Imagens não mostram estranho em prédio de Joice, mas não há câmeras em escadas e halls

Em entrevista ao SBT News, Joice Hasselmann mostra ferimentos no rosto

Joice explica que o invasor pode ter subido pelas escadas

Danielle Brant
Folha

As câmeras de segurança do prédio em que mora a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) em Brasília não registraram a entrada de nenhum estranho de quinta-feira (15) a terça-feira (20), segundo informações das investigações confirmadas pela Folha. As investigações também mostram que a deputada não deixou o apartamento no período.

A perícia foi realizada após a parlamentar ter relatado um incidente na madrugada do dia 18 no qual teve cinco fraturas no rosto, uma na coluna e diversos hematomas pelo corpo.

RELATÓRIO INICIAL – Em nota, o Departamento de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados (Depol) disse apenas ter realizado perícia em 16 câmeras do prédio onde fica o apartamento funcional de Joice e ouvido funcionários que trabalham no local, em meio a investigações sobre as fraturas e hematomas apresentados pela deputada.

A nota não informa o resultado da perícia. O inquérito sobre o caso foi enviado para o Ministério Público Federal, a quem caberá oferecer ou não denúncia à Justiça Federal.

“A Câmara esclarece que há segurança nos locais onde se localizam os apartamentos funcionais dos parlamentares. Os prédios possuem vigilância armada e porteiros, ambos 24 horas por dia, sete dias por semana”, indicou. “Além disso, há câmeras de segurança e rondas ostensivas, com viatura caracterizada.” Outras informações sobre a investigação no âmbito do Depol são sigilosas, segundo a Polícia Legislativa.

PERÍCIA NO LOCAL – Na manhã desta terça-feira (27), a Polícia Civil realizou perícia de cerca de quatro horas no apartamento funcional de Joice. O Depol coletaria impressões digitais na sequência. A segurança no prédio foi reforçada, segundo funcionários que trabalham no local.

Uma nota não oficial atribuída ao Depol circulou com a indicação de que as câmeras não teriam registrado a entrada de estranhos ou a saída da deputada entre os dias 15 e 20. A assessoria de imprensa da Câmara não confirmou as informações da nota.

Em uma rede social, a deputada afirmou que a Polícia Civil recolheu materiais para análise e que viu falhas de segurança do prédio. “Não existem câmeras de segurança nas escadas e entradas dos aptos”, escreveu.

COISA DE PROFISSIONAL – “Já disse com todas as letras que isso não é coisa de amador, mas de profissional. Ninguém entraria na casa de uma parlamentar para agredi-la dando ‘tchauzinho’ para a câmera do térreo ou do elevador, tendo tantos pontos cegos no prédio”, indicou. “Não terei o mesmo destino de PC FARIAS.”

“Vou até as últimas consequências. Entregarei meu sigilo telefônico (que já estava à disposição) para as polícias. Faço questão que os delegados VEJAM as mensagens. Outros boletins de ocorrência e notícias crime serão feitos essa semana. É mto material que está sendo levantado”, escreveu Joice.

As informações foram divulgadas um dia após Joice prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal

OBJETO ENCONTRADO – Joice disse ter encontrado objeto que pode ter relação com o episódio e levantou suspeitas sobre a interferência do governo Jair Bolsonaro na Polícia Federal. “É um objeto que não pertence a ninguém, a nenhum dos meus funcionários, nem a mim nem a meu marido”, afirmou a deputada, que não quis informar qual era o objeto, apenas que não era cortante e que tinha rolado para debaixo de um sofá retrátil na sala.

“Não é um objeto que estava sujo de sangue nem marcas de sangue nem nada disso. É simplesmente um objeto que não pertence a ninguém da minha casa.”

Segundo a parlamentar, havia cerca de cinco testemunhas quando ela encontrou o objeto, pouco antes da entrevista coletiva que realizou no último domingo (25) ao lado do marido.

JOICE REAGE – Na entrevista desta segunda (26), Joice disse ter registrado um boletim de ocorrência contra o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) por injúria, calúnia e difamação e afirmou que levará o caso ao Conselho de Ética do Senado.

“Eu disse a vocês logo depois no meu depoimento na Depol de que eu recebi informação, isso está escrito no meu telefone, eu mostrei à polícia, de que vazaria uma informação do GSI [Gabinete de Segurança Institucional da Presidência] de que eu teria batido o meu carro e teria me machucado. Os médicos já descartaram que os ferimentos que eu tenho são compatíveis com uma eventual batida”, afirmou.

Joice disse ainda que fará novos boletins de ocorrência contra outras pessoas, as quais não quis citar, assim como também não quis divulgar os nomes das duas pessoas que considera suspeitas —uma delas, parlamentar.

DESCONFIANÇA NA PF – A competência da investigação é da Polícia Legislativa, pois o incidente ocorreu dentro de um apartamento funcional, explicou Joice, mas acrescentou que cabe ao Ministério Público Federal decidir se a competência é da Depol, da Polícia Civil ou de ambas.

Joice afirmou não ter procurado a PF por não confiar na instituição.  “Eu não confio no governo e na interferência que ele é capaz de fazer, como já fez, na Polícia Federal. Todo mundo sabe que eu sou desafeto do Palácio do Planalto. Há uma história muito cabulosa que vazou do GSI. Então para esse governo fazer qualquer tipo de manipulação, isso pode ser feito num estalar de dedos.”

“Então eu confio na Polícia Civil. Polícia Civil do DF, Polícia Civil de São Paulo, Depol e Ministério Público Federal… já é muita gente investigando.”

AUGUSTO HELENO – A parlamentar disse que fará uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal para que o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI, seja ouvido.

“O general Heleno foi ao Twitter inclusive debochar da situação. Então deixe que ele se explique. Vou chamar a pessoa que passou essa informação de que o GSI estaria montando essa farsa, ela vai ser ouvida, sob sigilo. E vamos chamar o general Heleno para que ele possa se explicar.” 

9 thoughts on “Imagens não mostram estranho em prédio de Joice, mas não há câmeras em escadas e halls

    • Pelo tamanho das unhas da tigresa o marido está descartado.
      Não tem uma marca.
      Impossível não ter munhum arranhado.
      Numa briga de casal ninguém sai incólume de uma unhada de mulher.

      Não sou detetive, mas não parece que ela esta mentindo.

      Agora, se descobrirem que foi armação dela, está aniquilada politicamente, e tem que ser internada.

      Neste caso ainda dou meu voto de confiança a parlamentar.

      P.S. Os prédios dos parlamentares onde só tem quadrilhas de todos os tipo e cores, ter uma segurança precária é inadmissível.
      O pior são as câmeras de segurança inexistentes em locais que pessoas possam se esconder.

      Como é fácil matar um parlamentar, é só entrar lá e “suicidar” o escolhido(a).

      Brasília é a Chicago brasileira.

      Muitas máfias e nenhuma política.

      JL

  1. O marido continua sendo o principal suspeito. Que diabos de marido viaja para o Piauí a negócios e deixa a esposa toda arrebentada em casa, não a leva a hospital para exames, não chama a polícia civil para investigar, etc. Porque a demora em fazer exame de corpo de delito e toxicologico? A prisão preventiva do marido tem que ser decretada.

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