Guedes responde ao Supremo contra ofensiva do PDT e reage a ‘suspeitas delirantes’

Secretários especiais do Ministério da Economia pedem demissão ...

Guedes é investigado e ainda não prestou depoimento

Paulo Roberto Netto
Estadão

A defesa do ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou ao Supremo Tribunal Federal petição com ‘esclarecimentos’ sobre a Operação Greenfield, que mira gestão temerária de fundos de investimentos – dois deles, ligados a Guedes. O PDT pediu ao Supremo o afastamento de Guedes do Ministério por ‘blindagem institucional’ em investigações sobre supostas fraudes em fundos de pensão

Em nota, os advogados de Guedes classificaram como ‘leviana’ a tentativa do partido de tirá-lo do cargo.

AÇÃO NO SUPREMO – O PDT entrou com ação nesta terça-feira, dia 11, pedindo o afastamento do ministro da Economia até a conclusão das operações da Greenfield sobre a gestora de fundos que Guedes era sócio antes de assumir o cargo no governo Bolsonaro. A legenda acusou o ministro de utilizar do posto para promover uma ‘blindagem institucional’ às investigações, iniciadas em 2018.

Nos autos, a defesa de Guedes afirma não que não há ‘qualquer razão lógico-jurídica para, passados dois anos, requerer o seu afastamento do cargo’. “Sobretudo quando o peticionário vem atuando nos autos de forma republicana, por meio dos mecanismos jurídicos autorizados por lei, inclusive apresentando petições e depoimentos escritos, todos ricos em informações”, afirmam os advogados do ministro.

Ao Supremo, a defesa disse que a Greenfield, força-tarefa do Ministério Público Federal, ‘ignorou’ o arquivamento promovido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre as suspeitas aos fundos ligados a Guedes. Os advogados apontam que a comissão não encontrou prática de atos ilícitos ou anomalia nos preços praticados pelos ativos adquiridos pelos fundos.

DIZ A DEFESA – “A Força-Tarefa de Procuradores ignorou não só o resultado positivo apurado no encerramento dos Fundos, mas também todas as operações bem-sucedidas realizadas ao longo do período de atividade, para então pinçar, em cada um, o único ativo que não apurou reprodução de capital”, afirma a defesa. “Trata-se, portanto, de investigação natimorta, que vaga pelas dependências do Ministério Público, sem lastro indiciário mínimo a autorizar a continuidade dos atos que vêm sendo praticados pela Força-Tarefa”.

As investigações foram abertas em outubro de 2018. À época, Guedes afirmou que a instauração do caso tinha como ‘objetivo’ confundir o eleitor nas vésperas das eleições. O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) apura a suspeita de que Guedes cometeu os crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de dois fundos de investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a empresas públicas.

As investigações da Greenfield já levaram à denúncia de Esteves Pedro Colnago Júnior, assessor de Guedes no Ministério da Economia, por suposta gestão temerária que provocou prejuízo de R$ 5,5 bilhões a fundos de pensão da Caixa Econômica, da Vale, do Banco do Brasil e da Petrobrás.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A CVM é uma autarquia administrativa. A investigação de Guedes se processa no Ministério Público do Rio de Janeiro e foi motivada por uma denúncia oficial da Superintendência de Previdência Complementar (Previc), que levantou espantosas ilegalidades. Por exemplo, Guedes aplicou os recursos dos fundos de pensão em investimentos criados por ele próprio, vejam a que ponto vai a sem-vergonhice. Jamais prestou depoimento. No dia em que deveria fazê-lo, inventou uma viagem à Europa e alegou uma gripe. Um ano e oito meses depois, até hoje não depôs, alegando que é ministro e tem foro privilegiado no Supremo. Quem quiser acreditar na defesa dele, fique à vontade. Estamos num país livre. (C.N.)

3 thoughts on “Guedes responde ao Supremo contra ofensiva do PDT e reage a ‘suspeitas delirantes’

  1. Livre apenas para os que cometem atos ilícitos, a justiça é morosa, se fosse em outro país, acredito que seria mais eficaz, por isso que eles roubam descaradamente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *