Hino Nacional: uma execução que apenas João Carlos Martins sabe e pode fazer

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João Carlos Martins, numa interpretação magnífica do Hino

Jorge Béja

Muitos sabem que, como cidadão, advogado e pianista, sou um dos que defendem a rigorosa observância que a legislação dispõe  sobre os símbolos nacionais, que são o Hino Nacional, a Bandeira Brasileira, o Selo e as Armas da República. Já briguei muito na Justiça para impedir arranjos do Hino Nacional Brasileiro que não estavam de acordo com a lei fossem executados.

Começou na década de 80, com a Fafá de Belém, que gravou uma versão sem a devida autorização do presidente da República, como determina a Lei 5700/71 alterada pela Lei 8421/92. A Justiça proibiu. Fafá deixou de cantar. E a gravadora suspendeu a impressão de novos discos e a vendagem.

MADONNA – Depois foi a vez da Bandeira Brasileira. Ao desembarcar no Rio enrolada na Bandeira Brasileira, Madonna declarou que iria fazer no Maracanã com a Bandeira Nacional o mesmo fez com a de Porto Rico: esfregá-la na vagina. Ao ver as imagens na TV e ler a declaração da cantora, disse para mim mesmo: não vai não. Fui à Justiça, que expediu liminar proibindo a cantora de usar a Bandeira Brasileira na sua apresentação no Maracanã.

Com um oficial de justiça, um agente da Polícia Federal e um intérprete, fomos ao Hotel César Park em Ipanema levar a intimação. Madonna nos recebeu em sua suíte. Muito educada e gentil, assinou a ordem judicial, disse que iria respeitá-la e ainda dela ganhei um beijo e fez um elogio.

 

RESPEITO – Os símbolos nacionais não podem ser desrespeitados. E a lei diz como devem ser usados. Na lei, o que pode e o que não pode. Na lei, todos os protocolos que as autoridades desconhecem. Já vi na tv autoridade e gente famosa ser enterrada com a Bandeira Brasileira junto, envolvendo o caixão. Isso é crime contra a Bandeira. Já vi Dilma Rousseff, como presidente, discursando tendo a Bandeira Brasileira como pano que cobria o púlpito de onde discursava. Outro ato de desrespeito à Bandeira. Que barbaridade!

Mas ontem, senhores, pela primeira vez concordei com uma contrafação sublime, sacra, divina e abençoada do Hino Nacional Brasileiro.

TRÊS DEDOS – Foi no Maracanã, na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos. Vestindo terno azul anil e num majestoso piano de cauda, o pianista e maestro João Carlos Martins (o único do mundo que gravou ao piano toda a obra de Bach), com dois dedos da mão esquerda e apenas o dedo polegar da mão direita, tocou o Hino enquanto a Bandeira Brasileira ia sendo hasteada. Que beleza!.

Os dois dedos da mão esquerda faziam o acompanhamento apenas com quatro notas: dó e sol; fá e dó. E o polegar da mão direita tocava o Hino, nota por nota: dó, fá, mi, fá, sol, lá…..E no final, uma frase musical, que somente o talento e a sensibilidade de  João Carlos Martins sabem criar e que deu muito mais beleza à beleza do próprio Hino. Tudo harmônico. Tudo heróico. Tudo reverente e respeitoso. Ele pode. A causa da cerimônia e a fatalidade que vitimou este fenomenal pianista que projetou o Brasil foram suficientes para autorizar aquela inimaginavelmente bela execução do Hino. Ele pode. João Carlos Martins pode.

11 thoughts on “Hino Nacional: uma execução que apenas João Carlos Martins sabe e pode fazer

    • É verdade, Mara. Conto-lhe uma passagem. Anos atrás, quando costumava almoçar no restaurante 14 bis do Aeroporto Santos Dumont, e isso acontecia duas a três vezes por semana, eu me sentava ao piano e tocava. O piano ficava entre as mesas, no mesmo nível. Frequentadores, piano e pianista ficavam todos próximos. E os donos do estabelecimento eram gentilíssimos. Eles pediam para eu tocar. O pianista – Carlinhos – um craque ao piano, também se sentia muito bem ao ceder o piano para eu tocar. E eu tocava com prazer. Só música clássica ligeira. Nada longo e muito estrondoso, como o Estudo Revolucionário e as Polonaises de Chopin.

      Pois bem, teve um dia inesquecível. Enquanto eu tocava o Jesus Alegria dos Homens, de Bach, no meio da peça eu reparei que entrou no pequeno salão o pianista João Carlos Martins. Eu me emocionei tanto, comecei a chorar, parei no meio da execução e voltei para a mesa.

      Foi quando ele veio até mim e disse: parou por que?. Fiquei em silêncio (eu chorava porque estava fazendo algo que ele não podia fazer mais e isso me deixou pequenininho, muito menor do que sou. Me deixou envenrgonhado).

      Mas não disse a ele este verdadeiro motivo. Inventei outro. Disse que seria audácia de minha parte continuar tocando um instrumento e uma peça que somente ele, João Carlos, o maior, o melhor e o mais conhecido do mundo sabia tocar.

      Foi quando ele disse: volte, toque toda a música outra vez. Se se esquecer, eu ajudo. E eu de propósito troquei umas partes justamente para ele me ajudar. E ele, em pé ao lado de mim, sentou-se no mesmo largo banco do piano e mesmo com suas mãos atrofiadas, ele tocou.
      Foi uma aula. Tocamos a 4 mãos. E eu aprendi. E eu chorei. E eu o beijei. E eu passei a tocar melhor esta peça.

  1. Caro Dr. Béja, Como Conselheiro da Saúde, em Guapimirim, e dois eventos (Conferências no Estado e em Brasília), 1º no Estado, um maestro de Xerém (DC), levou um coral de estudantes, para cantar o Hino na abertura, em Brasília o Ministro Padilha, proclamou que uma cantora iria cantar, em ambos eventos, levantei o braço, para protestar, os amigos, me seguraram, a letra era do Hino, a musica Não.
    Fui informado que na abertura da olímpiada, o crime se repetiu. Escrevi ao Comando da Aeronáutica, por ser servidor, protestando, recebi como resposta: parabenizo sua preocupação com os jovens, mas nada posso fazer, engoli em seco, mas com a consciência cívica em Paz, cumpri minha Consciência e Cidadania, aprendida na Escola ha 78 anos atrás, quando as turmas, se formavam, com a Professora na frente, de manhã para içar a Bandeira e a vitrola tocar o Hino Nacional e a turma da tarde baixá-la, isso diariamente ( só não acontecia quando chovia), as Escolas hoje, a maioria nem mastro tem, portanto, formação cívica “Zero”.
    A partir do final da década de 50, a Escola, o ensino e cultura, os governos jogaram no brejo, para praticarem a Hipocrisia de exploração, do Povo, com o analfabetismo ou semi, o resultado está ai: Caos moral.
    Caro Dr. Jorge, meu coração chora, em ver tanta pobreza e miséria, em um Território de Natureza Rica, que Deus nos emprestou para nosso Progresso Espiritual.
    Só nos resta protestar e rogar à Deus sua Misericórdia, é o que faço a muito tempo, a vida na matéria é passageira, além túmulo, o que temos ficará, o que somos levaremos, para o Tribunal Divino – a Consciência, no julgamento de nossas Obras, cuja pena será: Paz e Luz, ou Ranger de dentes, e retorno em vias dolorosas à matéria, para o devido resgate, somos eternos, e só entraremos no Reino da Luz, sem pecados, com nossas almas límpidas.
    A Cantora Fafá de Belem, cantou a deturpação, a imprensa publicou o protesto, e ela não mais cantou.
    Deus escreve certo por linhas tortas.
    Que Deus nos ajude, Dr. Béja, saúde e vida longa, para sua missão de esclarecer mentes e corações para o Amor Fraterno.

    • Caro amigo tribunário Théo Fernandes,
      Apesar de estar com 56 anos de vida e o amigo já ter a bagagem que tem quem chega aos 87 anos com LUCIDEZ, também espero que DEUS me contemple com essa DÁDIVA.
      Também todos os dias hasteava a bandeira nacional e cantava o hino de nossa amada pátria Brasil.
      Foi-me ministrada a disciplina de MORAL e CÍVICA na escola pública que frequentei, e lembro até hoje do professor que me ensinou essa matéria, se não me falha a memória um Tenente-Coronel do Colégio Militar do Rio de Janeiro.
      Também estudei a disciplina OSPB quando cursei os cursos de CONTABILIDADE e ADMINISTRAÇÃO.
      Hoje minha filha com 21 anos de idade e estudante de DIREITO na Universidade Cândido Mendes a ela nunca foi ministrada essa disciplina de OSPB-ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA BRASILEIRA.
      Ela quando estudante sempre de escolas particulares JAMAIS hasteou a bandeira nacional e cantou o hino brasileiro, o que é uma VERGONHA!
      Deixo para o amigo que admiro por sua combatividade uma reflexão: o JAPÃO é um país INSULAR, não dispondo das riquezas que a nossa amada pátria mãe gentil tem, pergunta-se: qual é a razão pela qual esse país oriental é imensamente mais rico do que o nosso amado Brasil?
      Se o caro amigo permitir eu respondo: a razão da riqueza do JAPÃO está diretamente relacionada ao seu POVO!
      Caro Théo Fernandes o meu coração também chora em ver tanta pobreza e miséria, em deparar-me com tanta iniquidade,
      Que DEUS PAI CELESTIAL ILUMINE os nossos caminhos, apontando o caminho a trilhar!

      • Caro João A. Belem, agradeço sua mensagem, a minha alma que busca seguir o Caminho traçado por Jesus, o Cristo a 2 mil, anos, injustiçado pelos homens até hoje, deixando falar o Caim que trazemos dentro de nós.
        Que Deus lhe abençoe, lhe dando muita saúde e longa vida, e que seu Abel, presida sempre sua obras de Amor fraterno.
        Minha formação no Lar e na Escola Pública, é o Norte de minha vida de Alma/Espírito, por Crer, em Deus, e que existe Justiça, no além túmulo, destino de todos nós.
        Citar o Japão, com um território pequeno insular, pobre de natureza, e com tremores de terra, quase diários, mas, com um povo rico em sabedoria, com o precursor de Jesus, Buda, que pregava e exemplificava o Amor Fraterno, como modelo, nos faz ficar vermelho de vergonha, pelas dádivas que Deus nos deu.
        Caro Belem, Em nossas preces ao Pai Celestial, roguemos pelos que estão na boa luta de Amor Fraterno, e pelos que estão no desamor, que enfrentarão sua consciências além túmulo, com o “ranger de dentes”, o que tens, deixarás, o que és levarás, dito sábio e verdadeiro, a nos alertar, que a vida continua em outra dimensão.
        Aceite meu forte abraço. Théo.

  2. Caro Dr.Jorge Beja, concordo plenamente com o seu protesto diante do uso inapropriado da Bandeira do Brasil, assim como, com a execução inadequada do Hino Nacional Brasileiro. Sinto muito por não ter assistido a abertura das Paralimpíadas, pois privei-me de ter meus ouvidos acariciados com o som das notas musicais emitidas pelas teclas do piano, magistralmente tocadas pelo renomado Maestro João Carlos Martins. Ao contrário, assisti a abertura dos Jogos Olímpicos e, também, muito me desagradou ver o Hino Nacional cantado por Paulinho da Viola, “sentado”. Se havia algum problema físico que o impedia de fazê-lo de pé, porque não tê-lo substituído por alguém em melhor condição de saúde? Sobre o episódio do restaurante, só tenho a dizer, “que pena não estar lá naquela ocasião”. Parabéns, Dr.Jorge, e, obrigada pela oportunidade de expor aqui, a minha opinião. Wanda Ribeiro.

    • Gratíssimo Wanda Ribeiro. Seu texto é harmônico. Soa como notas musicais. Aquele encontro inesperado com João Carlos Martins nunca mais saiu da minha lembrança. Vejo que a prezada leitora é pessoa sensível, de nobre linhagem e uma brasileira que sente orgulho pelos Símbolos Nacionais. Realmente, o Paulinho da Viola deveria ter executado o Hino Nacional Brasileiro de pé. Viola é um instrumento que permite a execução com o músico de pé, ou em pé. Já o piano, não. Somente sentado.

      Mas a prezada leitora pode ver o magnífico João Carlos Martins tocar o Hino na abertura da paralimpiada no youtube. Basta inserir a busca “João Carlos Martins ao piano Hino Nacional Abertura dos Jogos Paralímpicos”. Busque. Veja. E se emocione. Duas mãos. A direita, só o polegar. A esquerda, o mínimo e o indicador. Quão belo! Quanto Heróico! Tão genial! Obrigado por ter lido o artigo e comentado.
      Jorge

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