Histórias mal contadas

Sylo Costa

Bem se diz que as versões dos fatos é que fazem a história. A imagem que nós, brasileiros, temos de D. Pedro I, montado em garboso cavalo às margens do Ipiranga, exclamando “Independência ou morte”, nos foi transmitida e fixada pelo quadro de Pedro Américo, mas sabe-se lá como foi mesmo o episódio…

Penso que ninguém acredita 100% em algo e que cada um tem sua imaginação particular sobre tudo. Estamos vivendo esse episódio da invenção bolivariana da submissão dos povos pela medicina, como se Cuba pudesse ser exemplo para algum procedimento humano. Na Venezuela, o contrato de ocupação daquele país foi feito para 20 mil médicos. Muitos já fugiram ou foram mandados de volta, se não foram sumidos… Aqui, são 4.000 que ganharão menos que um salário mínimo nosso e não podem pedir asilo, nem ter vida própria. São máquinas de fazer dinheiro para os Castro, e acho que poderão tomar banho…

O fato é que o governo quer fazer crer que os médicos brasileiros não querem nada com a dureza e preferem fazer qualquer coisa a clinicar no interior bravo do país. Para mim, que, orgulhosamente, sou filho de médico nascido no interior do Ceará e que viveu no Vale do Jequitinhonha (Itinga, Rubim e Salinas), essa é a versão míope de um governo caolho, que quer que a medicina seja exercida agora nos moldes da época do “grito do Ipiranga”, quando tudo acontecia por intuição do profissional.

DETALHE

Hoje, a intuição é apenas detalhe, substituída que foi pela tecnologia. Não mais se concebe a ideia de médico amputando com serrote de serrar madeira a perna gangrenada de um paciente. Vi meu pai fazer isso e, sem antibióticos, salvar a vida de um alemão que vivia naqueles cafundós de Minas no princípio dos anos 40. Eu era menino, não conhecia a eletricidade nem gelo e achava que o mundo era assim. Agora, parece que o governo não só acha como também age como se fosse assim.

Não sou contra a importação de médicos estrangeiros. Sou contra a forma como são trazidos para cá, como escravos ou robôs que só ouvem e obedecem. Diz o ditado que “os erros médicos a terra encobre”. Quem assumirá os erros nessa politicagem demagógica e irresponsável?

O Estado brasileiro e Cuba assinaram um contrato de prestação de serviço, que estabelece que pagaremos mensalmente à ditadura dos Castro pelo trabalho escravo dos cubanos. Foi observada a Lei 8.666 de 1993 – a Lei das Licitações? O TCU está de acordo com essa irregularidade ou o Brasil entende que, pela natureza singular do trabalho, a contratação pode ser realizada sem licitação?

A Constituição Federal de 88, em seu Artigo 37, inciso XXI, estabelece que a licitação é procedimento obrigatório em todas as aquisições de bens e contratações de serviços e obras, bem como na alienação de bens, realizadas pela administração, no exercício de suas funções. Além de tudo, essa contratação sem licitação é uma história malcontada, que prova que o governo “petralha” faz disso aqui um “remake” da Casa de Mãe Joana…

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7 thoughts on “Histórias mal contadas

  1. Esse procedimento criminoso do estado brasileiro é velho: jogar povo contra povo.
    Com o agro-negócio, que envolve pequena, média e grande agricultura, que é pilasr principal da nossa economia, o governo apoia aqueles aqueles que invadem propriedades produtivas dando dinheiro para o MST.
    Outra: em vez de criar mais escolas para absorver toda a população, estado cria o racismo com as cotas.
    Com os médicos agora, o estado faz o mesmo. Joga o povo contra eles e pior, importando médicos escravos de uma ditadura que orienta esse governo corrupto do PT.
    A prova cabal dessa escravidão é a de que esses cativos da ilha presídio já foram advertidos que se pedirem asilo aqui, não os terá. E mais, suas famílias não poderão acompanhá-los, ficando como reféns na ilha dos Castros.

  2. Muito bom seu artigo, Sylo Costa!!
    Em tempos que só se lê loas ao descumprimento das leis e ao pisoteamento da nossa Constituição…seu artigo me fez bem.
    Não há médicos brasileiros que aceitem trabalhar em lugares onde falta tudo, até gazes e esparadrapos. Onde sem levar o próprio aparelho de pressão, termômetro e estetoscópio não têm, nem como iniciar a consulta.
    O governo deveria melhorar as condições desses locais, começando com saneamento básico, vacinação… Não!! Não! Este é um pensamento REACIONÁRIO!!
    Se você é “moderninho” deve aceitar as decisões capimunistas do governo Dilma/Lula é que estão corretas: Vamos importar médicos-escravos cubanos, sem direito a trazer família, sequer pedir asilo!! Esses estão acostumados a obedecer e a nada reivindicar.
    Logo estarão importando professores de Cuba, já que os nossos reclamam dos baixos salários e ausência de giz!! Como podem reclamar, cambada de preguiçosos?? Para que giz? Em Cuba usam pedaços tijolos! No Hablamos espanhol?!…Por que a estranheza? Que reacionário!
    Vamos importar professores de Cuba. Daremos mais 10 mil para os ditadores Castro e eles repassarão uma merrequinha para o profissional e a eleição estará ganha até 2100!
    Aquele que não pensa no vilipêndio do trabalho do próximo será o próximo a ser vilipendiado.

  3. Augusto Nunes
    Veja

    Médico cubano expõe na Câmara o que Padilha e Dilma Rousseff fingem ignorar

    “O ministro falou em sua fala inicial sobre a democracia em Cuba. Senhor ministro, em Cuba não temos uma democracia, temos uma ditadura”, discursou o médico Carlos Rafael Jorge Jiménez na tribuna da Câmara dos deputados nesta quarta-feira. Convidado a falar sobre o programa Mais Médicos, o cubano naturalizado brasileiro preferiu, entre vaias e aplausos, expor as mazelas do governo dos irmãos Castro, do qual fugiu há 12 anos.

    Depois de elogiar a formação dos cubanos e o programa Mais Médicos – “o Brasil precisa por causa do descuido total das autoridades do país com a saúde do povo” –, Jiménez denuncou o sistema de trabalho desses profissionais na ilha caribenha: “Senhores, vocês sabem quantas horas trabalha um médico cubano por semana? Entre 60 e 70 horas. E sabe quanto ganha por mês? Entre 60 e 70 reais”, contou. “É uma vergonha que médicos ganhem isso. Por isso, quando vêm para cá eles chegam muito felizes porque ganharão 200, 300 dólares. O resto quem vai embolsar é o patrão, o explorador. E quem é o patrão? O explorador? É o governo cubano, são os irmãos Castro, a ditadura cubana que os explora. Por que eles não vêm como os outros? Por que não ganham seu salário integral? Por que não têm direito a entrar e sair quando quiserem? Por que não podem pedir asilo político? Porque é um convênio entre o governo brasileiro e o governo cubano. E quem apoia o governo de Castro suja as suas mãos de sangue. Tanto o PT quanto todos vocês”.

    “A realidade que Jiménez expôs não é novidade. Mas Alexandre Padilha e Dilma Rousseff ainda fingem ignorar.” (Augusto Nunes)

  4. Sylo Costa! Chato da sua estirpe já li mais de mil!

    Que espécie de observador seja eu, não vo-lo poderia dizer. Qualquer idéia nova, cá tivesse, dar-vo-la-ia na primeira manhã do próximo século! Oh! desde já vo-lo digo: antes quero muitos divertimentos, farta literatura e rede preguiçosa. Depois de ler Helio Fernandes, pegar o Carlos Chagas em dias de graça com “situação de vaca desconhecer bezerro”, Millor vagando por Sodoma e Gomorra…vo-lo pergunto: senão redundância, o que mais um gazeteiro pobretão poderia oferecer? Por exemplo, no meu caso, – um cara por natureza rico, bonito, gostosão com 2 metros de altura, versado em grego, latim, javanês e dialetos posteriores – conversa fiada de almanaque capivarol com pose de perfil Nobel e bota de griffe internacional?

  5. Carta de médico brasileiro a seus colegas cubanos
    31 de agosto de 2013 | 14:15

    Bem-vindos, médicos cubanos. Vocês serão muito importantes para o Brasil. A falta de médicos em áreas remotas e periféricas tem deixado nossa população em situação difícil. Não se preocupem com a hostilidade de parte de nossos colegas. Ela será amplamente compensada pela acolhida calorosa nas comunidades das quais vocês vieram cuidar.
    A sua chegada responde a um imperativo humanitário que não pode esperar. Em Sergipe, por exemplo, o menor Estado do Brasil, é fácil se deslocar da capital para o interior. Ainda assim, há centenas de postos de trabalho ociosos, mesmo em unidades de saúde equipadas e em boas condições.
    Caros colegas de Cuba, é correto que nós médicos brasileiros lutemos por carreira de Estado, melhor estrutura de trabalho e mais financiamento para a saúde. É compreensível que muitos optemos por viver em grandes centros urbanos, e não em áreas rurais sem os mesmos atrativos. É aceitável que parte de nós não deseje transitar nas periferias inseguras e sem saneamento. O que não é justo é tentar impedir que vocês e outros colegas brasileiros que podem e desejam cuidar dessas pessoas façam isso. Essa postura nos diminui como corporação, causa vergonha e enfraquece nossas bandeiras junto à sociedade.
    Será bom vê-los prevenindo a sífilis congênita, causa de graves sequelas em tantos bebês brasileiros somente porque suas mães não tiveram acesso a um médico que as tratasse com a secular penicilina.
    Não se pode negar que vocês também enfrentarão problemas. A chamada “atenção especializada de média complexidade” é um grande gargalo na saúde pública brasileira. A depender do local onde estejam, a dificuldade de se conseguir exame de imagem, cirurgias eletivas e consultas com especialista para casos mais complicados será imensa. Que isso não seja razão para desânimo. A presença de vocês criará demandas antes inexistentes e os governos serão mais pressionados pelas populações.
    Para os que ainda não falam o português com perfeição, um consolo. Um médico paulistano ou carioca em certos locais do Nordeste também terá problemas. Vai precisar aprender que quando alguém diz que está com a testa “xuxando” tem, na verdade, uma dor de cabeça que pulsa. Ou ainda que um peito “afulviando” nada mais é do que asia. O útero é chamado de “dona do corpo”. A dor em pontada é uma dor “abiudando” (derivado de abelha).
    Já atuei como médico estrangeiro em diversos países e vi muitas vezes a expressão de alívio no rosto de pessoas para as quais eu não sabia dizer sequer bom dia – situação muito diferente da de vocês, já que nossos idiomas são similares.
    O mais recente argumento contra sua vinda ao nosso país é o fato de que estariam sendo explorados. Falou-se até em trabalho escravo. A Organização Pan-americana de Saúde (Opas) com um século de experiência, seria cúmplice, já que assinou termo de cooperação com o governo brasileiro.
    Seus rostos sorridentes nos aeroportos negam com veemência essas hipóteses. Em nome de nosso povo e de boa parte de nossos médicos, só me resta dizer com convicção: Um abraço fraterno e muchas gracias.
    * DAVID OLIVEIRA DE SOUZA, 38, é médico e professor do Instituto de Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês. Foi diretor médico do Médicos Sem Fronteiras no Brasil (2007-2010)
    Fonte: Folha de São Paulo

  6. Os médicos do Sírio Libanês estão muito felizes!! Trabalham num centro de primeiro mundo!! Ah…E conseguiram um convênio fantástico com este governo comunista. Seus salários são ótimos! Jamais trabalhariam na rede pública.
    Só vemos mentiras, mentiras e mentiras…
    Parece que o povo está num estado de letargia hipnótica, anestesiados, “zumbizados” ou algo assim…
    Um dia acordarão, com certeza… Que não seja tarde demais!

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