Há alguns exageros na temporada de caça a Carlos Lupi, nas últimas denúncias da grande imprensa.

Carlos Newton

Em sua edição de domingo, O Globo denunciou com estardalhaço que “um trem da alegria está sendo conduzido pelo PDT no Ministério do Trabalho”. A reportagem explica que, com o aval do ministro Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda, o comando das Superintendências Regionais do Trabalho por todo o país tem sido entregue a filiados do partido.

E acrescenta: “Levantamento feito pelo GLOBO identificou que em pelo menos 13 estados a chefia das unidades está nas mãos de dirigentes partidários ou candidatos derrotados na eleição de 2010”.

De janeiro a outubro, Lupi nomeou dez novos superintendentes (Rio, Amazonas, Ceará, Pará, Paraná, Rondônia, Santa Catarina, Tocantins, Paraíba e Mato Grosso do Sul). Sete são filiados ao PDT e os outros têm algum tipo de relação com políticos da legenda, segundo O Globo.

Cabe então a pergunta: qual é a novidade nessas nomeações? O PDT não faz parte da chamada base aliada do governo? O Ministério do Trabalho e Emprego não foi entregue ao PDT exatamente para isso? Não é assim que a coisa funciona nessa democracia pluripartidária? Ou repentinamente, sem que ninguém percebesse, o Brasil teria virado uma meritocracia?

São 27 as Superintendências Regionais do Trabalho. Também conhecidas como Delegacias Regionais do Trabalho, representam o ministério nos estados e têm como função mediar e arbitrar sobre negociação trabalhista coletiva, supervisionar regionalmente as ações do ministério e emitir carteiras de trabalho.

Se apenas 13 estão em mãos do PDT, há algo errado aí.

O que cabe à imprensa denunciar não é esse tipo de empreguismo, porque tal prática existe em todos os governos – federal, estaduais e municipais, além das estatais de toda sorte. Se a imprensa for “denunciar” isso, não fará outra coisa na vida e não haverá páginas disponíveis para noticiar mais nada. Esta é a realidade brasileira.

O que a imprensa tem o dever de denunciar são os “malfeitos”, no linguajar amaciado da presidente Dilma Rousseff, que na verdade representam graves ocorrências de corrupção, que se multiplicam de forma descontrolada. No Ministério do Trabalho, assim com o no Esporte e no Turismo, principalmente, o problemas são as ONGs fajutas, que também sugam as tetas de outros ministérios e órgãos públicos.

Outra matéria de denúncia, da revista Istoé, diz que Lupi viajou num turbo-hélice arrendado por uma ONG, que depois viria a fazer negócios com o ministério. Cá entre nós, é uma acusação meio forçada. Há tantas irregularidades com ONGs no ministério comandado por Lupi que esse tipo de denúncia chega a ser ridículo.

Lupi não precisa desse “incentivo” para ser demitido. Ele é autocarburante, como se diz na Química, pega fogo e se consome sozinho. O PDT já devia estar escolhido o substituto, como fez o PCdoB, porque o Trabalho continuará com o PDT e nada vai mudar com a próxima saída de Lupi.

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