Hospital Central do Iaserj luta para não fechar

Paulo Peres

O Hospital Central do Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), no Centro do Rio, que foi construído através da captação de recursos dos próprios servidores, apresenta claros sinais de abandono e luta para continuar em atividade, apesar da necessidade de reformas, que vem prejudicando toda a estrutura da unidade. Com a redução sistemática nos investimentos por parte do governo, o hospital, que teria capacidade para atender um grande número de pacientes, hoje opera de forma muito reduzida.

O descaso com o hospital teve início, em 1987, no governo Moreira Franco e, atualmente, a sua estrutura é visível desde a fachada do prédio, com janelas quebradas, paredes rachadas e portões improvisados. Mesmo assim, médicos e funcionários do instituto se esforçam e continuam atendendo na maioria das 44 especialidades antes oferecidas. O instituto abriga, inclusive, o Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, transferido para o Iaserj após o fechamento do Hospital do Caju.

O Iaserj foi inaugurado em 1932 para fornecer assistência médica aos servidores públicos do Rio, mas além de atender os mais de um milhão de servidores, atualmente também abre as portas para receber pacientes do SUS, ajudando a desafogar a rede pública de saúde.

A presidente da Associação dos Funcionários do Iaserj(Afiaserj), Mariléa Ormond, confirma que, apesar da necessidade de reformas, os atendimentos ainda são oferecidos, mas, segundo ela, o instituto vem sendo prejudicado anualmente com cortes no orçamento. Só no ano passado a redução foi de 11%.

Mariléa explica que, “se depender do governo do estado, o instituto fecha as portas. É uma falta de respeito o que se faz com a saúde pública. Temos um laboratório que faz uma média de 35 mil exames por mês. Tudo que está funcionando, funciona muito bem.

A presidente da Afiaserj defende reformas no prédio e lembra que o Iaserj foi construído através da captação de recursos dos próprios servidores, que desde a década de 30 contribuíam com 2% de seus contra-cheques para o Iaserj.

“Para funcionar plenamente, precisamos de investimentos na recuperação do prédio, que foi se deteriorando. Temos um pavilhão de seis andares todo fechado. E um centro cirúrgico com 8 salas desativadas. Enquanto pessoas morrem sem atendimento em outros lugares, poderíamos criar mais de 100 leitos no Iaserj”, salienta Mariléa, acrescentando que “ os funcionários do instituto lamentam o atual estado dos prédio e reclamam das condições de trabalho.

O salário dos funcionários é muito baixo”. Este descaso do governo com a manutenção do instituto agravou-se em 2008, quando o governador autorizou a cessão do terreno do Iaserj para o Instituto Nacional do Cancer (Inca). Em 2010, chegou a ser apresentado o projeto de ampliação do Inca, que incluía a demolição do prédio do Iaserj, mas graças à mobilização dos servidores públicos, o Tribunal de Contas da União considerou irregular a cessão do terreno e suspendeu a demolição.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Rio de Janeiro, Jorge Darze, o fechamento do Iaserj é injustificável no atual cenário da saúde no Rio, e faz parte do “modelo absurdo de privatização da saúde no estado. Essa decisão é criminosa. É um hospital com excelência de atendimento, que tinha 400 leitos para atender a população em todas as especialidades. É injustificavel desativar mais um hospital”.

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