constatação “a Terra é azul”), não foram à Lua, precisamente por causa da loucura dos gastos militares.

A GUERRA IRÃ-IRAQUE

Destruída a União Soviética (que deveria ter durado mais do que de 1917 a 1991), os aproveitadores ficaram bilionários, explorando o que sobrou. Muitos já sabiam do fim, roubaram tudo que podiam. Meses depois do fim da União Soviética, na lista dos 100 mais ricos da Forbes, estavam 12 russos, já não eram mais soviéticos. Alguns estão pela Europa, donos de times de futebol, asilados em países como a Inglaterra.

A guerra Irã-Iraque, que durou anos, foi toda combatida com armamentos da antiga União Soviética. Tudo vendido por mercenários, que se diziam “ex-soviéticos”. Não eram nada. Mas sem o equipamento militar da antiga União Soviética, não teria havido essa guerra, seria travada “com paus e pedras”, como disse Einstein sobre o que acontecerá depois de uma guerra nuclear.

GUANTÁNAMO: A CRUELDADE PELA
CRUELDADE, A TORTURA PELO PRAZER
DA TORTURA, NENHUMA INFORMAÇÃO

“Guerra é guerra”, dizem todos, defendendo os métodos usados, incluindo a tortura. É de uma certa maneira deplorável, mas temos que concordar, todos estamos sem razão. Como justificar a morte de 60 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial, a não ser pela necessidade de vitória? Mas em Guantánamo não existe nada disso.

Prisioneiros numa fortaleza construída em 1903 para defender Cuba da invasão da Espanha. E hoje serve de esconderijo para prisioneiros, que pela Constituição do EUA, não podem ficar presos no país. Nem presos nem torturados, a não ser em Guantánamo, que não é território americano.

O “ATO PATRIÓTICO” PERMITE TUDO,
TORNA COMPREENSÍVEL QUALQUER
TORTURA, VIOLÊNCIA, VANDALISMO

O 11/09 transformou a tortura, seja ela qual for, em “defesa contra o terrorismo”. Numa das raras vezes em que o Congresso (Câmara dos Representantes) votou de forma unânime, o presidente era George W. Bush. Os Democratas não queriam votar a FAVOR dele, mas não admitiam, de forma alguma, votar CONTRA a opinião pública.

A partir daí, vale tudo. Bush não tinha nenhum caráter, representava a falta de convicções, se refugiava num patriotismo rombudo, decadente e inexplicável. Só que Obama, qualquer que seja a posição em relação a ele, não tem nada a ver com o que se passa em Guantánamo. Podem fazer o que quiserem, não haverá repercussão, a não ser mutilada ou escondida.

Ao que se sabe, até agora ainda não morreu ninguém, o objetivo não é matar, e sim torturar. São quase 200 prisioneiros, alguns estão lá há mais de 10 anos. Respondem a “crimes não especificados”, e as autoridades não estão interessadas em elucidar e sim em aterrorizar.

Por causa do que poderia ser divulgado como “crime bárbaro”, o poderoso Donald Runsfeld determinou duas formas de comportamento: 1 – Métodos especiais de interrogatório”. 2 – Nesses “métodos de interrogatório”, a “simulação” ganhou prioridade sobre a morte. Essa “simulação” é mais cruel do que qualquer tortura verdadeira. A tortura pode acabar ou até ser desejada pela morte, a “simulação” é uma diversão para os “torturadores-interrogadores”.

(Há quem diga que em Guantánamo repetem o que foi feito há mais ou menos 150 anos com o escritor russo Dostoievski. Condenado à morte por fuzilamento, sofreu barbaramente (o que nunca foi surpreendente na Rússia (antes e depois de 1917), com o que já chamavam de simulação. Depois de muito sofrimento, a morte por fuzilamento foi transformada em 4 anos de prisão, que ele cumpriu).

PS – O que se comenta sobre essas simulações é assustador. Dias e dias sem alimentação, depois comida de meia em meia hora, tinham certeza de que os presos haviam perdido toda a noção de tempo.

PS2 – Tortura com música tão alta que os presos gritavam de desespero, eram “levados à loucura”. Isso foi “inventado” na Inglaterra e utilizado aqui, no famigerado DOI-CODI.

PS3 – Especialistas em opinião pública explicam: “Obama quer acabar com essa selvageria e fechar Gantánamo, já foi alertado que nenhum desses prisioneiros pode ser levado a um tribunal americano.

PS4 – Obama estaria tentando ganhar tempo, até chegar perto do fim de seu mandato. Seria o medo de enfrentar a opinião pública. Ou um julgamento insensato sobre o que pensa e deseja o cidadão americano.

 

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10 thoughts on “Guantánamo: em nome do ‘patriotismo’, uns poucos torturam quase 200 prisioneiros. Em 10 anos, ninguém morreu. O objetivo não é matar e sim aterrorizar e vandalizar.

  1. Perigoso ocaso

    Até 1970, a experiência profissional contava muito. Cabelos brancos era respeitável crachá profissional. Lembro-me do especial valor que o engenheiro ia conquistando ao longo do tempo. Com 10 anos de experiência ficava muito valorizado. Com 15 ou mais, melhor ainda. Não só para engenheiros, mas para inúmeras outras profissões. Mas, são tempos passados. Salvo exceções, por conta da tecnologia, ter experiência pode não significar muita coisa.

    A fantástica tecnologia vai ocupando lugar da experiência, cada dia mais apta a ser inserida em qualquer processo de produção, intelectual e ou braçal, dos simples aos mais sofisticados e complexos, ocupando lugar da experiência, ocupando lugar do trabalhador, com grandes vantagens. Com isso os jovens profissionais a cada dia mais estão presentes em todas as partes da produção. Salvo em certas atividades, a turma de cabelos brancos vai perdendo importância, perdendo espaço, substituída por jovens, em todo o mundo.

    Dona Tecnologia prossegue exterminando as bases da estrutura capitalista, acabando com o polo consumidor, substituindo o trabalho humano, botando no olho da rua milhares de trabalhadores. Acabando com a classe operária, enfraquecendo o polo consumidor. Por conta da tecnologia, os baixos salários vão se tornando regra. Salvo exceções, com pouco estudo e boa agilidade mental, o candidato de hoje está apto a trabalhar nas maiorias das atividades. Por outro lado, quem ganha pouco ou fica desempregado, perde poder de consumo. É a lógica do sistema.

    A velha experiência tão engrandecida no passado, vai rapidamente perdendo espaço, tornando o trabalhador mais vulnerável, descartável, substituível por outro mais barato e mais produtivo. Fragilizando o poder de consumo por conta do baixo poder aquisitivo dos novos trabalhadores, somado aos milhares desempregados. Sem maiores exigências e tempo de estudo, não há razão para se pagar melhor. É a lógica do mercado.

    Por outro lado, a boa ética e honestidade no sistema capitalista com condiz muito com a natureza desse sistema, nada ético, muito menos, honesto. Basta perceber que não é possível acumular riquezas sem subtrair de quem as produziu. Todas as riquezas existentes no mundo foram elaboradas pelo trabalhador, que fica com muito pouco do que produz, salvo minoria especializada e ou privilegiada. De acordo com os últimos números, haveria cerca de 4 mil bilionários na minúscula Terra, a mesma que leva a bordo quase quatro 4 bilhões de excluídos. Sideral injustiça. Imenso barril de pólvora.

    Da gigantesca concentração de riquezas em mãos de poucos, resulta em excluídos, favelas, revoltas, atrocidades e, especialmente as guerras, fundamentadas em cínicos pretextos, buscando a pilhagem pela força das armas, bem evidenciadas nas invasões militares lideradas pelos EUA, do Iraque e da Líbia, em busca da posse e controle das gigantescas reservas de petróleo dessas desarmadas nações, destituídas de um mínimo de poder de fogo nuclear.

    Por conta da insegurança global do capitalismo, cada dia maior, o mundo toma conhecimento “estarrecido” da oficial violação das comunicações nos EUA, por certo, em todo o mundo capitalista, inclusive na malha mundial da internet. Haja inseguranças no “mundo livre”. Afinal, a velha política externa dos EUA faz muitos inimigos. Por isso mesmo, não conseguem fechar a prisão de Guantánamo, conhecido centro de torturas, de grande utilidade na cabeça do selvagem poder norte-americano.

  2. Inacreditável: há quem defenda moleza para terroristas que matam mais de 3 mil americanos nas Torres Gêmeas. Claro que não aprova a tortura, mas eles não podem ser tratados como inocentes. O Hélio Fernandes deve reconsiderar a opinião dele.

  3. Prezado Hélio Fernandes, o Sr. fez uma análise perfeita, mostrando a dura realidade do
    governo americano. O juízo que se faz, é que realmente os Presidentes americanos são limitados,
    as ações mais importantes são tomadas por um poder maior; grupo de militares, a CIA ou
    conjuntamente. Houve Presidentes que foram adeptos e concordaram com esse poder maior, e houve
    Presidentes que não concordaram, sendo alguns até assassinados.
    Acredito que Obama, queira tomar algumas decisões importantes, mas está cauteloso.

  4. Cauteloso é eufemismo.Ele tem é medo, paúra, mesmo! Como estadunidense, sabe que “presidente que não reza conforme a cia, pentágono e a toda-poderosa indústria bélica manda, é assassinado!”
    Lá, como cá, quem manda é o capital e os seus ‘donos’. Está aqui – no brasil – collor, (JOão Goulart já falecido)que não me deixam mentir! ATENÇÂO: não sou collorida, não votei nesse senhor mas, que ele tentou mexer com alguns ‘provilégios’ bancados pelo Estado, tentou; superficialmente e, desde que, é claro, não fossem os seus, nem os de sua família e ‘chegados’ e sem mexer com a estrutura de poder montada, principalmente no Nordeste, desde as Capitanias Hereditárias!; e que, infelizmente, chegou ao Sul maravilha (RJ) com esses recém-chegados que, numa geração, querem acumular (esbulhar, assaltar o cofre da viúva) o que não haviam conseguido a gerações pasadas! pobre país de ‘espertalhões!’

  5. Obama não passsa de um MOLEQUE_DE_RECADOS do poder economico da Nova Ordem Militar. è um fantoche tal qual Dilma e demais patetas nos paisecos mundo aforaa onde a Nova Ordem MANDA e DOMINA!
    Os EUA foram subvertidos, não é mais aa antiga boa nação dos Patriarcas Fundadors, virou um antro de negocioss sujos, uma ditadura de delinquentes disfarçados de”democratas”. OBama é um “pupet” nas mãos dos donos do dinheiro do mundo LEIAM O LIVRO “PROTOCOLOS DOS SABIOS DE SIÂO!”. O livro está proibido pelos donos ddo mundo e só se lê na internet. lá vcs vão ver o que é a NOVA ORDEM MUNDIAL, escrito em 1897!

  6. Pingback: uantánamo: em nome do ‘patriotismo’, uns poucos torturam quase 200 prisioneiros. | SCOMBROS

  7. “Quem manda no Mundo é o Complexo Industrial-Militar”.

    Quem o disse era ‘do ramo’: o 34º presidente dos EUA, lá no final do 2º mandato (1953/1960), o general Dwight Eisenhower (‘Duait Aizerráuer’), ex-Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa.
    O presidente seguinte, John Kennedy achava que ia mudar muita coisa nos EUA e no Mundo, pela sua ‘clarividência’ e charme, ganhando corações e mentes. Ledo engano!

    Lá pras tantas – e não governou 3 anos – desabafou com seu secretário particular e biógrafo, o escritor Pierre Sallinger, sobre o quanto o ‘poderoso presidente dos EUA’ é contingenciado, atado pela engrenagem.

    De fato, a agenda diária (e a de longo prazo) daquele ‘poderoso’ é pautada pelos ‘papers’ do Departamento de Estado e da CIA. Possuindo, ambos um enorme contingente de coletores de notícias e analistas das mesmas e do contexto mundial, seus ‘papers’ é o pretendido menu pronto e acabado, restando ao presidente e seu staff as ‘margens de manobra’. Do contrário, pra quê eleger o presidente?

    Então, o Comandante do Cangaço é mesmo o COMPLEXO INDUSTRIAL-MILITAR. (Ou é o CASSINO FINANCEIRO?)

  8. O quinto comentarista está desatualizado com informações e depoimentos sobre a implosáo do World Trade Center e a quem favoreceu. Provavelmente nunca parou um instante para pensar por ser guiado cegamente pelos grandes meios de comunicação. Acredita ainda que montanheses paquistaneses, iemenitas, afegãos ou um saudita qualquer conseguiriam tirar brevê de piloto nos EEUU sem prévia investigação e que um edifício daqueles se esfarelaria da forma que foi. E se põe repressivo contra inocentes sequestrados internacionalmente por resistirem intervenções militares estrangeiras em seus países e presos há mais de 10 anos sem devido processo legal e constitucional norte americano. Nunca ouviu falar em falsa bandeira e uma aqui tentada e fracassada empreendida pelo torturador Brigadeiro Burnier no episódio PARASAR.

  9. A força do Poder

    John Kennedy foi assassinado em 1963 e até hoje, tanto o grande público norte americano como o do mundo todo, ninguém ficou sabendo ao certo quem foram os executores, muito menos, quem foram os mandantes. Tudo muito bem controlado, bem longe da “grande mídia livre”. No que tange aos sinteresses dos poderosos bilionários, situam-se quase sempre, acima das leis e de tudo.

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