Inacreditável. Gilberto Carvalho deixa mal a presidente Dilma, ao revelar que ela não queria demitir Alfredo Nascimento e que o Planalto foi apanhado de surpresa.

Carlos Newton

O secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, agora vive a dar entrevistas de grande alcance político, agindo como se suas atribuições funcionais fossem bem mais amplas do que na realidade. Motivo: Carvalho é uma espécie de porta-voz e representante do ex-presidente Lula no Planalto.

Como se sabe e está mais do que óbvio, Lula não desencarnou do poder e insiste em se meter em tudo, através do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, indicado pessoalmente por ele. E certamente foi na condição de representante do ex-presidente que Carvalho tentou tranquilizar os dirigentes petistas sobre as sucessivas crises no Planalto, que já culminaram com a queda de dois ministros: Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes).

Reunido em São Paulo com líderes da chapa de maioria do PT, a “Partido que Muda o Brasil”, Carvalho tentou afastar a ideia de que exista um afastamento entre a presidente Dilma Rousefff e Lula. Para ele, essas imagens “não são reais”.

O ministro disse aos petistas que, de zero a 100, ele aposta que é zero a possibilidade de haver uma crise entre a presidente Dilma e Lula. “Porque é impressionante: tenho sido testemunha privilegiada dessa relação, e sei do cuidado que o Lula toma de não dar nenhum passo que possa interferir na imagem do governo sem consultá-la. E também, da parte dela, uma noção de como Lula pode ajudar em um monte de coisas sem isso que constitua qualquer ameaça à autoridade dela. Eles têm uma relação muito especial”.

O mais incrível é que, falando à imprensa muito mais do que devia, Gilberto Carvalho fez questão de garantir que a presidente Dilma não demitiu o ministro dos Transportes, em meio aquele avalanche de denúncias de corrupção, uma revelação que, sem dúvida, é altamente negativa para ela.

“Nessa questão do Palocci e do Alfredo, não tem clima de caça às bruxas, mas é um clima de ir para cima, de cobrar sempre que houver algum tipo de erro. Eu demonstrei, contando (aos petistas) como foi a história de bastidor do Alfredo, que em momento algum ela simplesmente acreditou numa reportagem e demitiu o ministro. Não foi isso. Foi um processo muito cuidadoso” – disse ele.

“Foi da iniciativa dele entregar a carta (de demissão). Fomos pegos de surpresa no Planalto”, asseverou o ministro, que também afirmou, espontaneamente, que a presidente não tem agido na esteira das denúncias feitas pela imprensa.

Depois dessas surpreendentes e espantosas revelações, que Gilberto Carvalho jamais deveria ter feito, mesmo que Lula lhe tivesse determinado que fizesse, o ministro saiu pela tangente e fez questão de ressalvar que o governo também vai investigar as denúncias de corrupção no Ministério da Agricultura. Como se sabe, ao ser demitido do governo, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), acusou o PMDB e o PTB de lotearem o ministério.

“Tenha certeza de uma coisa: a presidenta, de praxe, nos orienta para que nenhuma denúncia fique sem averiguação ou da CGU (Controladoria Geral da União) ou de algum orgão de controle interno. Tudo isso vai ser verificado. Sobre o caso concreto, eu não quero falar ainda” – disse o ministro, que certamente ainda não recebeu orientação de Lula sobre como se comportar a respeito do palpitante tema.

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