Guedes quer reduzir os impostos do capital e aumentar os tributos do trabalho

Projeto de Guedes é destruir a Previdência para economizar R$ 130 ...

Charge do Nani (nanihumor.com)

Roberto Nascimento 

O ministro Paulo Guedes é contraditório na condução da Economia. Mostra-se liberal no sentido de diminuir o Estado, vendendo e concedendo tudo o que vê pela frente. Mas é estatista quando planeja o aumento desarvorado dos impostos, tal e qual a CPMF que deseja recriar, fazendo cobrança tributária acumulativa.

Na verdade, o ministro da Economia quer aumentar impostos dos trabalhadores e reduzir os pagos pelos empregadores, fazendo justiça social às avessas.

INSISTÊNCIA – Ainda não conseguiu extinguir a contribuição patronal da Previdência, sua meta permanente desde o início do governo, e agora quer reduzi-la de 20% para 10% da folha salarial, o que provocará um rombo gigantesco nas contas do INSS. Vai implodir a aposentadoria pública e abrir caminho para a capitalização da Previdência, modelo chileno falido, que ele sonha em adotar.

A redução patronal do FGTS também prejudicará os trabalhadores e reduzirá os recursos para a compra da casa própria pelas famílias de menor renda.

Portanto, trata-se de um processo de implosão de conquistas sociais. Em breve, teremos os mesmos direitos que os trabalhadores chineses, que ainda são próximos de zero.

RETROCESSO MEDIEVAL – Por que a sanha arrecadatória? Ora, porque aumenta o aporte de recursos do Estado, para mais na frente utilizá-los, visando a reeleição do presidente em 2022. É o caso do Renda Brasil, medida populista destinada a criar um gigantesco curral eleitoral.

Trocando em miúdos, estamos agora debatendo as sobras do que foram os 14 anos dos governos petistas. Esse espólio, gerado pelos efeitos do Mensalão e do Petrolão, tornou-se a brecha para destruir o sonho de governos de esquerda no país, principalmente os acertos no campo social, prejudicados pelo desastre econômico na crise de 2008.

A direita foi pouco a pouco explorando o calcanhar de Aquiles do PT e conseguiu eleger o governo que pretendia, voltado para as causas exclusivamente conservadoras.

PRIVATIZAÇÃO – Voltando ao economista/ministro Guedes, ele escolheu comandar um grupo de neoliberais, escolhidos a dedo no mercado financeiro, que querem privatizar o Estado. Mas a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Eletrobras são consideradas vacas sagradas, por serem símbolos estratégicos da nação. Isso realmente aflige o Lord Guedes Keynes, o qual afirma ter lido o célebre economista inglês três vezes, no original, mas não aprendeu nada sobre a importância do Estado.

Os fundamentalistas liberais creem que a iniciativa privada, por si só, proverá o país da infraestrutura, que o Estado não foi capaz. Ledo engano, na década de 50/60 foi o Estado que alavancou com seus recursos o processo de industrialização do país.

SALVADOR DA PÁTRIA – Agora, nessa estranha quadra da vida nacional, o setor privado se apresenta tipo salvador da pátria. Mas como se omitiu nas décadas passadas, por que investiriam nesse momento de crise geral? “Se non è vero, è molto ben trovato”, como dizia o filósofo italiano Giordano Bruno com respeito a uma afirmação verossímil mas que pode não ser verdadeira.

Guedes é um ilusionista econômico, um vendedor de ilusões, enquanto toca sua harpa liberal, diz que salva o país da debacle três vezes por dia e que vai economizar um trilhão com as “reformas” e outros tantos com a venda de tudo que puder, achando que assim, o país vai decolar até 2022, quando pretende levar o presidente ao nirvana da reeleição.

MUNDARÉU DE BENESSES – É o famoso ditado: juntos, comigo ninguém pode. Vem aí um mundaréu de benesses, como o Renda Brasil, para alavancar votos de cabresto. O Mito político e o Mito econômico, ambos nos levarão para o melhor dos mundos, mas só lá para a frente, porque agora a Pandemia atrapalhou, não é mesmo?

Então, que assim seja, para o bem ou para o mal. A sorte está lançada, mas ainda acredito no Brasil, que é maior do que isso, tudo isso que estamos vendo.

6 thoughts on “Guedes quer reduzir os impostos do capital e aumentar os tributos do trabalho

  1. Uma reforma tributária verdadeira e justa é necessária, onde os impostos sobre as empresas e sobre o consumo deveriam ser diminuídos.
    Nenhum país se desenvolveu contando somente com a iniciativa privada, sem o incentivo do governo. Aqui será diferente?

  2. Trabalho e Salário, já têm dissabor na própria origem:
    Tripalium: Três Paus, instrumento de tortura, utilizado lá nos idos do Império Romano.
    Salarium: cota de sal, com valor monetário, que cada expedicionário romano levava pro front. Daí, os termos Salário e Soldo (Soldado é quem recebe soldo).
    Capital: ah, este sim, deriva de algo principal ou fundamental, Cabis, Capit (cabeça). Capital, Capitão, Cabo, Encabeçador (líder). Cabisbaixo, nunca!

    • Foram entregues aos bancos 1,200 trilhão para que emprestassm às MEI, a quem nunca chegou, mas aplicados, sim, em títulos da dívida pública, aumentando o ônus financeiro do Estado brasileiro;
      Previsão de gastos de alguns trilhões para compra pelo BC de títulos pôdres no mercado de balcão;
      Cessão para o BTG da carteira de créditos do BB por 300 mi, e avaliada em 3 bi.
      Quem disse que P.Guedes não está conseguindo implementar seus projetos? Pelo menos os de rapinagem do Estado em prol dos seu círculo financeiro?

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