Imprensa inglesa volta a acusar Ricardo Teixeira e diz que Dilma Rousseff está brigada com ele.

Carlos Newton

Daqui até a Copa de 2014, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, vai atravessar um penoso inferno astral. As denúncias contra sua atuação no comando da principal entidade esportiva brasileira surgem a todo momento. Desta vez, é a revista inglesa “The Economist” que investe contra ele, recapitulando as acusações de corrupção durante os anos em que Teixeira preside a confederação.

Além das irregularidades que vêm sendo denunciadas, a reportagem inclui também uma grotesca declaração de Teixeira à revista “Piauí”, em que o presidente da CBF atacou os veículos de comunicação do Brasil. Na entrevista, ele classificou a imprensa brasileira como “vagabunda”. Teixeira também afirmou na publicação que poderia impor represálias aos jornalistas esportivos que trabalharão na Copa. “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Porque eu saio em 2015. E aí, acabou”, disse, na entrevista à “Piauí”.

Seria bom se isso realmente acontecesse. É justamente o que todos querem e esperam. Mas Teixeira devia sair logo da CBF, sem ficar entronizado até 2015. E quem acredita que ele vá mesmo sair? É muito bom para ser verdade.  

Diz a reportagem da revista inglesa que Teixeira é “uma das figuras com as maiores manchas no futebol”, acrescentando que a presidente Dilma Rousseff estaria preocupada com a corrupção na entidade. A relação de Dilma e Teixeira estaria abalada por causa das atitudes suspeitas do cartola.

Na verdade, as denúncias contra o dirigente estão se avolumando e ganhando força. Como se sabe, há indícios da existência de documentos que comprovam atos de corrupção de Teixeira, que foram levantados pela Justiça da Suíça e podem ser requisitados a qualquer momento. E surgem informações de que a Polícia Federal deve começar uma investigação contra o presidente da CBF por suspeita de remessa ilegal de dinheiro.

Essa não é a primeira vez que o cartola está na berlinda. Durante a CPI do futebol, entre os anos de 2000 e 2002, Teixeira foi denunciado por múltiplas irregularidades, inclusive retirar empréstimos no valor de U$ 36 milhões em nome da CBF. Parte da verba foi levantada no Delta Bank, que era dirigido por pessoas ligadas a Teixeira. O avalista da operação foi o próprio presidente da CBF e a taxa de juros da operação beirava os 50% ao ano, valor muito maior do que as taxas praticadas nos Estados Unidos no período do empréstimo . A apuração das irregularidades foi feita pelo Senado, mas o processo contra Teixeira parou na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

A revista “Carta Capital”, há alguns meses, dedicou uma edição praticamente inteira a denúncias contra Ricardo Teixeira, que continua resistindo a tudo. Como a CBF é uma entidade privada, o governo não pode se meter. E se depender dos cartolas estaduais aliciados por Teixeira, seu reinado na CBF prosseguirá eternamente, enquanto ele quiser ou tiver saúde para se manter no cargo. Esta é a realidade, que a revista inglesa desconhece.

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