Há 60 anos, a fraude judicial que matou o casal Rosenberg nos EUA

Casal Rosenberg

Mário Assis

Há sessenta anos, o casal Ethel e Julius Rosenberg foi executado na cadeira elétrica, numa das mais escandalosas fraudes judiciais norte-americanas. Acusados de conspiração para passar segredos da bomba atômica para a União Soviética, as provas apresentadas pela promotoria eram tão frágeis que indignaram todos os que tiveram acesso ao processo. Os Rosenberg foram vítimas da histeria anticomunista, que alimentou a Guerra Fria e um de seus subprodutos mais sombrios, o macartismo.

Para contar essa história, a ASA – Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação promove no dia 6 de outubro, domingo, às 18 horas, no auditório (rua São Clemente, 155), um grande ato político-cultural. Não será apenas um olhar sobre o passado, mas um alerta para que casos semelhantes não se repitam.

Um texto especial foi preparado e será lido pelo diretor da ASA Jacques Gruman e pela atriz Esther Jablonski. O Coral da ASA, encorpado por regentes de outros corais, e a cantora jazzística Laura Valle interpretarão canções importantes para se entender os acontecimentos. Entre elas, If we die, poema escrito por Ethel Rosenberg e musicado pelo grande compositor e músico brasileiro Edino Krieger, que estará presente no evento.

Convidados especiais falarão sobre as grandes manifestações de massa que, mundo afora, pediram a libertação dos Rosenberg. Robert, filho caçula de Julius e Ethel, estará presente através de mensagem especialmente enviada à ASA.

Reserve a data em sua agenda. Entrada franca.

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5 thoughts on “Há 60 anos, a fraude judicial que matou o casal Rosenberg nos EUA

  1. Em 1995, a CIA anunciou a liberação de mensagens arquivadas desde 1939 e conhecidas sob o nome de Projeto Venona. Elas comprovavam a culpa dos Rosenberg, designados nas mensagens sob os codinomes “Antena” e “Liberal”. Decifradas na época, as mensagens não haviam sido exibidas no decorrer do processo para não comprometer suas fontes. Os Rosenberg transmitiram aos soviéticos documentos relativos não à energia atômica, mas a radares e sonares.

    As últimas dúvidas sobre a culpa do casal foram dissipadas em 1999, com o aparecimento das memórias de um antigo agente secreto soviético, Alexandre Feklissov. Ele confirmou haver recebido informações do casal Rosenberg, que estava à frente de uma “rede de primeira importância nos domínios da eletrônica e da aviação” quando os dois trabalhavam nas fábricas de armamentos durante a guerra.

    • De fato eles devem ter passado informações. Mas não foram somente eles, havia um grande número de cientistas do Projeto Manhattan favoráveis à partilha dos segredos nucleares com a URSS. Muitos eram reconhecidamente comunistas ou simpáticos à causa. Esse grupo achava que tal poder não poderia ficar somente nas mãos de uma só nação. A questão que remete à injustiça praticada contra os Rosemberg foi justamente a pena aplicada: a morte. Segundo as leis americanas, a espionagem em tempo de paz não era punível com a pena capital. Basta ver que o físico alemão Klaus Fuchs era suspeito de espionar e nada aconteceu-lhe. Acabou voltando para a Inglaterra, onde foi flagrado e preso. Leitura obrigatória sobre o assunto: Hiroshima 45 – O grande Golpe, do físico nuclear Heitor Biolchini Calliraux.

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