Ideli prejudica a imagem política do governo Dilma Rousseff

Pedro do Coutto

Ao afirmar que a ação da Polícia Federal prendendo 36 envolvidos em corrupção no Ministério do Turismo foi uma “armação” da imprensa, a ministra Ideli Salvatti prestou um desserviço à opinião pública e, paralelamente prejudicou a imagem política do governo Dilma Rousseff, ao qual pertence. Sua afirmação  oscila como um pêndulo entre o ridículo e o absurdo. Argumento de baixo nível, sem a menor lógica e qualquer compromisso com a verdade. Reportagem de Adriana Vasconcelos, Gerson Camaroti e Maria Lima, O Globo de quarta-feira 10 focalizou cristalinamente a contradição.

Como os jornais podem ser apontados como responsáveis pela ação da PF, vinculada ao Ministério da Justiça, cujo titular é o deputado José Eduardo Cardozo, do PT? A mídia, incluindo também as emissoras de rádio e televisão, não cria fatos, mas os reflete como um espelho. Os jornalistas, assim, não podem ser responsabilizados pela corrupção na pasta do Turismo. Muito menos pela prisão de corruptos.

Inclusive entre os acusados (e presos) estão o atual secretário-executivo do ministro Pedro Novais, Frederico Silva da Costa, e o ex-presidente da Embratur, Mário Moysés. Uma outra reportagem de O Globo, no mesmo dia, esta assinada por Jailton de Carvalho, Fábio Fabrini e Chico de Góis, fecha o círculo em torno do escândalo e fornece a devida repercussão a um nebuloso processo envolvendo a administração pública e interesses ilegítimos disfarçados sob as siglas de Organizações Não Governamentais. Mas que se propõem a enfrentar problemas governamentais. Como é possível? Neste plano, o conceito agride a gramática. Não se entende sobretudo porque entidades não governamentais recebem recursos do governo. Um desastre ocorreu no Ministério do Turismo. Além de intervenção também desastrosa de Ideli Salvatti.

A ministra de Relações Institucionais deveria, isso sim, agradecer a atenção com que a imprensa acompanhou a mobilização policial. Aconteceu a tempo e a hora. Imaginem os leitores o que seria da Copa do Mundo de 2014 se os acusados de hoje permanecessem em seus cargos ao longo dos próximos anos? Seria muito pior para a presidente Dilma Rousseff do que a repercussão pública no momento. Esta atinge em cheio o ministro Pedro Novais, que pouco aparece e, quando aparece, aparece mal nos meios de comunicação. E na sua área sobretudo, é fundamental aparecer bem.

Indústria sem chaminé, como se diz há tempo, o turismo é essencialmente a mistura da qualidade com a arte e da combinação destes dois pólos com a divulgação. Ao contrário do que sustentou Ideli Salvatti, a Imprensa e a Polícia Federal salvaram a presidente Dilma de uma situação muito pior. No ano passado, na conta do turismo, saíram do país 17 bilhões de dólares. Entraram 8 bilhõe. Se Pedro Novais permanecer no cargo depois de tudo isso, a tendência pelo menos é o déficit de 9 bilhões de dólares se ampliar ainda mais.

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