Ibope de Dilma no deixa oposio emergir no pas

Pedro do Coutto

Reportagem de pgina inteira de Vera Rosa, O Estado de So Paulo de 01 de janeiro, com base em pesquisa realizada pelo Ibope, patrocinada pela CNI, revela que o sucesso do governo Dilma Rousseff no primeiro ano de mandato no deixa margem para a oposio emergir no cenrio poltico do pas. Seu desempenho atinge 55% de bom e timo e uma aprovao geral da ordem de 70%, conforme o grfico produzido pela Editora de Arte do jornal. Apenas uma frao de 9% a considera ruim e pssima. No quase nada.

Os partidos de oposio como o PSDB, DEM e PPS no encontraram ainda um caminho. Os nmeros falam por si. possvel, como invariavelmente acontece, que leitores deste site contestem os ndices e repitam no acreditar em pesquisas. Mas se acreditarmos em levantamentos de opinio pblica, em matria poltica, vamos acreditar em quem? No h alternativa. Nas eleies presidenciais de 2010, o Ibope e o Datafolha apontaram a vitria de Dilma sobre Jos Serra por 56 a 44 dos votos teis. O acerto foi total.

Alis, a respeito de eleies, as pesquisas so as nicas que podem ser comprovadas na prtica. De um lado, as previses. De outro os resultados. Se no houvesse preciso (de mais de 90%), os institutos j teriam fechado. Uma constatao lgica.O que ocorre com o executivo e a oposio? A resposta tem que ser encontrada. Seis ministros, em doze meses, foram demitidos por corrupo. Nelson Jobim por insubordinao. O governo no se desgastou. Pelo contrrio. Sua aprovao subiu 5 pontos depois da tempestade. Logo a corrupo no sem discutir o mrito da questo um tema popular.

Popular o panorama salarial. Tem sido mvel, especialmente o mnimo que, este ano, aumentou 14%, o dobro da taxa inflacionria apontada pelo IBGE. evidente que o debate salarial no se restringe as piso, embora seja este responsvel pelo pagamento de 27% da mo de obra ativa brasileira. Mas pesa no contexto e no conceito. Basta comparar a mobilidade salarial nos governos Lula e Dilma com a imobilidade nos oito anos de FHC. A, a meu ver, situa-se o ponto principal da questo. Outro o desemprego. A taxa, com FHC, passava de 10%. Hoje est em 6 pontos.

Houve descompresso social. Acrescente-se a isso o xito (conservador, mas xito) do programa Bolsa Famlia. Os que as recebem, claro, no desejam perd-las. Mesma coisa que, a partir de 1943, aconteceu com Vargas ao implantar a CLT. Antes dela, no havia frias remuneradas, descanso semanal, aviso prvio, horas extras, indenizaes trabalhistas. Os trabalhadores, nas urnas, deveriam votar em quem? Acredito que estas colocaes traduzem os nmeros do Ibope-CNI e acrescentaram reportagem de Vera Rosa.

Um outro assunto. Em sua pgina de domingo, O Globo e a FSP, lio Gspari referiu-se atuao de Alexandre Tombini frente do Banco Central confrontando seu estilo com o de Henrique Meireles, extremamente oposto. Gspari cita o recuo da taxa dos juros pagos pelo governo aos bancos para rolar a dvida interna imobiliria, segundo o Dirio Oficial de 30 de setembro do ano passado, na escala de 2,2 trilhes de dlares. Cada ponto corresponde assim a 22 bilhes de reais. Recuaram (os juros) 2,5%. Diminuiu a despesa do pas por causa disso? No se pode ter certeza. Pois preciso comparar se a queda da taxa ao aumento do volume de ttulos no mercado. A despesa aparente diminuiu 50 bilhes por ano.

Porm eis a uma pergunta que a oposio deveria fazer qual o aumento fsico na colocao de novos papeis? Deveria fazer, mas no fa. Isso porque os oposicionistas no desejam, pois ocupam posio conservadora no processo poltico. E tm pnico em contrariar os banqueiros. Esta a verdade.

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