Humberto Costa mostra que nem todos os petistas continuam seguindo Lula

Costa diz que nem todos os petistas querem incendiar o país

Pedro do Coutto

Em entrevista a Leandro Colón, Mariana Haubert e Débora Alves, edição de segunda-feira da Folha de São Paulo, o líder do governo no Senado, Humberto Costa, tacitamente balançou a bandeira da rendição do PT, ao dizer que o partido vai para a oposição a Michel Temer, mas não pretende incendiar o país, aceitando assim a realidade política.

Na entrevista, Humberto Costa critica a própria presidente Dilma Rousseff. Disse  que ela é uma pessoa que tem dificuldade de dialogar, de ouvir, e não se adaptou a um modo de fazer política que existe no Brasil.

Não há necessidade de acrescentar mais nada a esse tipo de confissão de parte de quem liderou a bancada de um governo que se encontra na véspera do desabamento.

De outro lado, a entrevista revela indiretamente que pelo menos uma parte do partido se distancia da liderança do ex-presidente Lula, que, em vez de içar a bandeira branca, fala em incendiar o país.

SÃO DUAS VERSÕES

Um romance com duas versões, de parte a parte. Do lado do PT, uma visão de aceitação da derrota, levantada por Humberto Costa. Outra versão, projetada pelo inconformismo de Dilma Rousseff e refletido no recurso desesperado do ministro José Eduardo Cardozo, ao recorrer a Waldir Maranhão, sonhando em anular o fato impossível de superar.

A versão mais importante, sob o ângulo político, sem dúvida é a transmitida pela bandeira branca colocada no mastro da legenda pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa. Representa um marco entre o presente de uma legenda que desmoronou e o futuro que se baseia na tentativa de reencontrar os objetivos que nortearam sua criação e sua aceitação nas urnas do país. Tarefa difícil, sem dúvida, mas não de todo impossível.

Impossível, mesmo, é o ato absurdo do deputado Valdir Maranhão.

DÚVIDAS DE TEMER

De parte do governo de Michel Temer, surgem as dúvidas quanto à composição do novo ministério. Reportagem de O Globo, manchete principal da edição de ontem, dá bem a ideia das dificuldades existentes, sobretudo a partir da escolha dos nomes que possuam vínculo com as tarefas que deverão desempenhar.

O texto é de Júnia Gama e Fernanda Krakovics. Mostra um problema praticamente intransponível, que é formar o ministério num presidencialismo de coalizão. São coisas da política brasileira.

10 thoughts on “Humberto Costa mostra que nem todos os petistas continuam seguindo Lula

  1. Em 1971, quando servi no exército, as manobras militares
    feitas eram quase todas para o ataque.
    Porem no final havia um tipo de manobra, chamada de FUGA E EVASÃO, onde diante do iminente revés, a tropa deveria debandar do campo de batalha, sendo que na situação era cada um por si.
    Nesta operação, deveria-se inclusive ignorar a hierarquia, valia apenas, salvar a própria pele.
    O ainda líder do governo Dilma já esta fazendo justamente isso. É a fuga e evasão dos princípios
    defendidos por eles e que agora viram que não ha mais alternativa, salvar a própria pele e garantir a sobrevivência é o fundamental.
    Assim como a Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá, lula e Dilma poderão acabar em Curitiba.

  2. Não acredito em Humberto Costa, como de resto em qualquer petista que agora tenta se apresentar como moderado ou querendo salvar a própria pele, o que seria pior!

    Ontem, foi deprimente ver a tropa de choque petista berrando contra Renan, e acusando-o de atitudes “ilegais”.

    Evidente que estavam as histéricas Graziotin, Hofmann e Bezerra como ponta de lança, incluindo o caricato e bobo da corte Farias, que estavam unicamente no plenário para atrapalhar o andamento do impeachment, e corroborados pelos apelos dramáticos e fantasiosos de Humberto Costa.

    Atuações que ultrapassam qualquer senso do ridículo, além de darem a devida dimensão sobre até onde chega a decadência humana quando em defesa de privilégios e cargos no poder!

    Esses senadores, que se autointitulam como defensores da democracia e contra o “golpe” parlamentar, mostram de forma nítida e indiscutível o absoluto descaso com os milhões de desempregados, o menosprezo aos inadimplentes, a despreocupação com a recessão econômica, em consequência de erros clamorosos da presidente em suas administrações, afora ter sido dominada pela corrupção, desonestidade, imoralidade e falta de ética dos petistas!

    O senador Costa é mais um cínico e hipócrita do PT, mais nada!

  3. Humberto Costa está interpretando o papel do bandido bonzinho da dupla de criminosos. O outro bandido é o cara mau, torturador e matador. Ele foi induzido a praticar o mal pelo seu colega. É isso.

  4. Pedro do Couto, a atitude de Humberto Costa é merecedora de reflexão. Você deve saber qual o comportamento de Humberto Costa desde o primeiro governo Lula quando foi envolvido na “Operação Sanguessuga”. Lula fez de tudo para livrá-lo do problema que se arrastou para o outro mandato. Agora vemos Humberto Costa na Lava Jato e mais recentemente na relação da Odebrecht em que é identificado com o apodo de “Drácula”. Seria bem mais elegante aceitar a realidade sem citar a presidente que mesmo tendo errado não teve o apoio moral do partido. Quase todos estavam envolvidos em algum fato ilicito. Outra coisa ninguém vai incendiar o Brasil. Protestos vão acontecer porque não se pratica democracia “no silêncio dos cemitérios”.

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