Guedes reage e culpa o Planalto pela “emenda fura-teto” que pode virar pedalada do governo

Guedes nega ter negociado e aceitado a emenda “fura-teto”

Malu Gaspar
O Globo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está procurando interlocutores no governo e no mercado financeiro para negar que seja o pai da proposta de emenda constitucional que retira dos limites do teto de gastos bilhões de reais que seriam destinados ao combate à pandemia — a chamada emenda fura-teto. Fura-teto, aliás, sempre foi o adjetivo preferido de Guedes para bombardear esse tipo de proposta.

Ministros palacianos e líderes do Congresso têm dito que, depois de semanas defendendo o corte de todas as emendas parlamentares, Guedes mudou de ideia e passou a sugerir a proposta que veio a público ontem. Nos bastidores, porém, Guedes diz que nunca propôs nada semelhante, e que a emenda foi gestada no Palácio do Planalto nos últimos dias.

RESPOSTA DURA – “Eu não vou propor nada que fure o teto. Querem me carimbar justamente como o que eles são”, o ministro tem dito. 

A ideia de que o ministro da Economia tenha aceitado alguma solução para o orçamento que possa furar o teto de gastos teve péssima repercussão no mercado financeiro. Banqueiros e gestores de recurso passaram a considerar a queda do ministro possível e a cogitar nomes de substitutos.

Percebendo o movimento, o ministro decidiu reagir. Nas conversas de bastidores, está dizendo a gestores que só é admissível tirar do limite do teto os gastos com o combate à Covid, e que nunca defendeu nada diferente disso.

ORÇAMENTO-BOMBA – O orçamento da União para 2021 só foi aprovado no Congresso no final de março e caiu como uma bomba no colo de Bolsonaro. Organizado pelo senador Marcio Bittar (MDB-AC), o texto não prevê recursos para o pagamento de despesas obrigatórias em Previdência e benefícios sociais, mas incluiu R$ 29 bilhões a serem gastos com emendas parlamentares.

Depois disso, o dilema de Bolsonaro passou a ser vetar o orçamento, tirando dos parlamentares os recursos das emendas, ou sancioná-lo com ressalvas, correndo o risco de cortar verbas obrigatórias e ser processado por crime de responsabilidade.

Essa é a disputa interna que deu origem ao fogo cruzado entre a Economia e os outros auxiliares de Bolsonaro — Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil).

AFIRMAÇÕES CRUZADAS – O relator do Orçamento, Márcio Bittar, tem dito desde o começo que o documento saiu do Congresso exatamente como foi combinado com o Ministério da Economia, que aceitou incluir no Orçamento R$ 16 bilhões em emendas em troca da aprovação da PEC Emergencial.

Nas brigas internas do governo, Guedes disse que o acordo que fez era para gastos de 16 bilhões, que se transformaram em 30 bilhões porque seus colegas de Esplanada e outros líderes políticos preferiram pensar nos próprios interesses.

Numa dessas reuniões, no final de março, o ministro da economia foi claro em alertar Bolsonaro para o risco de impeachment. Nos ultimos dias, ministros palacianos passaram a dizer que ele, isolado no governo, decidiu ceder. Com a reação de Guedes, agora, um novo round na guerra do Orçamento está para começar. 

6 thoughts on “Guedes reage e culpa o Planalto pela “emenda fura-teto” que pode virar pedalada do governo

  1. Pode falar do Guedes quem quiser. Considero-o um gênio de tolerância altamente resiliente.
    Aturar um patrão desse, cabeça de biruta ao vento, que não apenas na Econômica, mas em todas as pastas do seu desgoverno, dá dez guinadas por minuto! Pela manhã ele diz, meio dia desdiz, à tarde contradiz, de noite rediz, na madrugada perdiz (perdiz canta)! Cruuuuuuuzes!!!!! Haja fato de xengo!

    • Gênio pelo seu grau de tolerância. Aguentar um objeto abjeto como Bolsonaro: mandando acrescentar e subtrair, dando ordem e contraordem, falando do seu colaborador pelas costas. É dose pra leão.

  2. O Posto Ipiranga entregou o chefe e a cambada que o cerca e serve. Para não ficar feio na foto, ou seja, desagradar o mercado porque no fim das contas é o que conta, entregou o chefe e a sua trupe. Como sabe que não tem mais o que vender, não quer sair atirando como fez o Moro, mas quase isto, entregando o mito.

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