Histórias de Serra e do Jutahyzinho

Sebastião Nery

José Serra é amigo antigo de Armínio Fraga, que era presidente do Banco Central no governo FHC. Há alguns anos, veio ao Rio em um fim de semana e foi passar um domingo na casa de Armínio, em Petrópolis, para discutirem a política econômica e a campanha presidencial contra Lula em 2002.

Conversaram até tarde. Armínio tinha compromisso segunda-feira bem cedo, acordou, veio para o Rio e deixou Serra dormindo, para voltar mais tarde. Serra, acostumado às madrugadas, dormiu tarde e acordou tarde demais, já quase meio-dia.

Quando Serra viu que ia chegar atrasado a um encontro marcado no Rio, ficou uma fera, reclamou da empregada da casa, uma senhora doce e tranqüila, engrossou com ela, culpou-a de não o haver chamado a tempo e saiu batendo as portas, sem se despedir.

Só que a doce e tranqüila senhora não era empregada da casa. Era a sogra de Armínio. E americana. Ela ficou sabendo quem é Serra.

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O CATÃO TUCANO

Quando era ministro da Ação Social, no governo Itamar Franco, Jutahyzinho Magalhães, do PSDB da Bahia, líder na Câmara e um dos donos da campanha de Serra, deixava o avião do Ministério, um King Air, escondido, disfarçadamente, no hangar de uma empresa de táxi aéreo e toda sexta-feira à tarde sumia de Brasília e descia no interior da Bahia, onde voava e rodava o Estado, com avião e gasolina pública, cavando a reeleição de deputado.

Na época, fotografei o avião e contei a história. Itamar o chamou, tomou o avião, deu-lhe um carão e ameaçou demiti-lo. Jutahyzinho chorou.

Em 2002, o jornalista Rogério Medeiros, do Espírito Santos, em seu site wwwseculodiario.com.br, denunciou que Jutahyzinho (que é casado com uma capixaba) e o prefeito de Vitória Victor Velozo Lucas, também tucano, coordenador do programa, e Serra, reuniram-se numa mansão de Guarapari com 30 empreiteiros de obras públicas para tomarem dinheiro para as campanhas de Jutahyzinho, de Serra e da presidente do Tribunal de Contas do Estado e mãe do prefeito, candidata à deputada estadual.

Jutahyzinho estava calçado com uma primorosa bota Mirca. Esse é o guapo rapaz, metido a Catãozinho, que vive nos jornais, todo dia, pregando ética e tentando dar lições à oposição. Satanás pregando quaresma.

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A CAMPANHA

O ex-governador (duas vezes) e ex-senador de Mato Grosso, Júlio Campos, deixou a política e foi para o Tribunal de Contas do Estado. Toca o telefone, em Cuiabá, era Fernando Henrique:

– Julio, há como você me dar uma ajuda à campanha de Serra?

– Presidente, eu e meus amigos vamos retribuir, na mesma moeda, o tratamento que o Serra deu, esses anos todos, a nós e a Mato Grosso, nos ministérios do Planejamento e no da Saúde.

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