Guerra ao fator previdencirio

Carlos Chagas

Ontem, no Senado, Paulo Paim foi alm do reajuste do salrio mnimo, que por sinal ser debatido tera-feira pela bancada do PT, quando ento o representante do Rio Grande do Sul definir sua posio.

Mais importante do que dar ao trabalhador 545 ou 560 reais, porm, atentar para o fato de que em poucos anos todos os aposentados estaro recebendo apenas o salrio mnimo, por conta do execrvel fator previdencirio criado por Fernando Henrique Cardoso. Hoje, quem recebia 3.500 reais trabalhando aposenta-se com no mximo 2.000 reais, e a cada doze meses, com o reajuste do salrio mnimo acima da inflao, e as demais aposentadorias apenas pela inflao, ser mera questo de tempo que se nivelem. Fora, claro, as chamadas carreiras de estado e os integrantes do Legislativo e do Judicirio, que se aposentam com vencimentos integrais.

Que um governo neoliberal tivesse imposto essa maldade, explica-se, mas no h como entender que em oito anos um governo dos trabalhadores mantivesse as mesmas diretrizes. O pretexto foi e continua sendo a ameaa de falncia da Previdncia Social, balela repetida permanentemente. At porque, se fosse verdade, bastaria lembrar das aulas de cincias de dcadas atrs, quando aprendamos o que eram os vasos comunicantes. Se um setor do governo d prejuzo, outros rendem lucros olmpicos.

Em suma, a situao dos aposentados que recebem um pouco mais do que o salrio mnimo mereceria ateno igual ou maior do Congresso, acima do reajuste anual.

ATENO AOS EX-PRESIDENTES

Trs ex-presidentes da Repblica tem enfrentado as urnas e so senadores: Jos Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco. Falta coragem a Fernando Henrique, mas o problema dele. No haver, assim, nenhum interesse pessoal por parte dos ex-presidentes na proposta de emenda constitucional dormindo nas gavetas do Congresso, que d aos ex-chefes de governo uma cadeira vitalcia no Senado. Mesmo assim, seria de justia a sua aprovao, at porque, desde a Constituio de 1988 que eles perderam a aposentadoria concedida aos antecessores.

Quem trouxe o tema considerao dos colegas foi o senador Roberto Requio, para quem a experincia sistematizada dos ex-presidentes no Senado s enriqueceria a prtica poltica. Eles poderiam, se aprovado o projeto, ter direito voz, ainda que no ao voto. O Lula, por exemplo, no precisaria onerar a folha de pagamento do PT, do qual recebe 13 mil reais desde janeiro, para enfrentar despesas pessoais e familiares.

Sarney, Collor e Itamar, quando concludos seus atuais mandatos, teriam direito a continuar, assim como Fernando Henrique e o Lula, a entrar.

RPIDO, AS COMISSES

J esto compostas as comisses permanentes do Senado e da Cmara, mas, pelo jeito, no comearam a funcionar. Ou ento as TVs Cmara e Senado receberam instrues para no cobrir suas atividades, como vinham fazendo desde que criadas. A exceo foi a reunio da CCJ dos senadores, que sabatinou o ministro Fux, indicado para o Supremo Tribunal Federal, apresentado por quatro horas nas telinhas. O trabalho das comisses no raro revela-se superior ao que se passa nos plenrios.

TEMPO DE RECICLAR

Nessa vertiginosa transformao da mdia, imprescindvel ao aprimoramento poltico das naes, quem anda devendo so os jornales. Esta semana, por exemplo, deixaram de noticiar o resultado final das votaes dos projetos de reajuste do salrio mnimo, na Cmara. Ou, se o fizeram, foi apenas nas ltimas folhas impressas, atingindo pequeno nmero de leitores. A maioria recebeu a clssica e lamentvel explicao de que at fecharmos esta edio o resultado estava em… Da mesma forma, virou rotina a grande imprensa, com as excees de sempre, no divulgar no dia seguinte o resultado dos jogos de futebol realizados na vspera, noite.

Quer dizer, aquilo que o pblico da televiso j viu colorido e andando, na hora, foi negado ao leitor dos jornais. Nem se fala do acompanhamento on line por essas diablicas maquininhas que a gente leva no bolso ou na bolsa. Se a tecnologia avana tanto, todos os dias, por que no reduzir o tempo de impresso e de distribuio dos jornais em favor do tempo de apurao e de redao?

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