Importação de armas de fogo e munições caminha para recorde na gestão Bolsonaro

Charge do Benett (Arquivo do Google)

Bernardo Mello e Juliana Castro
O Globo

A importação de armas de fogo e munições se encaminha para atingir, em 2020, o patamar mais elevado dos últimos 11 anos. Em meio a decretos e incentivos públicos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, o gasto em armas estrangeiras já totalizava US$ 26,5 milhões até julho deste ano, 97% acima do registrado no período correspondente em 2019, segundo dados extraídos do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), do Ministério da Economia.

O gasto parcial com importações neste ano, desconsiderando compras de armas e munições de guerra, já supera a quantia despendida em todos os anos da série histórica, à exceção de 2019, quando o valor de janeiro a dezembro totalizou US$ 36,5 milhões. A tendência de alta, segundo especialistas, se iniciou no último ano do governo Michel Temer.

RECORDE – Em 2018, segundo dados do Exército obtidos pelo O Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI), 33,2 mil armas — entre pistolas, revólveres, espingardas e fuzis — foram importadas por pessoas físicas e jurídicas. Foi o recorde na série histórica, seguido de perto por 2019, quando 30,2 mil armas estrangeiras entraram no país. O dado não inclui armas de órgãos de segurança.

“Se a ideia com a importação é entregar a policiais um material tecnologicamente mais avançado e confiável, não vejo problema. Já a política de “liberar geral” segue um raciocínio falacioso de que “se o bandido tem armas pesadas, o cidadão também precisa ter”. Na verdade, quanto mais armas pesadas circulam, mais você alimenta a criminalidade”, afirma Isabel Figueiredo, do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Pesquisa do Instituto Sou da Paz e do Ministério Público de São Paulo, em 2016, apontou que pelo menos 38% das armas apreendidas em casos de roubos e homicídios no país tiveram origem no mercado legal, e depois foram desviadas.

FLEXIBILIZAÇÃO – De acordo com Natália Pollachi, do Sou da Paz, o aumento de importações é efeito direto e também indireto de políticas de flexibilização no acesso a armas. No governo Temer, um decreto presidencial permitiu o aumento de compra de munições para algumas categorias, medida aprofundada já na gestão Bolsonaro, quando o número máximo passou de 50 para 200 munições por ano, e mais recentemente para 600 por pessoa — esta última modificação foi suspensa pela Justiça Federal de São Paulo.

Bolsonaro também ampliou, através de decretos, o rol de calibres a que cidadãos comuns têm acesso. Outra alteração feita pelo atual presidente, em decretos editados em julho e em setembro de 2019, foi revogar um veto a armas estrangeiras que tivessem versão similar no país. “Os decretos permitiram armas de maior potencial e deram uma chacoalhada na importação, já que o Exército antes autorizava muito menos”,  avaliou Pollachi.

DIPLOMATA INFORMAL – Um dos porta-vozes mais ativos no atual governo pela importação de armas é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que também assumiu informalmente funções de diplomacia com países vistos como aliados estratégicos. Eduardo já disse publicamente ter conversado com a fabricante americana de armas Sig Sauer, fornecedora do Exército dos EUA, e com a italiana Beretta.

No atual governo, enquanto Áustria — país da fabricante Glock —, EUA e Itália seguem no topo das importações, a China registrou uma queda de 21% no valor das vendas para o Brasil. Segundo a colunista Bela Megale, o Ministério da Justiça vai abrir um escritório em Washington dedicado à aquisição de equipamentos para segurança pública.

6 thoughts on “Importação de armas de fogo e munições caminha para recorde na gestão Bolsonaro

  1. OPRIMIDOS, ÀS ARMAS!

     

     

    Um país-continente

    De natureza exuberante

    Sob um céu azul-anil

    Sua aquarela onipresente

    Espelha a mata verdejante

    Do nosso couto Brasil

     

    Como pode este cenário

    Rico de eterna beleza

    Entocar tantos bandidos

    Com vestes de autoridade

    Seguros de uma certeza

    Que jamais serão punidos?

     

    Outro dia vi na tevê

    Um juiz todo estofado

    Com um som corococó

    Quando a policia foi ver

    Era uma galinha roubada

    Por debaixo de Sua toga

     

    O policial mais que depressa

    Passou a canhota na galinha

    E disse para o togado:

    -Esta aqui vai ser bandeco

    Na boca de um velhinho

    Duma casa de caridade

     

    Ao chegar lá no asilo

    O tira avistou uma “boca”

    Mas não era a do velho

    Que não provou da galinha

    Porque o guarda a trocou

    Por uma “parada” de merla

     

    A boca-de-fumo era casa

    De um famoso quadrilheiro

    Político forte do grupo

    Do governo de um estado

    Onde o Santo Padroeiro

    Também é um corrupto

     

    Pro Brasil só tem saída

    Se nosso povo injetar

    Muito ódio em sua veia

    Partir para ação terrorista

    Aguerrido e bem treinado

    Por um líder verdadeiro

     

    Se você tiver religião

    Fale isso a sua liderança

    Aí no sindicato, sei lá!

    Onde você tem ligação

    Só assim nossa vingança

    Começa a se desenhar

     

    O podre poder é tirano

    Também autodefensivo

    E são muitas suas armas

    Mas é feito de ser humano

    Então podemos destruí-lo

    Pois seus donos são mortais

     

    Viver alegre num Brasil

    Sempre fingindo a dor

    Nesta eterna Babilônia

    Antes viver como triste

    Mas tornando com terror

    Este país numa Colômbia

     

     

  2. O crescimento na importação de armas está na razão direta do aumento nas forças armadas das quadrilhas cariocas, conforme informado na semana passada. Acredito que tal fortalecimento se repita em outros estados do país. Ainda não comprei a minha Glock mas, pelo andar da carruagem vou ter que tomar uma providência neste sentido.

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