“Humilhante e constrangedor”, relata entidade indígena ao STF após reunião com Heleno sobre pandemia

Heleno disse que governo atenderia somente indígenas em terras demarcadas

Carolina Brígido
O Globo

 A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) enviou relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF) afirmando que representantes indígenas foram humilhados pelo governo federal em uma reunião ocorrida na última sexta-feira para tratar do combate ao coronavírus entre esses povos.

A reunião foi a primeira depois que o ministro Luís Roberto Barroso criou uma “sala de situação” para debater o assunto e buscar formas de proteger a saúde dos indígenas diante da Covid-19. Segundo a entidade, integrantes do governo federal fizeram discursos ameaçadores e usaram palavras de baixo calão.

HUMILHAÇÃO – “A experiência vivida por eles foi de um tratamento desastroso, humilhante e constrangedor, situação à qual nenhum cidadão merece passar, sobretudo diante de autoridades do governo brasileiro”, diz o relatório. Segundo a entidade, a reunião foi planejada para atacar os povos indígenas e tentar intimidá-los.

Segundo a Apib, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, disse na reunião que o governo atenderia apenas indígenas em terras demarcadas. Os demais seriam tratados como produtores rurais. “Uma fala totalmente inapropriada para os objetivos da sala de situação, que tem por objetivo discutir situações emergências dos povos indígenas isolados e de recente contato neste contexto de pandemia do Covid-19”, diz relatório.

A entidade também relata que o secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Robson Santos da Silva, chamou os povos indígenas de “cínicos, levianos e covardes”. Segundo a Apib, integrantes do governo foram mais enérgicos porque os representantes indígenas chamaram de “genocídio” a falta de ações coordenadas do poder público para proteger povos indígenas isolados e de recente contato.

CASOS – Até o início de julho, a Apib contabilizava mais de 10,3 mil casos confirmados de coronavírus entre indígenas. Em contrapartida, a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde afirmava que, naquele momento, eram 6,8 mil casos da doença.

Ainda no relatório, a associação acusou um representante do governo federal responsável pela mediação da reunião de bloquear o microfone na hora que uma líder indígena iria se manifestar. Para a Apib, o gesto mostrou que o governo não estava interessado em ouvir os povos indígenas sobre o assunto.

GRAVAÇÃO – Ao documento, foi anexada gravação integral e ata da reunião. A entidade pede a ampliação do número de representantes indígenas na sala de situação. No dia 8 de julho, Barroso concedeu liminar em uma ação da Apib e de seis partidos políticos determinando a criação da sala de situação para tratar do combate à pandemia entre esses povos.

O ministro também determinou que o Poder Executivo garantisse acesso ao sistema de saúde a indígenas vivendo também em áreas não homologadas. 

8 thoughts on ““Humilhante e constrangedor”, relata entidade indígena ao STF após reunião com Heleno sobre pandemia

  1. VÍRUS CHINÊS

    Desconfiança histórica em relação à China salvou Taiwan do coronavírus

    País avisou OMS ainda em dezembro sobre transmissão do vírus entre humanos, mas entidade, sob influência da China, ignorou

    Ainda em dezembro de 2019, as autoridades de Taiwan alertaram a Organização Mundial de Saúde de que, ao contrário do divulgado pela China e replicado pela OMS, a transmissão do covid-19 entre humanos era real. Conhecedor da “transparência opaca” chinesa, Taiwan fez suas próprias regras de contenção e tem hoje apenas 455 casos e 7 mortes nos 23 milhões de habitantes. A OMS levou semanas para reconhecer a transmissão entre humanos e mais tempo ainda para admitir a pandemia.
    Taiwan atribui a negligência da OMS ao fato de ser deliberadamente ignorada a mando da China, que considera a ilha “província rebelde”.

    Epidemiologista líder da equipe da OMS na China, Bruce Aylward disse que chineses não quiseram dizer no relatório que o vírus era “perigoso”.

    A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

  2. Esse Augusto Heleno é racista (?)
    É o que me parece.
    Sabemos por notícias da Reuters que sob seu comando, houve uma chacina, incluindo mulheres e crianças haitianas. Também teria havido supostos casos que militares da ONU teriam mantido relações e engravidado algumas menores – o que pela lei brasileira seria estupro de vulnerável, que caso praticado por algum brasileiro (pois a notícia não citou) teria que ser denunciado imediatamente no ingresso.

  3. Torço, empolgadamente. para que Mourão tenha muito saber, coragem, paz, meios, apoiadores e jogo de cintura para acabar, de uma vez por todas, com o desmatamento da Amazônia, dando uma grande contribuição para que a humanidade tresloucada não acabe de vez com este minúsculo planeta. Ele é o único lar que temos. Se ele for destruído, a humanidade toda perecerá.

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