Indecisos e fundamentais

Carla Kreefft (Jornal O Tempo)

As eleições municipais por todo o país estão sendo marcadas por uma certa apatia do eleitor. Chama a atenção o percentual de indecisos que ainda aparecem na pesquisas de intenção de voto. Índices de indecisos que variam de 8% a 20% com apenas mais dois dias de campanha é um dado que faz pensar.

O eleitor deixa para definir o voto na última hora por motivos vários, incluindo aí aquela preguiça em relação à política. Mas é justamente isso que preocupa. São os indecisos que vão definir os rumos de muitas cidades em 7 de outubro. E, normalmente, eles são o segmento de eleitores que menos se interessam pelo processo eleitoral e, por isso, têm menos informação sobre os candidatos, suas propostas e programas.

Assim, as estratégias de fim de campanha são as mais importantes. São elas que vão atingir um público definidor. E, para que isso aconteça, não raro são utilizados recursos pouco nobres. Declarações infelizes, momentos de derrapagens e atos falhos se transformam em verdadeiras armas nas mãos de adversários.

Não há dúvida de que são táticas questionáveis. Mas também não há dúvidas de que essas situações podem ser muito reveladoras quanto a personalidade e o caráter do candidato.

Na verdade, nada que diz respeito aos candidatos deve ser menosprezado. Todas as informações são relevantes para a formação da imagem do eleitor em relação ao candidato – sejam elas de última hora ou não.

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DISTANCIAMENTO

Fato é que as atuais campanhas eleitorais, ao invés de aproximar os candidatos dos eleitores, cria um distanciamento grande entre eles. O candidato assume um perfil fabricado previamente de acordo com as orientações do marketing da campanha. A espontaneidade, que é um fator de aproximação, é  quase sempre  abandonada.

E, obviamente, o eleitor percebe essa manobra e passa a avaliar todos os candidatos a partir de um só critério: a farsa da campanha. Essa dificuldade para conhecer quem de fato é o verdadeiro candidato leva desânimo ao eleitor e contribui para a ampliação do número de indecisos.

Mas a reação ao marketing excessivo deveria ser exatamente a inversa. O cidadão precisa tomar posse de seu direito de escolha da forma mais ampla possível. Votar não é obrigação. Votar é direito e, como tal, envolve uma gama de fatores que pode contribuir para o seu alargamento ou estreitamento.

Campanhas mais modestas, com limitação para o uso de algumas ferramentas de marketing, fazem o alargamento. Ao contrário, programas eleitorais montados a partir de verdadeiras cenas de ficção fazem o estreitamento. Os vídeos de campanha deveriam ser limitados a personagens e situações verdadeiras.

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