Impressões sobre a política latino-americana

Carlos Frederico Alverga

Recentemente assisti a dois documentários políticos disponíveis no youtube, abordando o panorama político latino americano, e ambos destacando a situação da Venezuela de Chávez, sendo um desses documentários dirigido pelo norte-americano Oliver Stone. Além disso, li bastante a respeito do amplo material publicado na imprensa brasileira (Veja, Carta Capital, Estado e Folha de SP, Globo etc), tanto favorável quanto contrário ao líder venezuelano. Além disso, li o livro do jornalista Leite Filho sobre o político caribenho, favorável a Chávez, um bom livro.

Chávez, o mito

Os argumentos contrários a Chávez o qualificam como típico ditador latino-americano, que não permite a liberdade de expressão, controla a mídia burguesa privada, não respeita a separação de poderes nem a independência do Judiciário, administra temerariamente a estatal do petróleo, estatiza a economia, promove a involução e o retrocesso da indústria e da agricultura do país caribenho, além de perseguir seus opositores, inclusive membros do Judiciário. Os detratores também o acusam de ter tornado ineficiente a estatal venezuelana do petróleo, a PDVSA, afirmando que caiu, em números absolutos, a produção diária de barris de petróleo na Venezuela.

Seus partidários alegam que o governo de 14 anos, eleito todas as vezes pelo voto direto, reduziu de forma extrema a desigualdade social, principalmente pelo fato de ter utilizado os recursos gerados pela exportação do petróleo para financiar as políticas sociais, materializadas, principalmente, no programa das Missiones, as quais são de diferentes tipos, podendo ser voltadas para a educação, saúde, abastecimento, habitação popular, nutrição das pessoas carentes etc.

Nesse aspecto houve uma melhor distribuição dos recursos gerados pela indústria petrolífera, que passaram a beneficiar os segmentos mais pobres, em vez de serem acumulados e concentrados pelas elites e pelas multinacionais. Uma conquista sempre exaltada pelos defensores de Chávez foi a erradicação do analfabetismo no país, tendo em vista que, em 2005, a agência das Nações Unidas para a Educação e a Cultura, a UNESCO, declarou a Venezuela território livre do analfabetismo.

MEIO TERMO

A verdade deve estar no meio termo. Chávez cometeu erros e acertos como qualquer governante, mas uma coisa não pode ser dita em seu desfavor; o fato de que, desde 1999, jamais a investidura de Chávez foi ilegítima, caracterizando uma democracia plebiscitária e participativa. Muitas dessas eleições/consultas populares foram consideradas lícitas e sem fraudes pela organização não-governamental do ex presidente dos EUA Jimmy Carter, um observador insuspeito e isento.

Como aspectos negativos do seu Governo, pode-se citar o desrespeito à independência do Judiciário, a perseguição de magistrados e opositores, a desorganização produtiva da economia venezuelana em virtude da estatização indiscriminada de setores da economia nos quais o Estado não deveria intervir, e o incremento da violência urbana.

Como fatores positivos da atuação de Chávez, pode-se citar a redução da desigualdade social na Venezuela, a redistribuição dos recursos do petróleo em favor dos mais pobres, o maior acesso à saúde, principalmente em função da atuação dos médicos cubanos, a erradicação do analfabetismo, o barateamento dos produtos básicos para a população, a promoção de atividades agrárias para reduzir o excessivamente elevado índice de urbanização no país, entre outros aspectos.

AÇÃO INTERNACIONAL

O ponto que mais incomodou os Estados Unidos foi a dimensão internacional da atuação do governante venezuelano. Respaldado pelos dólares do petróleo, Chávez reativou a OPEP, o que significou o retorno à política de quotas mínimas que acarretou a recuperação dos preços do barril. Se aproximou dos países árabes, da Rússia, da China e do Irã, além de ter estabelecido processos de integração comercial no âmbito da América Latina, principalmente por meio do intercâmbio com Cuba, o Brasil e a Argentina.

No caso de Cuba e de outros países latino-americanos, a Venezuela trocava seu petróleo pelos serviços médicos e sociais cubanos ou por produtos de cadfa país. Sob a liderança de Chávez, e com a participação ativa de Lula, do casal Kirchner e de Rafael Correa, os países sul-americanos, e depois latino-americanos, se mostraram unidos, tanto política quanto economicamente, em relação aos Estados Unidos, o que redundou na derrota estadunidense na questão da ALCA e no esvaziamento da OEA,  com o fortalecimento da UNASUL (países sul- americanos) e da CELAC (comunidade dos países latino-americanos e do Caribe).

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