‘Há males, parabéns’

Luiz Tito

Foi bem recebida, ao que se percebe, a iniciativa do governador Antonio Anastasia de empreender a revisão dos gastos públicos de Minas Gerais, sob a alçada do Executivo, através de um conjunto de medidas que juntam secretarias, extinguem-se funções, bloqueiam-se nomeações para cargos comissionados, proibem-se as viagens nacionais e internacionais e a participação em congressos, feiras e seminários.

Também foram abolidas as consultorias, a utilização de carros de representação e de telefones celulares em excesso, bem como outras farras, somente possíveis de existir com o apoio do abundante dinheiro da viúva. São gastos que não doem em quem os determina ou deles se beneficia, muitos dos quais representando moedas de troca ou meras generosidades para se buscar a construção de apoios políticos e o cumprimento de compromissos eleitoreiros.
A picada foi aberta. O governador iniciou um trabalho que nunca deveria ter sido necessário se não conhecêssemos a histórica irresponsabilidade de governos e gestores públicos com os recursos do erário, sempre tão escassos para obras e ações fundamentais à manutenção do Estado necessário.
HISTÓRIA IMORAL
Essa é a história do orçamento público no Brasil, imoral ou, na melhor das hipóteses, irracional e desleixado. É uma postura quase incorrigível, que se expressa no abominável estado desnecessário.

O projeto do governo mineiro está ajustado para a economia de R$ 1,1 bilhão por ano, com ações que já começam a produzir resultados. Bem-vindo, mas não basta. Seria oportuno que o governador determinasse a revisão dos contratos de empresas terceirizadas de mão de obra, de segurança, de locação de veículos, máquinas, equipamentos e principalmente imóveis. É moralmente imprescindível que sejam auditadas as contas desses gastos, que são um abuso no seu conjunto. Um pente fino nessas despesas pode fazer dobrar a economia dos pretendidos R$ 1,1 bilhão, sem falar que se poderia iniciar em Minas uma ação exemplar de administração, responsabilizando os gestores que jogam dinheiro público no esgoto.

O governador Antonio Anastasia não pode perder o momento para chamar para essa nova jornada a colaboração dos chefes do Poder Legislativo e do Judiciário, que têm muito a aportar nesse projeto. É enojante vermos as dificuldades de certos setores da administração pública para cumprirem suas obrigações e, do outro lado, assistirmos a farra da contratação e remuneração de assessores, do pagamento de aposentadorias milionárias, dos gastos desnecessários para se remunerar o dispensável num país de fome. Racionalização, eficiência e moralidade da função pública é um elogiável projeto de qualquer governo. Que seja cortando na carne. Essa é a hora. (transcrito de O Tempo)

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