Helio Fernandes fala sobre Ciro Gomes, que nasceu em Pindamonhangaba (São Paulo) e insiste em se manter no jogo eleitoral, já se apresentando para 2014.

Ciro Gomes está de volta ao Brasil e à política, depois de seis meses no exterior, e se diz disposto a disputar a sucessão de Dilma Rousseff em 2014, se é que terá legenda no PSD ou mudará de partido.  Seu último domicilio eleitoral foi São Paulo, onde ele não mora nem pretende morar.  Diante dessa situação, vale à pena reler o artigo de Helio Fernandes, publicado dia 23 de outubro de 2009 e que continua atual, como quase tudo que o grande mestre escreve.

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A QUESTÃO DO DOMICÍLIO ELEITORAL

Helio Fernandes

Ciro Gomes nasceu em São Paulo, em Pindamonhagaba, e não no Ceará. Isso é tão público e notório, que lamento e deploro que tanta coisa importante seja esquecida, para colocar na pauta um fato incontestável. Desde que absurdamente foi criado o domicilio eleitoral, durante a ditadura de 1964, (não confundir com a ditadura de Vargas, a partir de 1930), passou a existir o nascimento propriamente dito, no estado da moradia, e o outro, o de adoção, por interesses eleitorais.

Lula nasceu em Garanhuns, Pernambuco, mas derrotas e vitórias vieram de São Paulo. Sarney, alguém duvida que nasceu no Maranhão, e que dos 5 mandatos de senador (Nossa Senhora), dois foram comprados no Amapá?

Centenas de pessoas, antes da imposição do domicílio, escolheram um estado para reinar. Os Tenentes revolucionários de 1922, 1924, 1926, 1929, chegando ao Poder em 1930, como conservadores, negando tudo que pregavam, não mudaram apenas de convicção mas também de residência, de domicílio, de estado.

Reeditando as famosas Capitanias Hereditárias, escolheram um estado (às vezes o mesmo de nascimento) para fazer política. O mais conhecido, pela carreira subserviente, sempre ligada ao Poder, foi Juracy Magalhães, que enquanto era poderoso eu só chamava de Juracy Montenegro, seu primeiro sobrenome. Nasceu no Ceará fez carreira na Bahia. E chegou até Washington onde tornou pública a frase que o condenou para sempre: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Que República.

E com isso, vejam os cargos que ganhou. 1- Interventor. 2- Presidente da Vale. 3- Presidente da Petrobras. 4- Governador. 5- Ministro. 6- Como coronel, Adido Militar nos EUA. 7- General. 8- Novamente governador. 9- Como general, representante na Interamericana Militar. 10- Embaixador nos EUA. 11- Ministro da Justiça. 12- Candidato a presidente da República, preterido e vetado pelo seu próprio partido, a UDN, que preferiu um candidato de fora, Jânio Quadros.

Apesar de tantos leitores atentos e ilustres, Ciro Gomes nem se lembrava de Pindamonhangaba. Não precisava. Em dobradinha com Tasso Jereissati, dominaram inteiramente o Ceará. Prefeito de Fortaleza, governador do estado (os dois), obtiveram até projeção nacional.

Junto com eles, mais um apaniguado, Sergio Machado, também senador, enquanto os outros se revezavam no alto. O terceiro a ser governador seria ele, não foi, rompeu, hoje é donatário de uma poderosa capitania na Petrobras. Protegido pelo importante e invencível Renan Calheiros.

Jereissati e Ciro continuaram juntos. Em 2002, Tasso se elegeu senador (o óbvio, no Brasil, governador é quase sempre senador e vice versa, mesmo Jereissati tendo falido o Banco do Estado em 2001, até hoje responde a processo, “engavetado” no Supremo) e Ciro foi candidato a presidente.

Chegou a liderar as pesquisas, caiu tanto que não foi nem para o segundo turno. Com uma eleição no meio, na qual se elegeu deputado com enorme votação, Ciro novamente queria a presidência. Mas com duas jogadas estranhas. 1- Essa de voltar eleitoralmente a São Paulo. 2- A de se ligar a Lula, que não vai apoiá-lo de jeito nenhum. Lula  jamais apoiará alguém como Ciro Gomes. Por enquanto é isso.

Num país de migrantes e imigrantes, não deveria existir a exigência da localização para qualquer candidatura. Fica forte e atuante, apenas a imigração financeira. Capitais poderosos globalizados, que se mudam, t-e-m-p-o-r-a-r-i-a-m-e-n-t-e para o Brasil, trazendo o chamado “capital motel”. Que jogam na Bolsa, ganham (na certa) pagando o mínimo de imposto sobre esses lucros. E depois compram títulos do governo, ganhando fortunas. Por isso, sempre pressionam o Banco Central (?) para aumentar os juros.

PS1- À última hora, recebo adendo de Antonio Santos Aquino, ligando Ciro aos acontecimentos que ocorrem do outro lado do mundo. E pergunta de forma textual: “Qual será o papel de Ciro Gomes na sucessão? Seria o Homem Bomba ou o Homem Supositório?”. Por enquanto fica sem resposta do repórter. Mas o assunto está aberto para todos.

 

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