Indústria cresce pelo quarto mês seguido e dá os primeiros sinais de recuperação

Charge do Nani (nanihumor.com.br)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A produção industrial registrou alta de 1,1% em junho ante maio, indicando que o setor está dando os primeiros sinais de recuperação. Foi o quarto mês seguido de crescimento. Ainda assim, a indústria acumulou queda de 9,1% no primeiro semestre do ano, o pior resultado para o período desde 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na avaliação dos especialistas, ainda não será neste ano que veremos a produção industrial fechando no azul. A destruição do parque fabril foi brutal nos últimos anos. Tanto que, pelos cálculos do IBGE, a indústria está 18,4% abaixo do recorde registrado em 2013.

Na comparação de junho deste ano com o mesmo período de 2015, o tombo da produção industrial foi de 6%. No acumulado de 12 meses, o recuo chega a 9,8%. A indústria, ressaltam os economistas, será um dos principais responsáveis pela retração do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. As previsões apontam para contração da economia entre 3,5% e 3,8%. Será o segundo ano seguido de queda do PIB, o que não se vê desde 1930 e 1931.

SETORES EM ALTA – Segundo o IBGE, na passagem de maio para junho, 18 dos 24 ramos pesquisados apontaram desempenho positivo. O dado mais relevante veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 8,4%, seguido pelo setor de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (4,7%); metalurgia (4,7%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (9,8%); artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (10,8%); produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,4%); e produtos de borracha e de material plástico (2,4%).

Entre os seis ramos com queda na produção, os desempenhos mais significativos foram os de produtos alimentícios (-0,7%); bebidas (-2,6%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,6%); e celulose, papel e produtos de papel (-2,0%).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As pesquisas do IBGE indicam que a economia chegou ao fundo poço e começa a se recuperar. O saldo comercial é recorde desde 2006, mas não parece animador, pois baseado apenas na queda das importações, fato que indica persistência da recessão. O problema maior, porém, é o déficit primário, que faz disparar o crescimento da dívida pública interna e externa, impactando os governos federal, estaduais e municipais. E até agora o governo de Michel Temer (leia-se: Henrique Meirelles) não indicou como tentará vencer esse inquietante desafio. (C.N.)

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